<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306</id><updated>2012-01-26T03:05:08.764-08:00</updated><category term='José Cid'/><category term='Rui Reininho'/><category term='Pedro Santana Lopes'/><category term='Vasco Graça Moura'/><category term='Experimenta Design'/><category term='Miguel Veiga'/><category term='Regina Guimarães'/><category term='Bárbara Pinto de Oliveira'/><category term='Manuel Serrão'/><category term='Baptista Bastos'/><category term='CCB'/><category term='Joe Berardo'/><category term='João Fernandes'/><category term='Theatro Circo'/><category term='Pedro Abrunhosa'/><category term='Zita Seabra'/><category term='Álvaro Costa'/><category term='Francisco campos'/><category term='fado'/><category term='literatura'/><category term='Aldina Duarte'/><category term='cultura'/><category term='Filipe la Féria'/><category term='Felícia Cabrita'/><category term='Luís Filipe Menezes'/><category term='Francisco Moita Flores'/><category term='Fernando Alvim'/><category term='Paulo Brandão'/><category term='Guta Moura Guedes'/><category term='Pedro Burmester'/><category term='Farpas'/><category term='José Eduardo Agualusa'/><category term='PS'/><category term='Pedro Roseta'/><category term='Serralves'/><category term='Júlio Machado Vaz'/><category term='João Pereira Coutinho'/><category term='José Miguel Júdice'/><category term='Gonçalo Cadilhe'/><category term='Nuno Markl'/><category term='Nuno Cardoso'/><category term='Casa da Música'/><category term='Alfredo Barroso'/><category term='Miguel von Hafe Pérez'/><category term='Companhia Nacional de bailado'/><category term='Eduardo Cintra Torres'/><category term='Miguel Sousa Tavares'/><category term='Conceição Oliveira'/><category term='Delfins'/><category term='Paulo Cunha e Silva'/><category term='Jornalismo'/><category term='Mário Cláudio'/><category term='Clara Pinto Correira'/><category term='Ana Gomes'/><category term='Equador'/><category term='Miguel Ângelo'/><category term='Carlos Magno'/><category term='ASAE'/><category term='Rui Moreira'/><category term='Ricardo Araújo Pereira'/><category term='Manuel Sobrinho Simões'/><category term='António Nunes'/><category term='Olga Roriz'/><category term='Francisco José Viegas'/><category term='Braga'/><category term='Teatro'/><category term='PSD'/><category term='Manuela Melo'/><title type='text'>Entrevidas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>86</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-4264473272403568088</id><published>2007-09-13T12:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T10:20:55.623-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eduardo Cintra Torres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Eduardo Cintra Torres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4bAnGdmrI/AAAAAAAABxU/x5Vpl_cDwlY/s1600/cintra.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489354693121252018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4bAnGdmrI/AAAAAAAABxU/x5Vpl_cDwlY/s400/cintra.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Os outros governos foram meninos de coro"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Única condição: não desvirtuar as suas afirmações em eventuais cortes de edição. Assumido o compromisso, Eduardo Cintra Torres, 49 anos, cronista do Público há 11 anos, talvez o mais mediático crítico de televisão em Portugal – e o mais controverso – respondeu por mail à entrevista.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 23 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vai de férias para sítios onde não haja televisão?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ela pode lá estar, mas não a vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quantas horas reais de televisão vê por dia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Horas reais no sentido de efectivas, cerca de duas. Horas reais no sentido de verdadeiras, de portadoras de autenticidade, talvez meia hora. Horas reais no sentido de programas com qualidade de realeza, só mesmo quando o rei faz anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esse exagero faz de si uma pessoa particular? Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Julgo que o que me particulariza é precisamente ver pouca TV. Eu não quero escrever crítica de muita televisão, quero apenas escrever boa crítica de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente compulsão para ver sempre televisão, mesmo por aquela que sabe ser telelixo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Compulsão sempre? Nem pensar. Só mesmo quando sinto que o programa merece ser abordado criticamente. Quando vejo programas que considero de pouca qualidade ou de que não gosto tento sempre encontrar ângulos de análise que tornem os meus artigos úteis e interessantes para os leitores. Alguns críticos confundem os dois planos, mas eu não escrevo para telespectadores, escrevo para leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível ver televisão com prazer, sem pensar no que poderá escrever a seguir? Quer dar um exemplo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por obrigação profissional, vejo sempre TV como crítico, mas às vezes «desligo» mentalmente, para apreciar programas que me agradam: séries, bons documentários e informação, Simpsons, alguns programas musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já lhe aconteceu ter que se controlar para não intervir num programa em directo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já. Como qualquer espectador, senti o impulso de telefonar ou mandar correio electrónico. Mas nunca o fiz. Já tenho o meu espaço de intervenção pública através da crítica, não devo abusar nem roubar o dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E pedirem-lhe, na véspera de uma estreia televisiva: “Por favor, não diga mal”?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nunca. De qualquer forma, não serviria para nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ressaca quando não vê televisão durante algum tempo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma barrigada de má televisão sinto um vazio que só passa com silêncio, leitura, jardinagem ou uma boa conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mesmo com as óbvias compensações pessoais pelo exercício da crítica, sente que perde muitas horas de vida com a telerrealidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muitas não, algumas. Mas também tenho ganho algumas, porque há momentos ou programas gratificantes, úteis, interessantes, bonitos. Não sou contra a televisão, pelo contrário, acho um media magnífico. Tem muita porcaria? Sim, mas nisso não se distingue da literatura, rádio, imprensa, internet, cinema, teatro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que filtro usa para não ser condicionado por aquilo que vê?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O filtro da crítica. Criticar é analisar, e analisar implica um afastamento para se tentar ver melhor. Além disso, estudo ou investigo os temas sobre os quais escrevo. Sem estudo nem reflexão não há crítica de qualidade, em qualquer área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quase deseja secretamente ter uma realidade tumultuosa para poder escrever artigos mais empolgantes?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não desejo. Mas que quando ela aparece há um estímulo adicional, ai, lá isso há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recorde as suas violentas críticas à RTP no Verão incendiário do ano passado, a sugerir irradiações na direcção do canal. O desfecho do caso não o beneficiou...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Está a confundir frontalidade e profundidade de análise com violência. Nunca sou violento. De maneira nenhuma vejo esse caso como uma questão de ‘benefício’ ou ‘perda’ em termos pessoais. Alertei o país para o condicionamento político de um media. A partir dali, este governo, nem nenhum outro se safa tentando controlar os media sem que a sociedade esteja atenta e reaja. O país beneficiou com o alerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha então que prestou um serviço aos telespectadores?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alertei-os para a forma como se estava a cobrir os incêndios na RTP. A RTP de imediato mudou a forma como estava a fazer essa cobertura. Portanto, os espectadores beneficiaram da mudança numa informação que estava a ser feita de forma incorrecta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que consequências teve o caso, do seu ponto de vista, para a Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Permitiu desmascarar a ERC como um instrumento do poder político que protege o governo nos momentos-chave. Ainda esta semana isso se reconfirmou. Devido ao caso dos incêndios a ERC ficou totalmente desqualificada. Hoje, na sociedade portuguesa só mesmo o governo lhe dá crédito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É mais comedido agora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Senti na pele o que é o autoritarismo do poder político e dos seus braços institucionais e empresariais. Quiseram calar-me, não tenha dúvida. Eu resisto, mas não é fácil, porque não pertenço a nenhum partido, maçonaria, opus dei, clube de futebol, mafia ou grupo de interesses. Sou um jornalista e autor independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fica inimigo de quem critica mais violentamente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nisso estou como Marcelo Rebelo de Sousa: não me incompatibilizo com ninguém, as pessoas é que podem querer incompatibilizar-se comigo. Há pessoas que critico e com quem converso ou almoço de vez em quando. É assim que agem as pessoas civilizadas, sérias e democráticas. Não fico inimigo de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual o Governo, dos que conhece enquanto crítico, que melhor desenvolveu manipulação através dos órgãos sob a sua tutela?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Em democracia, o actual. Ao pé deste, os outros foram meninos de coro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os seus textos, no Público, deixam passar muitas vezes a sua irritação. Isso não torna vulnerável a crítica?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É a primeira vez em 11 anos que me dizem isso. Estou em total desacordo. Não deixo passar irritação porque escrevo com enorme prazer, nunca escrevo irritado. Se o fizesse, os leitores castigar-me-iam não me lendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A opinião de um crítico pode ter tanto valor como um facto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. Mas repare: os factos só existem no mundo da realidade, nos media só há versões dos factos, mesmo nas notícias. A análise de um crítico ou de um comentador pode valer tanto como outra versão de um facto. Por exemplo, o libelo «J’accuse!», de Émile Zola, teve um valor extraordinário, muito superior ao de muitas notícias sobre os factos que ele comentou no seu texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De onde vem o seu imenso interesse pelas técnicas de propaganda governamentais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vem do próprio trabalho de análise dos media. Como crítico, sinto como um verdadeiro dever mostrar aos meus leitores aspectos que eles não puderam notar, por não serem especialistas nem terem essa preocupação. Como a propaganda é uma actividade que esconde a sua natureza, sinto esse dever de a revelar publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem é que tem os críticos de televisão como arqui-inimigos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que gosta mais de escrever: as críticas que rebaixam (porque a isso o seu juízo o obriga) ou as que só louvam algo que já estava bem feito?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É mais gratificante para mim escrever sobre programas em que encontro qualidades. O «dizer mal» não faz o meu género, nem sequer o considero como crítica. Mas o que mais gosto é de escrever artigos que sejam úteis e interessantes, procurando que mesmo um mau programa de TV origine um artigo que valha a pena ler pelo seu contributo positivo para o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em que circunstância pode assobiar para o lado se tiver uma opinião para dar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Só me inibo de escrever se participo nos programas como autor. Por exemplo, escrevi um argumento para um telefilme (RTP), fui autor e co-autor de duas séries documentais (RTP), corrigi perguntas e respostas de concursos (RTP e SIC) e aconselhei a RTP em vários projectos ficcionais (2002-3). Sobre esses programas não escrevi, mas nunca deixei de escrever o que pensava sobre esses canais enquanto duraram essas colaborações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há quem defenda que o que se escreve sobre televisão é pior do que a própria televisão. Quer defender-se?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não preciso de me defender, porque não me revejo nessa afirmação. Como disse, tento que seja ao contrário, que os meus textos sejam mais compensadores do que alguns maus programas sobre os quais escrevo. Mas não sou o único crítico de TV. Há de tudo na crítica, como na botica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A televisão está hoje transformada num tribunal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os media sempre foram um espaço público de opiniões e, portanto, de julgamentos não judiciais. Há nos media julgamentos de opinião pública, que são legítimos. Mas um julgamento de opinião pública não é um julgamento de tribunal. O problema é quando um ou mais media se armam em substitutos dos tribunais na acção específica da apreciação correcta de todos os factos por parte de quem se pode defender e acusar livremente (com advogados) perante alguém imparcial que só deve olhar à lei (o juiz). Isso é o tribunal, e um media não o é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há hoje algum “Senhor Televisão”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, e ainda bem. As ditaduras nunca foram boas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-4264473272403568088?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/4264473272403568088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=4264473272403568088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4264473272403568088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4264473272403568088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/eduardo-cintra-torres.html' title='Eduardo Cintra Torres'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4bAnGdmrI/AAAAAAAABxU/x5Vpl_cDwlY/s72-c/cintra.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7004484789999044938</id><published>2007-09-13T12:10:00.002-07:00</published><updated>2010-07-02T10:24:30.359-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Serralves'/><title type='text'>João Fernandes</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4gMcYOZYI/AAAAAAAABxc/lDJKbHvGgBc/s1600/joao+fernandes.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489360393959531906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4gMcYOZYI/AAAAAAAABxc/lDJKbHvGgBc/s400/joao+fernandes.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Permita-me duvidar das 800 mil visitas ao CCB"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está em Aljezur, concelho algarvio emoldurado por mar e montanhas. E onde raras vezes consegue ter-se rede para atender o telemóvel. João Fernandes, director do Museu de Serralves, no Porto, desde 2003, conseguiu. Respondeu à entrevista por mail, mas deixou, cordial como sempre, o telemóvel às ordens.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 22 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há pouco tempo, José Sócrates reuniu-se em Serralves com agentes artísticos do Porto convidados por si e uma artista plástica beijou o PM na boca. Achou graça, como atitude irreverente, típica de artista, ou ficou embaraçado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, os artistas não foram convidados por mim, mas sim pela Fundação de Serralves, a pedido do Gabinete do Senhor Primeiro Ministro. Em relação ao facto de que fala, sim, achei graça, se bem que só tenha achado graça, por o ter considerado bastante gratuito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava de ser uma espécie de Durão Barroso das artes, isto é, de abandonar Serralves para o topo da Europa a nível museológico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um museu demora bastante tempo a construir, mas pode também ser destruído muito rapidamente. Enquanto continuar a ter as condições adequadas para desenvolver o projecto de museu que estamos a construir em Serralves, jamais o deixarei a meio. No dia em que esse projecto seja estável no seu futuro, não comprometendo o que até aí foi realizado, terei o meu papel cumprido e poderei estar disponível para outros desafios. Há ainda muito para fazer até esse momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não sente vontade, de vez em quando, de tirar férias do meio artístico. De fazer, por exemplo, turismo gastronómico ou assim uma coisa mais prosaica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muitos foram os artistas que, ao longo das últimas décadas, tornaram indistinguíveis as fronteiras entre a arte e a vida. Trabalhar com artistas não me impede de viver, propicia-me pelo contrário momentos de vida inesquecíveis. Alguns deles também são gastronómicos... Não gosto no entanto de ser turista, prefiro viajar em trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É director da instituição artística de maior sucesso no país, mas nunca aparece em notícias do social. Foge desse mundo ou esse mundo que não demonstra interesse por si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se esse mundo de que fala é o mundo das revistas sociais, claro que o evito, dado que ele em nada me interessa nem em nada se relaciona com o meu trabalho. Espero bem obter desse mundo a mesma indiferença que eu lhe dedico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Imaginemos um projecto transversal arte-música, admitia convidar um artista pimba para Serralves como gesto contemporâneo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que é o "gesto contemporâneo" de que fala. Mais do que apenas a contemporaneidade, é também o experimentalismo que caracteriza a programação de um museu de arte contemporânea. Convido artistas pelo trabalho que fazem e não me parece que o contexto musical de que fala tenha o seu lugar de recepção ou de apresentação ideal no Museu de Serralves...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Incomoda-o que Serralves seja recorrentemente apontado como exemplo da vitalidade da cultura no Porto, servindo para encobrir a real ausência de vida cultural na cidade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Serralves "não encobre" a "ausência" de vida cultural na cidade. Trata-se de um projecto que tem corrido bem, mas que não é tudo na cidade do Porto. Todos teríamos a ganhar se a vida cultural da cidade não fosse feita apenas de alguns oásis no deserto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diria que é a única instituição da cidade que o actual Executivo não consegue beliscar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A independência do projecto artístico de Serralves é reconhecidamente uma das condições necessárias do seu sucesso. Felizmente, essa independência tem sido respeitada e reconhecida pelos contextos sociais portugueses, sejam eles económicos ou políticos. É sempre de lamentar quando outros projectos culturais não reunem as mesmas condições para o desenvolvimento do seu trabalho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rui Rio é uma boa desculpa para a preguiça dos artistas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não faço a injustiça ao Dr. Rui Rio de crer que ele seja desculpa para o que quer que seja. Não sei também de que preguiça dos artistas fala. Por vezes, a preguiça pode ser condição necessário do trabalho de um artista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse que "o sucesso de um museu não é comensurável pelas estatísticas". Nesse caso, por que insiste em divulgar os números de visitantes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não trabalhamos para bater recordes de público, mas ficamos obviamente satisfeitos quando constatamos que o público acorre ao museu em grande número.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reconhece que há alguma pressão para que uma exposição bata sempre o recorde da anterior?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não reconheço essa pressão. A única pressão que tenho sentido é a dos jornalistas que me perguntam sempre qual vai ser a exposição mais visitada do ano ou estabelecem tais comparações a esse nível. Trata-se de uma pressão amável que não interfere em nada com a nossa programação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não são justamente os números que fazem com que Serralves tente equilibrar autores seguros com outros mais difíceis?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Confesso-lhe que não aceito a distinção entre "autores seguros" e "autores difíceis". No entanto, suponho que se refere ao facto de certas exposições com artistas já muito reconhecidos projectarem e ampliarem igualmente a curiosidade dos públicos em relação a outros artistas menos conhecidos. É um facto com o qual também procuro trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O CCB de Berardo já conseguiu mais de 800 mil visitas. É, neste momento, o principal concorrente (se é que se pode falar de concorrência neste campo) de Serralves?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Onde foi buscar esse número? Permita-me duvidar dele, se bem que deseje ao Museu Berardo os melhores índices possíveis de públicos. É bom para todas as instituições culturais em Portugal o sucesso de outras instituições que operem no mesmo contexto. Serralves já terá contribuído e continuará a contribuir para criar públicos interessados em visitar outros museus, incluindo a Colecção Berardo. O mesmo acontecerá em relação a Serralves com o sucesso de visitantes dessa Colecção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diria que Joe Berardo é um coleccionador ou um comprador de arte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É indubitavelmente um comprador de arte e um coleccionador. Falta-lhe ainda um ponto de vista que lhe confira uma identidade única e singular enquanto coleccionador, mas tal demora por vezes décadas a ser conseguido numa colecção particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Público tornou esta semana pública uma polémica que existia apenas em circuito fechado. A sua intervenção no blogue foi, também, uma necessidade de se justificar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, a minha participação nesse blogue procurou apenas contribuir para uma discussão que necessita ainda muito de continuar a ser desenvolvida no contexto artístico português. Neste contexto, assim como na generalidade da sociedade portuguesa, a discussão crítica e o confronto de pontos de vista diferenciados necessitam ainda de muito estímulo e pouco dramatismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não estando nas competências do Museu abraçar o tecido artístico emergente, seria mesmo impensável criar uma espaço de experimentação que permitisse inverter o circuito, ou seja, facilitando a incursão dos artistas no tecido internacional?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um Museu deve ser sempre um espaço de experimentação. No entanto, no que diz respeito aos artistas mais jovens, seria muito mais natural que uma instituição específica na sua programação se dedicasse a esse contexto. A identidade de um museu, incluindo a sua programação, é sempre também uma consequência dos objectivos da sua colecção. Defendo que um espaço de experimentação para artistas mais jovens não deva ser contaminado por esta questão da colecção, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é perigosa a ideia de que a falta de condições que sempre existe na cidade permite criar movimentos alternativos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Essa constatação não é perigosa, é um facto. Um grande artista brasileiro, Hélio Oiticica, dizia: "Da adversidade vivemos...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Num país tão reduzido, não é estranho que o Porto seja factualmente periférico em relação a Lisboa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca lhe aceitei nem reconheci a periferia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que distingue os talentos medianos dos verdadeiros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há quem pratique linguagens artísticas que repetem fórmulas já conhecidas, mesmo que sinceramente determinadas por emoções e intenções o mais respeitáveis possível e há quem faça o que não foi feito, ou quem o faça de uma outra maneira que nos permite acrescentar conhecimento ao conhecimento que temos, emoção às emoções que já sentimos, confrontarmo-nos com o que jamais imaginaríamos possível. Não gosto da palavra talento, mas suponho que a sua pergunta procura uma resposta como esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que não tem arte em casa? Nem uma peça?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, é verdade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7004484789999044938?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7004484789999044938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7004484789999044938' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7004484789999044938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7004484789999044938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/joao-fernandes.html' title='João Fernandes'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4gMcYOZYI/AAAAAAAABxc/lDJKbHvGgBc/s72-c/joao+fernandes.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-8756802271705812564</id><published>2007-09-13T12:10:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T10:28:21.206-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CCB'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Joe Berardo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Joe Berardo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4g6_Olf2I/AAAAAAAABxk/41k584SjzP4/s1600/joe+berardo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489361193588326242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4g6_Olf2I/AAAAAAAABxk/41k584SjzP4/s400/joe+berardo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Não sou tão importante como Gulbenkian, mas quase"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em Portugal quase não há um dia em que não seja notícia. Joe Berardo, 62 anos, é o homem de que se fala: seja pelo CCB, pelo SLB, pelo BCP ou pela PT. Ao fim de três semanas de tentativas goradas, o comendador encontrou 15 minutos livres para responder à entrevista. Em português.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 21 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está mesmo arrependido de ter dito “Fuck him” a Rui Costa ou acha que isso influiu no desempenho dele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Continuo a achar que tenho razão. Se não o tivesse espicaçado, ele não teria marcado dois golos contra o Copenhaga. Há 14 anos que não fazia um jogo daqueles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha que devia aplicar a estratégia à equipa inteira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se for para todos marcarem golos, acho que sim. As pessoas têm que ser motivadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua OPA ao Benfica fracassou. Hoje é um dia triste?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. As acções estavam a cair e não sei o que teria acontecido se eu não tivesse interferido. O meu objctivo – chamar a atenção para a marca SLB – ficou cumprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Veste-se de preto como os mágicos. O seu melhor truque é saber fazer dinheiro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[risos] Não sei. O que sei é que sem dinheiro, a vida é muito mais difícil. E a cultura ainda pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É o quinto homem mais rico de Portugal. Não tem medo de ser assaltado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que não. Se vivesse em Angola, Venezuela ou Brasil, talvez. Em Portugal, não. E se fosse para viver com essa preocupação mais valia doar tudo o que tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se perdesse toda a sua fortuna começava do zero ou perdia a cabeça?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A única certeza que tenho é que um dia vou partir. Mas enquanto há vida, há esperança. Recomeçava do zero, obviamente. Já tantos portuguses o fizeram, e em situação tão mais difíceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse que nunca regressaria a Portugal. Regressou porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As nossas raízes são como as mulheres: podemos dizer mal delas, mas se as amamos acabamos por voltar. Tenho com Portugal uma relação de amor-ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Veio para ficar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ai isso já não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já pensou corrigir o seu português ou gosta mesmo de o misturar com o inglês?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os meus negócios na África do Sul sempre foram feitos em inglês. Como não sabia o idioma, até em casa falava para aprender. Foi muito duro. É o hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portugal é um bom país para enriquecer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, nada. É um bom país para trazer a fortuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em terra de cegos quem tem um olho é rei?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso é um ditado antigo, mas que não tem nada a ver com a realidade. Não há sequer terras de cegos. Veja o número de europeus que vão para Angola à procura disso e veja o que lhes acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas foi em África que cumpriu o seu sonho americano...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas foi porque levei uma ideia nova. Essa foi a minha vantagem sobre as outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aparentemente, não há negócio que lhe escape...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;... Escapam, escapam. Escapam muitos, infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A TAP também poderia ser para si um bom negócio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já estive uma vez em negociações com eles. A TAP é uma companhia sólida. Ultimamente teve um management que conseguiu dar a volta àquilo, mesmo no meio de tantas dificuldades. Fez um bom trabalho. Achei que a situação da TAP era muito pior do que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se as eleições legislativas fosse hoje, votaria em José Sócrates?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;estePortugal precisa de um primeiro-ministro com a coragem dele para dar uma reviravolta ao páis. Se queremos acompanhar a competititvidade do mundo, temos que ter líderes como ele senão estamos tramados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E escolheria Isabel Pires de Lima para a Cultura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Temos opiniões diferentes em relação a muitas coisas. Mas considerando o dinheiro que ela tem, o trabalho não tem sido mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse que Mega Ferreira representa bem o intelectual portugués. Isso significa o quê?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ele faz parte da fatia intelectual portuguesa; eu não sou desse clube. Acho que ele tem o seu valor. Compreendo que não goste da minha maneira de trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que o seu leque de inimigos de colarinho branco está a aumentar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Sinto que está a aumentar o meu leque de boas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vetou a OPA da Sonae à PT, travou o regresso de Jardim Gonçalves ao BCP, fez uma OPA ao SLB. Vê-se como o senhor OPA?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de pessoas que perseguem o capital. Continuo à espera do dia que as pessoas percebam que o dinheiro não é tudo na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há cada vez mais pessoas à sua volta a pedirem coisas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso foi sempre assim. Sempre toda a gente me pediu coisas. Ajudo muitos. Não sou tão importante como Gulbenkian, mas quase, no sentido em que tenho ajudado muita gente com bolsas de estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É&lt;strong&gt; presenta assídua no CCB?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vou sempre que posso. Já tivemos mais de 800 mil visitas. É uma marca inédita em Portugal e mesmo a nível mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda mantém as suas colecções de selos e caixas de fósforos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda. Ainda há pouco tempo estive a vê-las.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-8756802271705812564?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/8756802271705812564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=8756802271705812564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8756802271705812564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8756802271705812564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/joe-berardo.html' title='Joe Berardo'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4g6_Olf2I/AAAAAAAABxk/41k584SjzP4/s72-c/joe+berardo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-2744372456125277087</id><published>2007-09-13T12:09:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T10:30:49.857-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fernando Alvim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Fernando Alvim</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4hzWMBIUI/AAAAAAAABxs/DfOI4m3ipHY/s1600/fernando+alvin.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489362161824244034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4hzWMBIUI/AAAAAAAABxs/DfOI4m3ipHY/s400/fernando+alvin.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Gosto de ficar a dever dinheiro no talho lá da rua"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está de férias na Régua. Ao telefone diz preferir responder por mail, mas não tem a certeza se, em pleno Douro, conseguirá aceder à internet. Conseguiu. Fernando Alvim, 33 anos, mais de dez anos de currículo radiofónico e televisivo, continua a ser considerado um dos mais promissores comunicadores.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 20 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tony Blair foi capa da última Men's Vogue; Caetano Veloso da última Rolling Stone. O primeiro foi melhorado pelo Photoshop para parecer um homem saudável; o segundo surge com rímel e outros adornos femininos, vá lá saber-se porquê. Qual inveja mais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Caetano Veloso, porque está a atravessar a fase “ Ney Matogrosso” e toda a ajuda é pouca. Para além disso, penso que não haverá dúvidas em relação à diferença de notoriedade das duas publicações, a men’s vogue é uma espécie de “ Ana + atrevida” a Rolling Stone é para homens com barba rija. Sem rímel, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Supostamente, Freud nunca conseguiu responder à pergunta: "O que quer uma mulher?". E você?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não consegui e suspeito que quem o conseguir se torne rapidamente milionário por tamanha descoberta. As mulheres conseguem estar ao telefone e escrever uma carta no computador ao mesmo tempo, aposto que neste momento estará uma mulher a ler este inquérito e a jogar vólei no mesmo instante. E isto é estranho. Muito estranho mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De acordo com um inquérito da &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://match.com/" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;match.com&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;, sete em cada dez solteiros vão de férias convencidos de que encontrarão o par ideal. É com esse espírito que parte de férias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, na verdade, faço exactamente o contrário, só procuro a mulher ideal durante os meses em que trabalho, porque nas férias procuro uma mulher que não seja ideal. Gosto de me meter com uma boa galdéria com nomes tipo Josefina, Ivanka e Jurema. Tão bom, tão bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No livro "No dia em que fugimos tu não estava em casa" revela-se um pinga-amor. É um romântico?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É bem verdade, sou o Vítor Espadinha dos tempos modernos, só que não trago nos olhos a luz de Maio nem nas mãos o calor de Agosto embora reconheça que sou um 30 de Fevereiro de um ano por inventar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Também é um daqueles homens que não entende por que razão as mulheres gostam do Dr. House?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Porque pensaram inicialmente que o “Doutor Casa” falava de casamentos e da forma como poderiam planear a cerimónia. As mulheres adoram estas coisas, ver os vestidos de noiva, o tapete vermelho para a entrada, confétis, comprar alsa drink, enfim. Pensavam que era isto e quando perceberam que não era, já era tarde demais, o “Doutor Casa” não casando ninguém tinha até já desfeito alguns casamentos e sem que notassem, tinha-se tornado um vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aos 24 anos foi viver e trabalhar para Lisboa. Foi a sua sorte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, foi precisamente ter vivido no Porto até aos 24.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A maior parte dos colegas que no início dos anos 90 esteve consigo na Rádio Press são hoje jornalistas. Lamenta por eles ou por si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Logicamente, lamento por eles e por todos os meios de comunicação que os acolheram. Juro, que fiz tudo para impedir que tal acontecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não faz nada sem meter uma piada pelo meio. E se deixarem de lhe achar graça?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como assim? Eu pensava que isso já tinha acontecido. Querem ver que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A popularidade é um vício?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, é uma consequência do teu trabalho e da tua exposição. Podes ser popular por boas ou más razões, agora que me lembro, há em Portugal um partido popular sem razão nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O "Boa Noite Alvim [Sic Radical] é a uma tentativa de fazer um programa mais sério?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não mais sério, mas sim mais adulto o que não é a mesma coisa. Não apresento programas em busca de alguma suposta seriedade, pelo contrário, gosto de ficar a dever dinheiro no talho lá da rua e roubar maçãs a merceeiros distraídos. Gosto de ser visto como um bom malandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nesse programa, a actriz brasileira Bruna Lombardi disse que "fala demasiado para seres misterioso". Considerando que as mulheres gostam de homens misteriosos, vai corrigir a trajectória?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não sou misterioso, não tenho segredos, falo demasiado, mas uma vez uma prima afastada disse-me isto “ óoo cara linda , óoo cara linda!” enquanto me dava estalos na cara a um ritmo de 50 por minuto. Querem melhor coisa do que isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esteve seis anos à frente do Curto-Circuito [Sic Radical]. Se tivesse que traçar o perfil dos adolescentes de hoje, com base nesse programa, diria que é uma geração rasca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é uma geração rasca, nem à rasca, nem de desenrasca. É uma geração que ainda não teve o tempo suficiente para mostrar o que vale mas vai fazê-lo o quanto antes. Os miúdos são agora mais inteligentes porque crescem mais cedo, porque passam pela pré-primária e chegam à primeira classe a saber contar e até a ler. Vi outro dia uma criança de 4 anos a falar e ler correctamente inglês e fiquei impressionadíssimo. Só mais tarde, percebi que se chamava martha stewart e era inglesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em "O Perfeito Anormal" [Sic Radical] descobriu Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela. Sente-se uma espécie de Júlio Isidro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim mas não só. Sinto-me uma espécie de Júlio Isidro mas também um pouco de Luís Pereira de Sousa, de Demis Roussos, de Totó Cotugno, de Vítor Espadinha, de Eládio Clímaco, de Júlio César, de Anthimio de Azevedo. A este propósito, aproveito para dizer que amanhã o céu estará pouco nublado ou limpo com rajadas de 100km/hora a norte do cabo da roca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E no Festival Termómetro Unplugged descobriu os Ornatos Violeta e os Silence 4. Reclama gratidão ou vive bem sem ela?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Reclamo gratidão e eles telefonam-me várias vezes por dia a dizer obrigado. É assim há muitos anos e por vezes já quase nem falamos, o telefona toca, eu atendo, digo: Estou! E do outro lado ouço apenas: Obrigado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voltando à televisão, é para Nuno Markl [com quem dividiu "O perfeito anormal"] o que Jardim Gonçalves era para Paulo Teixeira Pinto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Talvez, mas com menos dinheiro, menos idade e o melhor de tudo, sem o Joe Berardo pelo meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Consegue realmente apreciar o programa do Rui Unas na Sic Radical?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não vejo televisão desde o tempo em que o Mário Crespo era correspondente da RTP em Nova Iorque e a Vera Roquete apresentava o “Agora escolha”. Estamos conversados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é a motivação para continuar a editar a revista 365, que só tem cinco mil exemplares e o faz perder dinheiro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A certeza de que um dia serei condecorado pelo presidente da república e a esperança de um dia entrevistar Manuela Eanes, que para mim, fez por um produto o que muitas mães não fazem por um filho. O produto é: A Laca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nessa revista, entrevista ícones datados como a menina que fazia a publicidade do "comboio que vai com o Pai Natal ao circo". Como foi essa experiência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi óptima e valeu também pela sessão fotográfica. Fui para a estação de Sta Apolónia vestido de coelhinho e foi com esta indumentária que tratei de convencer o chefe da estação a fazer uma sessão fotográfica numa das carruagens do comboio, juntamente com o Pai Natal e a miúda que agora tem a minha idade. Eu acho que eles estavam convencidos que íamos fazer um filme porno dentro da carruagem e não fácil convencê-los. As imagens em breve poderão ser vistas no sexyhot. Ou talvez não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Além da rádio e da televisão, é DJ. Não acha estranho que lhe paguem no país inteiro para passar a música do dartacão e outras pérolas semelhantes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho, acho mesmo muito estranho mas existem pessoas para tudo, até mesmo para me ouvirem a passar música. Eu bem lhes digo no inicio das minhas actuações para não perderem tempo, para se recolherem aos lares mas não adianta muito. As pessoas querem ouvir o dartacão, o tom sawyer, a abelha maia e o loveboat. Sinto-me impotente, felizmente, só nesta situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Eu tenho uma ideia" é talvez a frase que mais vezes o ouvimos repetir. Tens mesmo facilidade em vender tudo o que te passa pela cabeça?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É verdade que “eu tenho ideia” é uma das minhas frases mais repetidas. Na infância era “ Ainda falta muito” que eu repetia exaustivamente nas viagens longas e já na adolescência “ Pai empresta-me dinheiro!” figurava na primeira posição. De resto, ter uma ideia não significa que a iremos vender. Com verdade, não tenho jeitinho nenhum para o negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que tem vocação para ser roubado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, o que me parece é que há muito gente com vocação para me roubar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-2744372456125277087?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/2744372456125277087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=2744372456125277087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2744372456125277087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2744372456125277087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/fernando-alvim.html' title='Fernando Alvim'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4hzWMBIUI/AAAAAAAABxs/DfOI4m3ipHY/s72-c/fernando+alvin.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-8189566360706930474</id><published>2007-09-13T12:08:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T10:34:53.915-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pedro Santana Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSD'/><title type='text'>Pedro Santana Lopes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4ihGb2-pI/AAAAAAAABx0/n8jbYmxO0yk/s1600/santana1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489362947869702802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4ihGb2-pI/AAAAAAAABx0/n8jbYmxO0yk/s400/santana1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Cada vez se demora menos tempo a ir às boxes"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Atende o telefone e aceita impulsivamente responder à entrevista. Só depois é invadido por algumas dúvidas: sobre o formato, sobre eventuais rasteiras. Pedro Santana Lopes, 51 anos, ex-Primeiro-Ministro de Portugal acaba por superá-las. Troca um dia de praia pelo computador. Às 19.30 em ponto, como prometeu, enviou o mail.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 19 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ser Primeiro-Ministro foi a fase menos divertida da sua vida?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estar como Primeiro-Ministro é um permanente exercício de responsabilidade. Não é suposto fazer uma avaliação com base no critério que resulta da pergunta. Uma campanha que com pouco tempo mais, ficará clara quanto aos seus autores, quis convencer os Portugueses de que era outra a minha maneira de estar. Estão alguns a começar a responder em Tribunal. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ao seu caso aplica-se o ditado: "Atrás de mim virá quem bom de mim fará"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A comparação não tem sentido por várias razões. Eu assumi essas funções numa situação de emergência e não tive o tempo mínimo para ter resultados próprios, a não ser assegurar o respeito pelos nossos compromissos e garantir que 2004 fosse, como foi, um dos melhores anos desde o princípio da década. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Também acha que alguns dos episódios protagonizados por José Sócrates teriam sido inflacionados em termos mediáticos se tivessem sido protagonizados por si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A sua pergunta já contém a resposta. Mas não compare só comigo. Conhece alguma Democracia onde não seja falado o local e o tempo de férias do Primeiro-Ministro ou Chefe do Executivo? Veja Espanha, Itália, Inglaterra, França, Estados Unidos. Quem acompanhe, como eu a Imprensa desses Países sabe o que se tem passado durante estas semanas com esses líderes políticos. E o que é mais inacreditável é que exercemos este semestre a presidência da União Europeia. Estejam os serviços em Bruxelas mais ou menos de férias, nós não devíamos desperdiçar nem um dia. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Qual é o melhor antidepressivo para o PSD: Mendes ou Menezes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O PPD/PSD tem de viver sem comprimidos. Não pode viver deprimido. É contra a sua natureza. Gosta de se sentir bem consigo próprio, de sorrir mesmo na luta. A campanha para as legislativas em 2005, mesmo naquelas condições tão difíceis, é inesquecível para os militantes e simpatizantes. São eles que o dizem quando me encontram, ou nos muitos mails e cartas que me enviam constantemente. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As eleições intercalares em Lisboa deram-lhe mais vontade de rir ou de chorar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando algo mexe tanto connosco que ficamos sem vontade de dizer seja o que for? Até agora ainda não me passou. Só digo que é algo sem precedentes: um partido ter o Governo do País e da sua capital e vários dos seus militantes fazerem tudo para derrubar ambos. Conhece outro caso? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gostava de ter uma mulher com a personalidade de Ségolène Royal no seu partido?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gostava que muito mais mulheres se interessassem pela política activa sendo iguais a si próprias.Se me pergunta o que penso de Segoléne Royal, apreciei mais o que fez até à fase pós –presidenciais em que, com ela e com o marido, houve demasiada confusão entre o que é a vida pessoal e o que é a intervenção política. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que comentário lhe merece a dispensa de Dalila Rodrigues do Museu Nacional de Arte Antiga?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tenho pena que não tenha podido continuar o seu bom trabalho. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Diz ela [a Dalila] que "se é comum dizer-se que a cultura é de esquerda, a culpa é da direita". Concorda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Cultura nunca foi, não é, nem será só de “Esquerda”.Pensar isso é estar a falar de outro conceito e de outra realidade que não a Cultura.l Essa hipótese mais não é do que um absurdo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O governador de Nova Jérsia, Jim McGreevy, planeou minuciosamente o sound byte "Sou um americano homossexual". O seu "Vou andar por aí" também foi calculado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Escrevi umas notas sobre o que queria dizer pouco antes de começar a minha intervenção nesse Congresso de Pombal. Mas a importância que sempre foi dada a essas palavras foi a melhor confirmação de que Churchill tinha razão quando disse que há várias vidas na política. Mas quando voltamos não nos podemos negar a nós próprios. Temos de saber muito mais e de demonstrar que aprendemos e tirámos as lições das vivências anteriores. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;'Anda por aí' ou ainda está nas boxes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se vir a política como uma prova de Fórmula 1,é impressionante como cada vez se demora menos tempo a ir às boxes. Mas não se deve regressar á pista antes de o reabastecimento terminar. E deixar passar quem quer e pode voltar primeiro. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"Menino guerreiro" é a melhor definição que encontra para si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Nem pensar. Nem “Animal feroz”. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O piano é o sítio onde pendura a solidão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Onde encontro serenidade e onde fortaleço a motivação. Sempre prometi a mim próprio que aos quarenta anos começaria a estudar piano. Estudei anos iniciação musical na Fundação Gulbenkian desde os cinco anos. E depois mais outros quatro anos estudei violoncelo. As aulas de solfejo com a Professora Vitória Reis facilitaram a leitura das músicas que tenho aprendido a tocar. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O whisky é, como dizem, o melhor amigo do homem. Ou são as mulheres?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bebidas o melhor amigo? Nunca. Sempre bebi muito pouco. Quanto ás mulheres, em amizade, há de tudo. Como com os homens. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A esta distância, sente que foi demasiado benevolente com Durão Barroso, no seu livro "Percepções e Realidade"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O melhor critério para avaliar a boa fé daqueles com quem partilhei esse período é o seu comportamento posterior. Não tenho razão para mudar o meu pensamento sobre Durão Barroso. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tê-lo escrito quer dizer que tem boa memória ou que tem um Diário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dizem que tenho memória de elefante. E tomo muitas notas sobre aquilo de que não me quero esquecer. Mas faço-o, muitas vezes, à frente das próprias pessoas. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sentiu-se pacificado depois da sua publicação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Senti. Mesmo. E por ter constatado como falharam rotundamente todos os que se preparavam para o tentar descredibilizar, tentando equipará-lo a outro(s) de estilo e propósitos bem diferentes. Mas o livro estava muito assente numa fundamentação rigorosa. Como não o conseguiram desmentir, calaram-se. Teve quatro edições ,até agora, e hão-de reparar como apesar de ter vendido, em dois meses, quase vinte mil livros, deixou de aparecer… &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Praia é na Figueira da Foz ou no Algarve?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Figueira da Foz tem várias e bonitas praias, não só a da Claridade ou a de Buarcos. Quiaios, Cabedelo, Lavos, Leirosa,por exemplo.Como o Algarve tem muitas e distintas. Quer as da Figueira, quer as do Algarve, são imperdíveis. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Qual é o seu prime-time de um dia em férias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Férias são férias. Não há nem prime nem second-time. Mas a hora do jantar tem um sabor especial. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Defenderia para Portugal a hora da sesta espanhola?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Defendo que a produtividade passe a ser cada vez mais próxima da à de Espanha. Nunca mais deixamos a casa dos 60% da média da União Europeia. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Os desfiles de moda são um happening que visita por cordialidade ou é um fashion victim?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nem uma coisa nem outra. Gosto, mas não obedeço às modas. Embora faça por as conhecer. E, se me distraio, há sempre quem me informe. E respeito quem se esforça por se impor num sector que, num País como Portugal, tende a dar mais valor ao que chega de fora das nossas fronteiras. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-8189566360706930474?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/8189566360706930474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=8189566360706930474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8189566360706930474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8189566360706930474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/pedro-santana-lopes.html' title='Pedro Santana Lopes'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4ihGb2-pI/AAAAAAAABx0/n8jbYmxO0yk/s72-c/santana1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7446986299890921656</id><published>2007-09-13T12:07:00.002-07:00</published><updated>2010-07-02T10:40:30.120-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Cid'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>José Cid</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4j6bPNB9I/AAAAAAAABx8/o-31qkAwCKc/s1600/cid.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489364482462123986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 226px; CURSOR: hand; HEIGHT: 147px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4j6bPNB9I/AAAAAAAABx8/o-31qkAwCKc/s400/cid.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Tenho melhor currículo do que a ministra da cultura"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Atende o telefone no carro, a caminho de um concerto. José Cid tem 65 anos, mas os anos não parecem ter passado por ele. Responde à entrevista com a bravura de sempre. Mas ressalva: "Não contesto; constato". E nem reclama por ele, assegura. "Defendo os interesses de um colectivo".&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 18 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É mesmo homofóbico?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não critico a sexualidade de ninguém, mas não me atirem essa diferença à cara. Heróico não é dois homens casarem; heróico é um casal lutar neste sistema político de merda para sustentar os filhos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Nos anos 90, posou nu para a capa de uma revista. Voltaria a fazê-lo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não posei nu, tinha um disco de vinil à frente. O meu número de fãs aumentaria muito se tivesse sido nu integral. Tenho um corpinho invejável. Só o meu espelho e poucas pessoas o sabem. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na altura, fê-lo para constestar a ausência de música portuguesa nas rádios. Está satisfeito com a nova lei?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As pessoas que fazem as playlists nas rádios pretendem ser mais vedetas do que os próprios criadores. O meu recente ábum "Pop rock &amp;amp; vice versa" podia passar em qualquer rádio do mundo e não passa em nenhuma rádio em Portugal. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ainda hoje se fala desse nu. Portugal é um país pudico?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É um país de voyeurs. Fui à televisão por causa disso. Em "A noite da má língua", Miguel Esteves Cardoso disse que eu precisava ser reciclado. Respondi: "Eu ainda me escondi com um disco. A ti, se calhar, bastava uma caneta". &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Depois da ausência teve um regresso mediático. Foi a cereja no topo da carreira?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não estive ausente. Gravei álbuns nos anos 90 que aconselho as pessoas a procurarem. Em 2000 houve um 'comeback' porque as novas gerações descobriram que havia uma obra boa a ser ignorada. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Também parece seduzir uma imensa fatia de "tias"...&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Gostam de mim. Foram educadas a ter bom gosto. Não as recuso, como não recuso as pessoas humildes que me seguem pelo país. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ainda gostava de ser ministro da Cultura?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tenho melhor currículo cultural do que o da actual ministra. E no PS há homens – Manuel Alegre ou Mega Ferreira – melhores do que ela e nunca foram nomeados. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Carmona Rodrigues assistiu ao seu concerto no Maxime. Votou nele para Lisboa?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não sou republicano. Defendo um sistema monárquico como o espanhol. Eles defendem intransigentemente a sua cultura. Nós somos muito abertos ao que vem de fora. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é ser monárquico e anarquista numa República?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não sou anti republicano; não sou é republiqueiro. E isto parece a república de bananas. O ministro da Saúde não fala com médicos; a ministra da cultura não é culta; a da educação não dialoga com professores. E o Primeiro-Ministro não vai a manifestações populares para não se misturar com o povo. Não é sistema de que goste. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Há frases suas para a posteridade: a de Madonna ou Elton John. É o rei dos sound bytes?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É uma forma de chocar as pessoas. De dizer: "Portugal tem identidade própria. Não façam misturas". Não sou o Elton John português. Já tocava piano e cantava antes dele aparecer. Alguém imagina os Rolling Stones a nascerem em Almada? Ou o Júlio Iglésias a nascer em Penafiel? É óbvio que não teriam tido a mesma carreira. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há frases de que se arrependa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma única: "Como um macaco gosta de banana eu gosto de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em que circunstâncias ameaça abandonar o palco?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como não tenho uma máquina que põe 10 gorilas à frente do palco, às vezes, ele é invadido por miúdos aos gritos. Sem condições não canto. Mas também não amuo. Retiro-me e volto depois. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tony Carreira é o seu ódio de estimação. Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não é da pessoa que não gosto. A minha empregada até acha que ele é lindo. Mas não é justo que ocupe o espaço que deveria ser preenchido com os cantores que, em Portugal, têm uma poesia e estéticas fabulosas. Ele não faz música popular; faz música populosa – um misto de popular e piroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A que estrela pop portuguesa daria aulas de música?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A todos os que cantam em inglês sem saber inglês. Pelo menos, entreguem a ingleses, que pensam em inglês, os seus monstros poéticos. Os Gift e o David Fonseca tiveram mais sucesso a cantar em português, a língua de Torga, o tal que a ministra esqueceu. Uma vergonha. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7446986299890921656?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7446986299890921656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7446986299890921656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7446986299890921656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7446986299890921656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/jose-cid.html' title='José Cid'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4j6bPNB9I/AAAAAAAABx8/o-31qkAwCKc/s72-c/cid.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-2250864356613756854</id><published>2007-09-13T12:07:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T10:44:25.601-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Francisco Moita Flores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSD'/><title type='text'>Francisco Moita Flores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4k3kbhsRI/AAAAAAAAByE/t2nzIb6BAyw/s1600/moita+flores.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489365532901749010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4k3kbhsRI/AAAAAAAAByE/t2nzIb6BAyw/s400/moita+flores.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"PSD pode acabar do tamanho do Bloco de Esquerda"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gastou o dia apassear pelas feiras e romarias de Santarém. Francisco Moita Flores, 54 anos, escolheu viver ali; as pessoas escolheram ser conduzidas por ele. Só no fim dos seus deveres de autarca, atende o telefone. Escritor e investigador responde em 29 minutos fazendo sempre a apologia da terra.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 17 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já lhe aconteceu ver a sua vida no cinema?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cenas da minha vida talvez, mas a minha vida não. Acontece-me ver policiais e pensar: isto já me aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que episódio da vida nacional gostaria de adaptar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há vários. Gostaria muito de fazer uma série sobre crianças desaparecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vai realizar em Setembro o primeiro festival de making-offs do mundo. De onde veio a ideia?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;De um realizador amigo, Jorge Paixão da Costa. O Francisco Bravo Ferreira (produtor) deu-lhe corpo. No mundo há muitos festivais de cinema a mostrar o produto final e nenhum a mostrar as entranhas. Daí ter apadrinhado a ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Santarém é o melhor palco para esse festival?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o melhor palco do país para qualquer iniciativa de índole cultural, porque está perto de tudo. Só alguma distracção leva as pessoas a não perceberem isso. E as pessoas andam tão distraídas que até fizeram a ponte de Benavente para que as pessoas que vão do Norte para o Algarve passem o Tejo. É justamente para que essa distracção não continue que estamos a dar este impulso a Santarém, transformando-o num pólo cultural e turístico. Num ponto de encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do ponto de vista da receptividade do seu trabalho, pensa mais nos leitores ou nas audiências televisivas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Os livros estão no livre arbítrio dos leitores. Daí ser muito saboroso saber que sou lido. O meu último livro, “A fúria das vinhas”, que saiu em Abril já vai na sétima edição. Do ponto de vista da televisão, o problema é saber que um tem que agradar a todos sem perder o sentido de dignidade da ficção. Preocupa-me esse equilíbrio, que não é fácil de conseguir, sobretudo porque é um jogo interno muito forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os nus que aparecem nas suas séries são uma cedência para obter audiências ou uma inevitabilidade para ser fiel à história?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Escrevi duas séries hardcore muito perto uma da outra. Séries audazes – Ballet Rose e Capitão Roby – que tinham nus e sexo, e outras séries – João Semana, Ferreirinha – onde isso não existia. Admito que alguma inveja e despeito possam ter criado essa ideia, que não corresponde de todo à verdade. Não tenho nenhum apetite especial por isso, embora também não tenha nenhum preconceito em relação a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O ICAM ainda funciona ou está moribundo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo o que se diz do ICAM, tem sido a sorte e o principal veículo da produção e da ficção portuguesa, principalmente cinema. Conheço essa história da lei de televisão há 30 anos: não há nenhuma lei da televisão e cinema que não seja posta em causa, que não suscite críticas. Mas, o que é certo, é que se formos a avaliar o passado do nosso país em termos de produção, devemo-lo a televisão e ao ICAM. Nunca tivemos produtores privados interessados em desenvolver esta indústria. E daí que não faça parta da galeria dos críticos eternos. O ICAM tem tido um papel, com os seus defeitos e erros, importantíssimo na nossa vida pública. Não o vejo como o pior dos instrumentos; vejo-o como fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não teria sido o escritor que é hoje se não tivesse sido polícia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Posso dizer que as experiências vividas e os olhos com que vi o mundo são outros diferentes do cidadão comum. Obriga-nos a controlar a emoção e, ao mesmo tempo, a distanciar-nos dela. E a ser testemunha dos limites do sofrimento, da tragédia. Esse olhar é decisivo na medida como entendo o outro, a escrita, os leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escrever é, também, uma forma de fazer justiça?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não tenho essa visão justiceira da minha escrita. Preocupo-me com a memória, com o que é importante retermos e sobretudo com o que é importante não esquecermos. Não acerto contas com ninguém, nem com o passado, nem com a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O segredo de justiça, em Portugal, é uma espécie de Pai-Natal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O segredo de justiça em Portugal é muito mal tratado, mas também nunca houve vontade de o tratar bem. Não sendo o pai natal, é um instrumento jurídico que há muito deveria ter sido repensado. Temos o exemplo do caso Madeleine a demonstrar que era preciso repensar todos os mecanismos da sociedade e a forma como as polícias se relacionam com os media. Colaborei na primeira tentativa de o fazer com os “Casos de polícia”, mas não estávamos preparados para isso. Temos ainda uma mentalidade muito corporativista. É preciso coragem para discutir o segredo de justiça porque não faz sentido estar como está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tendo saído da Polícia Judiciária, como justifica que seja a pessoa mais solicitada para comentar o caso Maddie?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não sou seguramente. Nos momentos cruciais do caso estive fora. Quando rebentou estava na Grécia, e na segunda vaga de informação estava na Madeira. Só esta semana apareci mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas comentá-lo significa que não consegue desvincular-se do que já foi?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Houve alguém que, de forma muito infeliz, disse que era ridículo um presidente de Câmara comentar isto. Mas eu estou autarca; não sou autarca. É um estado que deixará de existir daqui por uns tempos. Vou continuar ligado aos meus estudos, à minha vida, e não faço intenção nenhuma de ignorar a realidade do ponto de vista do estudo, da avaliação, da medição dos problemas, porque um dia vou voltar à minha vida. Não sou um desses presidentes de Câmara, como temos por aí muitos, que ficam até que as morte os leve. A minha vida é ajudar, investigar. Ser autarca é apenas um contributo de cidadania durante um período da minha vida. Não sou político profissional, nem quero sê-lo. Acompanho estes casos com muita atenção porque são parte do passado mas também do futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está chocado com os títulos que têm saído na imprensa sobre o caso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A comunicação social inglesa perdeu definitivamente a cabeça. Há ali um ataque de histerismo colectivo que pôs em causa todos os mitos e todos os lugares comuns, nomeadamente o dos jornais ditos de referência. Não são referência de nada, estão comprometidos ideologicamente como os outros. O que se tem dito, sobretudo os jornais ingleses, é uma coisa perfeitamente inacreditável. Sobretudo quando há aqui um paradoxo: sabe-se que a polícia inglesa tem tido uma colaboração e uma dedicação extremas em relação à investigação. Suponho que os próprios polícias não estejam nada satisfeitos com esta mixórdia que tem saído e que não leva a nada a não ser a vender papel. Não informa, não diz a verdade, mente, manipula. Já não me magoa porque já tinha assistido a coisas destas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Posso perguntar-lhe qual é a sua convicção em relação ao desfecho deste caso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pode. Mas eu não posso responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destronou o PS em Santarém. O PSD é hoje o partido mais próximo da sua família política?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nunca derrotei o PS. Isso é uma forma de representar o poder local na qual eu não acredito. Uma das instituições que mais precisa de ser revista, e não é apenas com a lei das finanças locais, é o poder local. Está decadente, com grandes dificuldades, completamente amarrado de pés e mãos, não só à partidarite, como a visões excessivamente concentradas e agarradas às visões centralistas. O poder local tem que estar liberto dos aparelhos dos partidos e atento e próximo da região. Isso, na maioria das vezes, é completamente subjugado às estratégias nacionais dos partidos. É doloroso para as populações viver com este estado de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está desiludido com a vida política portuguesa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muito desiludido. Agradeço ter ganho as eleições porque vivi uma experiência única na minha vida, que é ter a capacidade, que nunca tive, de poder ajudar as pessoas de perto. Só o poder local tem esta capacidade. Há injustiças e dramas humanos que nos revoltam, que nos colocam perante um mundo de sofrimentos, de angústias que vão muito para além do que é a retórica formal dos partidos. Portanto, nem o PS perdeu, nem o PSD ganhou. Quem perdeu foi o grupo de pessoas que aqui estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem defenderia para o PSD: Mendes ou Menezes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O PSD tem que mudar drasticamente. Está a viver uma das maiores crises da sua existência e corre o risco, se não parar, de acabar do tamanho do Bloco de Esquerda. Se o PSD tivesse caído, mas víssemos o CDS ou outro partido subir havia outro tipo de expectativa em relação a mudanças no estado de coisas. Mas isso não se verifica. Nem o PSD consegue responder à política desastrosa deste Governo em relação ao que são os direitos fundamentais das pessoas, como estamos aqui entalados. Aliás, as eleições à Câmara de Lisboa mostram isso na sua plenitude: por mais discursos que haja ninguém consegue mudar a política. A chegada, e mesmo a valentia, de Menezes, que fala e protesta, são saudáveis e interessantes neste confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Será com ele que isto vai mudar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Mas gosto que tenha assumido essa posição de coerência e maior percepção do problema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-2250864356613756854?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/2250864356613756854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=2250864356613756854' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2250864356613756854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2250864356613756854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/francisco-moita-flores.html' title='Francisco Moita Flores'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4k3kbhsRI/AAAAAAAAByE/t2nzIb6BAyw/s72-c/moita+flores.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-1685764435790148684</id><published>2007-09-13T12:06:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T10:47:44.697-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel Ângelo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Delfins'/><title type='text'>Miguel Ângelo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4lm4AtpZI/AAAAAAAAByM/hvYRnXZ3VdM/s1600/miguel+angelo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489366345611847058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 169px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4lm4AtpZI/AAAAAAAAByM/hvYRnXZ3VdM/s400/miguel+angelo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Só em Portugal uns gozam com o sotaque dos outros"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aproveitou a boleia dos concertos a Norte para fazer escala no festival de Paredes de Coura. Não foi exactamente um acaso. Miguel Ângelo, pouco mais de 40 anos, agenda os seus concertos em função daqueles aos quer assistir. E queria muito ver Pete Doherty, ex-namorado britânico de Kate Moss. O vocalista dos Delfins não passou invisível no Minho.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 16 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem um chapéu igual ao do Pete Doherty. Veio a Paredes de Coura só para ver o vocalista dos Babyshambles?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A aba do meu chapéu é mais curta [risos]. Mas sim, vim só por causa dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que há de comum entre os dois?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se calhar, uma paixão por uma cultura inglesa que vem muito dos anos 70 e que tem a ver com a onda Mod. Tem a ver com uma música intemporal. E não é só a música, é a atitude: as roupas, o design, a pintura, os vídeos. Um imaginário muito rico que hoje se espalhou por todo o mundo. Em Portugal, por estranho que pareça, está a crescer também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ia perguntar-lhe justamente se continua a ser fã dessa cultura Mod?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro. E é engraçado porque enquanto estava no jazz na relva à espera do concerto dos Babyshambles encontrei vários adolescentes fãs dessa cultura, e acabámos a trocar contactos para organizar em Outubro talvez a primeira festa de Mod a sério na cidade do Porto. Já houve algumas em Lisboa, mas no Porto penso que ainda não. Ainda são festas elititas, não são para grandes multidões. São para quem partilha os mesmos ideais, os discos de vinil e as mesmas ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Continua a comprar vinis?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, sim. O novo disco dos Delfins será editado com uma edição limitada de 500 exemplares em vinil, em meados de Setembro. Nesta altura em que o digital banalizou tanto as canções com o formato MP3, o vinil acaba por ser um tesouro para os coleccionadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Continua a marcar as suas férias em função dos concertos que quer ver?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, claro. Dos concertos que quero ver ou dos concertos que faço. Consegui vir a Paredes de Coura porque tive vários concertos no norte e acabei por ficar cá. E agora vou uma semana de férias para o Algarve porque vou actuar em Monte Gordo. Acabo por ser um escravo da minha actividade. Mas eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que leva a alguém a aprender a tocar guitarra aos 40 anos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Querer ser ind(i)ependente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ao fim de quase 25 anos, como é que os elementos dos Delfins ainda conseguem aturar-se?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando entramos na carrinha, quando estamos a jantar, quando estamos em palco continuamos a ter a mesma idade. Às vezes, o problema é só mesmo nos intervalos, porque as pessoas acabam por ter modos de vida diferentes e diferentes opções estéticas. Mas a magia da sala de ensaios, da garagem, continua a acontecer nos nossos palcos. E enquanto isso acontecer vamos continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Delfins transformaram-se no alvo preferencial do humor em Portugal. Como lida com esse estigma?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso foi despoletado por dois ou três tipos do stand up comedy e depois acabou por pegar moda. Neste momento, até já está a ser um bocadinho invertido. É aquela história dos diários de Andy Warhol, não é? É melhor ser falado do que não ser. E nós continuamos a fazer muitos espectáculos ao vivo e a viver muito dessa actividade e a ser muito alimentados pelo apoio que recebemos. Portanto, isso para nós acaba por ser um fait-diver, porque eu sei que os humoristas precisam de material para actuarem. Não posso nunca levar isso a mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há quem idolatre as letras e quem não as suporte. Como gere esse confronto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu próprio sou fã de música e tenho essa atitude em relação a muitas bandas. Aqui, em Coura, por exemplo, vi concertos com algum preconceito e gostei; outros, vi-os com expectativa e detestei. Portanto, eu sei o que é levar as coisas a peito. A nossa actividade e arte em geral vive das pessoas que levam as coisas a peito. Não me interessa muito o lado racional. Não levo nada a mal pessoas que odeiam ou as pessoas que gostam. Aliás, já tenho falado com muitas pessoas que odeiam e acabamos a beber um copo juntos e a perceber que afinal temos gostos comuns. O que torna esta área diferente da economia é que realmente as pessoas levam as coisas a peito e agem um bocadinho irracionalmente. Gosto disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tendo apurado gosto musical como explica que muitas das suas canções não acompanhem esse critério de gosto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre houve um sentido de globalização nos Delfins, quase como um dever de profissionalização em relação a ter uma actividade profissional neste país, fazendo uma música de que não nos envergonhemos, que gostamos e que queremos que chegue a mais algum lado. Sempre recusamos ter a música como segunda actividade, o que é muito comum em Portugal. Há músicos que têm a sua profissão e depois dizem que se sentem livres para comporem o que entenderem. Sempre fomos contra isso. Eu penso a música como um sentido apurado de trabalho ao longo dos anos e que só é possível com dedicação a tempo inteiro. Somos dos poucos, em Portugal, ainda apaixonados pela canção pop. Os Delfins têm feito isso com óptimos resultados. Em canções como "A baía de Cascais" ou "Lugar ao sol" que duram há mais de 20 anos, pode questionar-se o valor de gosto de alguém que diz que é mau, mas nunca o valor da canção como estrutura que ficou na História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tendo aderido a dada altura ao punk, por que nunca perdeu o visual de menino da linha de Cascais?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Alguém se referiu ao Pete Doherty como um "betinho com ar drogado". Achei piada. A grande lição de final do século XX é que o importante são as ideias, não a estética. Em Cascais sempre houve uma grande rivalidade entre o betinhos da Cascais – nós - e os da Av. de Roma - os Xutos. Mas isso só existe nesse eixo. No Porto nunca nos chamaram betinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entre o músico e o escritos onde fica a pessoa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No limbo. Mas como o limbo já foi anulado pelo Vaticano, neste momento, se calhar, fica no hiper espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que usa pseudónimos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, nos livros e on-line. Termos algum sentido de esquizofrenia liberta-nos para podermos assumir várias máscaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que leva uma câmara de filmar para onde quer que vá?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É. Tenho coisas publicadas online, filmes montados e realizafos por mim, muito na óptica do documentário e nunca da curta-metragem. Tem sobretudo a ver com concertos dos Delfins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Olhando para trás, preferia não ter feito o genérico do Big Brother ou ter apresentado as cantigas da rua?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aprendemos com os erros. Se calhar, algumas dessas coisas foram comunicadas deficientemente e passaram uma imagem errada. Em Portugal, que é um país pequeno e o único onde as pessoas gozam umas com o sotaque umas das outras - isso não acontece na Alemanha ou em Inglaterra -, há um certo tipo de atitudes, que têm a ver com conceitos mais populares, que podem ser lesivas para a imagem. Não é por isso que deixo de fazer as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É o seu lado de actor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim adopto a parte esquizofrénica do nick name e resolvo estes problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Também está à espera do Iphone?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. De todo. Houve uma altura da minha vida em que era viciado em gadgets; hoje tenho quase atitude de repulsa e quero fazer as coisas da forma mais orgânica possível. Aliás, este disco dos Delfins foi gravado num estúdio dos anos 70, com válvulas, com pessoas reais a tocar instrumentos de madeira. O progresso está a levar-nos a descobrir a essência das coisas, e os gadgets são um entretenimento de que me tenho afastado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-1685764435790148684?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/1685764435790148684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=1685764435790148684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/1685764435790148684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/1685764435790148684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/miguel-angelo.html' title='Miguel Ângelo'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4lm4AtpZI/AAAAAAAAByM/hvYRnXZ3VdM/s72-c/miguel+angelo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-6495649937488726665</id><published>2007-09-13T12:05:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T10:53:14.812-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Cardoso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Nuno Cardoso</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4mesrYFGI/AAAAAAAAByU/t43MtL6Mu_Y/s1600/nuno_cardoso.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489367304642237538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4mesrYFGI/AAAAAAAAByU/t43MtL6Mu_Y/s400/nuno_cardoso.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Um tacho nunca deixou ninguém mais pobre"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Chega a Campanhã, muito depois da meia-noite, num comboio vindo de Lisboa. Guarda 25 minutos para a entrevista, antes de entrar em casa.Responde com golos de licor de framboesa. Nuno Cardoso, 36 anos, passou de encenador-promessa a freelancer. Se correr bem, no fim do ano, encenará "Platonov", de Tchekhov.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 15 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demitiu-se do Teatro Nacional S. João (TNSJ) ou deixou de haver lugar para si?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Basicamente, demiti-me. Não tanto porque não havia lugar para mim, mas porque dez anos é muito tempo. Precisava seguir em frente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Passa a ser freelancer?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esse anglicanismo é uma maneira simpática de dizer que sou um gajo que tem que se desenrascar. Era tido como o protegido de Ricardo Pais [director do TNSJ).&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ficou sozinho agora?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nunca fui seu protegido. Admiro muito o trabalho dele. E por mais sorrisos amarelos que isso possa produzir, ele deixa um legado discutível – como o são todos –, mas importante para o Porto. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Deixará de encenar no Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Nem de encenar, nem de viver. Em princípio, para o ano vou fazer o Platonov, no Porto. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sente que perdeu um tacho?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um tacho nunca deixou ninguém mais pobre [risos]. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Também era protegido da crítica. Mas na sua última encenação, "Ricardo II", pela primeira vez, ela não foi unânime. Como lidou com isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lidei bem. Foi uma espécie de empate técnico: duas muito boas e duas muito más. Já estava à espera. O tipo de proposta era complexa. Tinha virtudes e defeitos e, além disso, estava consciente de que apresentar a peça na conjuntura em que a apresentei abriria espaço a juízos de valor que não têm propriamente a ver com a arte. O que não significa que não ache que as pessoas que fizeram más críticas não tenham o direito de achar aquilo. Mas eu também tenho todo o direito de não lhes prestar atenção nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer dizer que consegue convencer o Porto, mas não Lisboa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Acho que convenci Lisboa, e bem. Acho que "Ricardo II" é um trabalho do caraças. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É o que são as suas encenações?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Um trágico?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As minhas encenações não são trágicas; são cínicas. E, infelizmente, também um bocadinho blazé porque, se calhar, fico encadeado com o exercício de inteligência quando não sou tão inteligente quanto isso.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O TNSJ é apontado como um dos vértices do triângulo que se completa com o Museu de Serralves e a Casa da Música. Imagina-o a completar-se agora com o Teatro Rivoli e o Cinema Batalha?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não. É um bocadinho a Alice no outro lado do espelho. Nem acho que haja sequer esse triângulo. Acho que são três instituições muito fortes, cada qual delas direccionada para um sentido do que é um equipa cultural. Não vislumbro qualquer sentido, enquanto equipamento cultural, no Batalha. E o Rivoli é o refém de um terrorista que precisa de ser resgatado sem se negociar com o terrorista. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem inveja das regalias de Filipe La Féria no Rivoli?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não. Tenho inveja de uma vida transparente ou de uma situação que seja explicável. O Rivoli é uma nuvem cinzenta. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Seria capaz de encenar um musical para rivalizar com La Féria?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seria. Aliás, tenho um projecto para isso. É baseado no evangelho e será desenvolvido com os bairros da cidade do Porto. Quero estreá-lo no Natal de 2008. É com não actores e não cantores e leia-se disso o que bem se entender. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quer fazer um musical só por La Féria estar no Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Quero fazer um musical porque é um género fantástico e porque me irrita esta maneira de conduzir a vida pública, em qualquer que seja o seu sentido, que está a apoucar uma cidade tão grande como o Porto. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Já foi ver "Jesus Cristo Superstar"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, mas vou ver. O facto de achar que aquele musical não devia ser feito no Rivoli, de achar que aquilo que está a acontecer ao Rivoli é profundamente errado, de achar que toda a situação e todos os intervenientes na situação estão profundamente errados e que há ali qualquer coisa de muito mau e anti civilizacional não significa que julgue mal uma coisa que ainda não vi. Quero ver. Quero aprender. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O formato das cidades capitais de cultura seduzem-no?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;As capitais são, pelos vistos, avisos de morte. São como uma marca que se cola a dizer: "Bom dia, você vai ser capital da cultura. Em breve, vai morrer". Veja-se o Porto e Coimbra. Resta saber se, também em Guimarães, vai servir o ressurgimento de uma cultura da desgraça para os revanchistas virem ao de cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que peça escolheria para caracterizar a actual condução política no Porto?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não consigo encontrar uma peça tão sinistra.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"Uma pessoa define-se pelas suas batalhas"?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claro. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quais são as suas?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tentar ser o mais honesto possível nas encenações e nos trabalhos de actor que faço. Não seguir as ideias feitas, nem entrar em clubites. Portugal é um país que vive muito de clubites: ou estás comigo ou estás contra mim. Esses clubes foram definidos quando ainda eu tinha quatro, cinco anos. Não tenho nada a ver com eles. Só tinha três anos quando começou o 25 de Abril e quando os senhores que estão no poder escolheram o seus clubes e as suas divisões. A minha grande luta é continuar a trabalhar. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há em si um lado feminino que o leva a curar as neuroses nas compras?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não sou uma 'fashion victim', mas gosto muito de ir às compras. E de criadores com Paul Smith ou Dries Van Noten. Vivo bem com os paradoxos. Não me importo de dizer que sou consumista, sou; que sofro muita influência da publicidade, sofro. Tenho essa consciência; já não é mau.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É egocêntrico?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sou. Tive um professor que disse que o meu ego é maior do que a bola de praia da Figueira da Foz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É um backpacker ou um turista de resort?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Viajo sempre de mochila às costas. Às vezes, não preciso sair do sítio para viajar - a viagem é um estado, não são os quilómetros; outras vezes, preciso ir para o outro lado do mundo para perceber o quão eurocêntrico sou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É a estrela de Canas de Senhorim?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não. Isso é uma sobranceria. A estrela é Alfredo Keil, que escreveu "A portuguesa".&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Participou nas lutas de Canas a concelho?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já não vivia lá. Mas agora estou preocupado com o fecho da Casa do Pessoal, onde comecei a ver cinema.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Qual é o ícone televisivo da sua infância?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se há símbolo é o Vasco Granja. Não tinha paciência para os desenhos polacos e os russos, mas esperava para ver o Coyote e o Beep Beep. Há um ditado taoísta que diz: "A juventude é mal empregada nos jovens". Se calhar, a infância é o ponto de nostalgia dos crescidos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na literatura, mantém a ficção científica como género predilecto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, sou completamente fascinado pela ficção fantástica e científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E no cinema?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No cinema, tenho um fraquinho por westerns. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ficou no 2º ano de Direito. Quando percebeu que não queria ser advogado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na primeira aula, quando um professor disse: "Vocês são a elite do país. Espero que se comportem como tal". Descobri que não gostava daquele sítio. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Coimbra foi a sua perdição?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foram anos úteis e inúteis. Foram anos de fractura. Coimbra não me deu estudos académicos, nem eu contribuí nada para academia ou para Coimbra. Mas foi lá que aprendi que nada é para sempre. E que, depois de as coisas acabarem, ainda há mais vida para viver. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-6495649937488726665?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/6495649937488726665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=6495649937488726665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6495649937488726665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6495649937488726665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/nuno-cardoso.html' title='Nuno Cardoso'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4mesrYFGI/AAAAAAAAByU/t43MtL6Mu_Y/s72-c/nuno_cardoso.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-2524163553752625379</id><published>2007-09-13T12:04:00.002-07:00</published><updated>2010-07-02T10:55:09.062-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alfredo Barroso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Alfredo Barroso</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4nqJPIIbI/AAAAAAAAByc/H5B1LzVbDng/s1600/barroso1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489368600798568882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 163px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4nqJPIIbI/AAAAAAAAByc/H5B1LzVbDng/s400/barroso1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"A Direita dos interesses rejubila e o país amocha"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Propositadamente, as perguntas são-lhe enviadas por mail com um dia de atraso para que possa responder depois do jogo da Supertaça. É sportinguista e ganhou. Bem humorado, Alfredo Barroso, 62 anos, jornalista e advogado, braço direito de Mário Soares, analisa o estado da nação sem subterfúgios.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 14 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um sportinguista interpreta o jogo da Supertaça FC Porto-Sporting como uma reposição da verdade desportiva?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos que correm, a verdade desportiva anda muito por baixo, como se sabe. O Sporting terá sido prejudicado no campeonato e o FC Porto na Supertaça. Se pudesse escolher, teria preferido que o Sporting fosse campeão. Como não posso, consola-me que a Taça de Portugal e a Supertaça morem em Alvalade. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Prefere ver o seu Sporting no estádio, na mesa do café ou ouvir o relato na rádio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há muito que prefiro ver a bola sentado num sofá lá de casa. É mais fácil dormir quando o jogo se torna chato e sensaborão, com poucos ou nenhuns golos. O futebol está cada vez mais industrializado e tecnocrático e cada vez e menos interessante. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Paulo Bento é o «special one» do Sporting?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não é, e ainda bem. O «special one» é um sobreexcitado e o Paulo Bento prefere treinar «com toda a tranquilidade». O Ricardo Araújo Pereira, que é «lampião», topou-o bem. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Simpatizava com Jesualdo Ferreira. Mudou de opinião desde que ele está a treinar o FCP?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Simpatizava, sim. Até escrevi algumas crónicas a elogiá-lo, no «DN». Mas parece-me que a arrogância lhe subiu à cabeça, quando passou a treinar o FCP. Não me agrada a forma como se refere a alguns adversários domésticos. Devia deixar esse «dirty job» para o especialista da casa, que é o presidente vitalício do clube. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Nasceu em Roma. O que há em si de italiano?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sem dúvida o facto de ser filho de uma italiana. E o apelido Somera, que, por acaso, até é de origem espanhola. Talvez também a paixão pela ópera, apesar da minha melomania ter sido mais influenciada por alguns portugueses. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tem saudades da tertúlia «Os vencidos da vida», que partilhava com António Barreto e António-Pedro de Vasconcelos? Qual a razão do nome?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Saudades não tenho. Mas as melhores referências até eram o Vasco Pulido Valente e o médico João Paulo Amorim, que já morreu. E não éramos nós que nos designávamos assim. Seria pretensioso fazê-lo. Eça, Ramalho e Antero são únicos e irrepetíveis. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É melómano. Ainda faz campeonatos com os amigos para ver quem tem mais cd’s?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca fiz campeonatos desses com os amigos. Gostava era de ir comprar discos com alguns deles. E é verdade que, no princípio, comprávamos cd’s às cabazadas, seguindo o guia da Penguin elaborado por especialistas da revista Gramophone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando terminou (se é que terminou) a sua fase rock, altura em que frequentava a discoteca lisboeta Ad Lib?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Poucas vezes fui ao Ad Lib. A boîte (assim se dizia in illo tempore) que mais frequentei foi a Stones. Para já não falar do Caruncho, onde ia abanar o capacete e beber um copo nos tempos do liceu e da faculdade. Ainda conservo uma pequena discoteca de música pop, completamente esmagada, é verdade, pela discoteca de música erudita. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Nunca o confundem com Alfredo Barroso, o histórico autarca do Redondo, banido pelo PCP?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Aconteceu uma vez, quando ele ainda era do PCP, a propósito de um abaixo-assinado sobre o Alqueva publicado nos jornais. Ele assinou e eu fui notícia. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que televisão - pública e privada - temos hoje, uma década depois de ter publicado «A televisão que temos» (Contexto, 1995)?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A televisão generalista que descrevi nessas crónicas, a TQT, não mudou quase nada, nós é que nos habituámos a quase tudo. Como dizia o poeta, «estamos nus e gramamos». &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Numa altura em que a ficção nacional parece querer ganhar espaço televisivo, defende que deve haver mais pudor na adaptação das obras de escritores como Camilo («Paixões Proibidas») ou Eça («O Crime do Padre Amaro»), ou esse pode ser um dos caminhos para despertar, nas pessoas que habitualmente não lêem, curiosidade sobre autores portugueses?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Duvido muito que desperte. É como a história dos «Três Tenores». Também diziam que era para despertar interesse pela ópera, mas apenas serviu para um Pavarotti decadente ganhar pipas de massa. De resto, não sou, nem quero ser, censor do gosto e só posso lamentar que algumas adaptações sejam abaixo de cão. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;São vagamente conhecidas as suas zangas com Mário Soares, na altura em que era chefe da Casa Civil do Presidente da República. Qual dos dois era o osso mais difícil de roer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de mais de trinta anos de estreita colaboração política, alguns atritos pessoais eram inevitáveis. Foram zangas, como diz, e não braços-de-ferro de roer os ossos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Foi, apesar de tudo, uma das pessoas a tentar demovê-lo de se candidatar às últimas presidenciais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tentei demovê-lo, nem tentei empurrá-lo. Achava que ele não devia candidatar-se, mas nunca lho disse, por considerar que eu não tinha esse direito e que lhe cabia a ele tomar uma decisão. É um assunto arrumado, do qual só guardo más recordações. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que leitura fez do país no dia da derrota?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A leitura óbvia: a de um país cujo eleitorado confirmava uma clara viragem à direita. Grande equívoco tinha sido considerar a vitória do engenheiro Sócrates nas eleições legislativas como uma vitória da esquerda. Era bom que fosse, mas não foi. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Continua a ser contra a regionalização?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro que sim. Mantêm-se de pé todas as razões de fundo que a desaconselham. Desde logo, a total incapacidade do poder político para descentralizar e desconcentrar. É por isso que prefere regionalizar, ou seja, retalhar para centralizar em miniatura. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Essa «esquerda moderna, que se diz muito amiga dos pobres, mas prefere deitar-se com os ricos» (&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://xn--sorumbtico-x4a.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;http://xn--sorumbtico-x4a.blogspot.com/&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;) está a conduzir o país para onde?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Está a conduzir um país resignado e sem alternativas credíveis para patamares de maior desigualdade e precariedade. A direita dos interesses rejubila, obviamente. E o país anónimo refila, mas amocha. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Irrita-o exactamente o quê em José Sócrates?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já não tenho idade para me irritar. Apenas lamento que o PS seja hoje um instrumento de defesa dos grandes interesses financeiros e de empobrecimento da classe média e dos trabalhadores em geral. Quando vemos um avocat d’affaires como José Miguel Júdice a teorizar sobre a «esquerda moderna», está tudo dito sobre o estado actual do PS. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quer explicar-me o que diz ser «a técnica da banda gástrica», que o Governo está a aplicar ao País?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dantes, em períodos de crise económica, os trabalhadores tinham de apertar o cinto mas mantinham a esperança de vir a desapertá-lo. Hoje, o objectivo é apertar o estômago dos trabalhadores para que eles se desabituem de querer comer mais no futuro. Só ao capital financeiro é permitido comer à tripa forra e engordar sem limites. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ao fim de 20 anos de colaboração no DN, e de nove no Expresso, foi «varrido». Foi um divórcio de comum acordo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Regra geral, os cronistas convidados não se casam com os jornais. Ficam dependentes das «opções editorais» das suas direcções. Não as contesto, mas devo interpretá-las. E concluo que sou politicamente incorrecto e incómodo para os poderes do dia. Além de ter manifesta vocação para a dissidência. O facto de ter tido escandalosamente razão no que escrevi contra a guerra do Iraque e contra os Governos do engenheiro Guterres, foi um precedente que me tramou numa imprensa dirigida por «cristãos novos». &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Acabou a liberdade de imprensa em Portugal?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claro que não. Mas é evidente que quase todos os órgãos de comunicação social estão ideologicamente alinhados e controlados pela direita. Há alguns esquerdistas de serviço, que funcionam como uma espécie de «idiotas úteis» e «avalistas» nos jornais de direita. Mas os desalinhados e os dissidentes são banidos e marginalizados. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-2524163553752625379?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/2524163553752625379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=2524163553752625379' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2524163553752625379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2524163553752625379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/alfredo-barroso.html' title='Alfredo Barroso'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4nqJPIIbI/AAAAAAAAByc/H5B1LzVbDng/s72-c/barroso1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-5868926358503086452</id><published>2007-09-13T12:04:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T10:55:53.951-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Eduardo Agualusa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>José Eduardo Agualusa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumTRk0xEEI/AAAAAAAAAao/gzrm2nFUg0A/s1600-h/agualusa1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109777182380593218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumTRk0xEEI/AAAAAAAAAao/gzrm2nFUg0A/s400/agualusa1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Não sinto necessidade&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;de escrever como de fazer amor"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi mais difícil encontrá-lo do que obter a entrevista. Mesmo se a internet engoliu o primeiro mail, e o segundo, que José Eduardo Agualusa, 46 anos, enviou com as respostas. “Há uma maldição qualquer”, justificou o escritor angolano, cujo ADN está nas viagens. “Sou o homem mais feliz que conheço”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 13 de Agosto na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na Internet encontram-se quase tantas referências aos seus livros como à sua beleza física. Também acha que tem “pinta de galã de novela” e que isso contribuirá para o seu sucesso de vendas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acredito que a beleza possa ser importante para a carreira de um actor, ou até de um músico popular, mas parece-me irrelevante para a forma como um escritor é recebido pelos seus leitores. Nem sequer conheço a cara de alguns dos meus escritores preferidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Venceu o Independent Foreign Fiction Prize 2007. Isso transformou-o?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Transformou a forma como os meus livros passaram a ser recebidos no estrangeiro e quando digo estrangeiro refiro-me ao espaço das outras línguas. Os livros começaram a vender mais em Inglaterra e houve mais solicitações para traduções, além de que passaram a pagar-me valores bastante mais elevados como adiantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O livro que se escreve depois de um prémio literário desta importância é mais seguro ou acontece-lhe o contrário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Deixa-me indiferente. Talvez o Nobel não deixe. A verdade é que não penso nisso enquanto escrevo. Evidentemente agrada-me muito receber prémios, e também ter muitos leitores. Mas enquanto escrevo penso sobretudo naquelas pessoas que me são mais próximas, ou num ou noutro crítico que eu respeito mais. O resto é o prazer da escrita. A alegria que me dá descobrir outros universos. O jogo em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Valoriza mais a sua prodigiosa imaginação ou a capacidade de ser ágil e sagaz na escrita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Imaginação parece-me essencial neste ofício, e inteligência também. Faço um grande esforço para conseguir que aquilo que escrevo manifeste alguma elegância. Elegância tem a ver com simplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São sempre os livros que nos escrevem ou isso é só uma posição em que os escritores gostam de se colocar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bem sei que parece uma frase de efeito, além do mais bastante batida, mas pelo menos no que me diz respeito corresponde à verdade. Não sei nunca aonde um romance me vai conduzir e isso é sempre o mais fascinante. É um exercício de descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O clímax de um livro [que se escreve] atinge-se aquando do de uma viagem: no fim?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim. No momento em que os fios se começam a amarrar, num movimento quase mágico, isso é um arrebatamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível justificar racionalmente a necessidade absoluta de escrever?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca senti a necessidade absoluta de escrever – como de comer, ou de fazer amor. Escrever é quase sempre um prazer enorme, mas não uma urgência, ou uma angústia como imagino que seja um cigarro para um fumador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para quem nunca leu os seus livros, as crónicas, nomeadamente as do ‘Público’, são o seu melhor cartão de apresentação? Ou, como Lobo Antunes, escreve-as sem lhes dar grande importância?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O António tem razão. As crónicas têm uma importância relativa. No meu caso servem-me de exercício, escrevo crónicas como quem toma notas que mais tarde posso retomar para escrever um conto ou um romance. As minhas crónicas têm como título Fronteiras Perdidas precisamente porque se situam num espaço ambíguo, entre a crónica clássica, o artigo de opinião, e o pequeno conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dizer-se afro-luso-brasileiro é a sua melhor definição de nacionalidade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não simpatizo com a ideia de nações nem com fronteiras. Sou um não-nacionalista. Ou um anacionalista. Acho que o nacionalismo conduz quase sempre ao ódio ao outro, ao desprezo pelo outro, quando, afinal de contas, o outro somos sempre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A nossa identidade está na biologia ou nas escolhas que fazemos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nas escolhas. Nos caminhos que percorremos. A identidade constrói-se caminhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua a realidade é quase sempre mais inverosímil do que a ficção. Isso quer dizer que se nasce escritor?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quer dizer que também não reconheço fronteiras a separar a realidade do maravilhoso. A realidade é sempre maravilhosa, podemos é estar distraídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acredita, como Zumbi ["O ano em que Zumbi tomou o rio", 2002], que o Brasil ainda não se descolonizou?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Num certo sentido precisa completar essa descolonização. Isto é, seria importante que todos os brasileiros tivessem o mesmo acesso ao poder, o que não acontece ainda com as populações indígenas e de origem africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que Portugal há hoje em Angola que não o do usurpador que colonizou?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A língua, evidentemente; o catolicismo, o futebol, o gosto pelo bacalhau e pela má-língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A qualidade da cultura depende sempre da situação económica do país?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depende disso e do investimento na educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha mesmo que "os escritores portugueses são todos terrivelmente melancólicos"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que há alguns com muito bom humor. Poderia começar por citar o meu escritor favorito, o Eça de Queirós, ou um dos seus melhores amigos, o Ramalho Ortigão. O Almada também não era melancólico – mas era santomense. E o Gonçalo M. Tavares tem livros divertidíssimos – bem, é certo que nasceu em Luanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não gosta de Saramago porque ele é ‘niilista e pessimista’ ou não aprecia mesmo o modo de escrever do Nobel?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Saramago é um grande escritor. Pode-se ser pessimista, que é quase sempre uma forma de se ser reaccionário, sendo-se um grande escritor. Borges era um reaccionário e é um escritor que me marcou muito, e que releio frequentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rubem Fonseca, García Marquez e Bruce Chatwin ainda são a sua santíssima trindade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Esqueceu-se do Eça, do Borges, do Nabokov, do Fernando Pessoa. E há outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se pudesse ir de férias com Jorge Luís Borges para onde iriam os dois?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Borges está morto. Não me agrada nada a ideia de viajar com um cadáver na bagagem. Mesmo que estivesse vivo não o escolheria como companheiro de viagem. Preferia muito mais viajar com a Agustina, que é uma pessoa muito divertida. Ou com o Rubem Fonseca. Mas se tivesse de viajar com um escritor escolheria um grande amigo: o Mia Couto. Ou o Pedro Rosa Mendes, ou o Francisco José Viegas, ambos extraordinários viajantes, e que em qualquer parte do mundo sabem sempre onde se pode comer melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faz questão de que as suas personagens tenham sempre um modelo real. Há aí um lado próximo do jornalismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os meus personagens têm um modelo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há quem as considere [às personagens] levemente pretensiosas. É assim que as vê e as quer?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Já escrevi tanto. Criei personagens tão diversas. Os angolanos, e em especial os luandenses, são muitas vezes arrogantes e pretensiosos. Acho que em muitos casos é uma forma de disfarçar a insegurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Félix Ventura, o albino angolano que vende passados, é a sua melhor invenção de sempre?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Será? Eu gosto muito da Lídia do Carmo Ferreira, da Estação das Chuvas e da Ana Olímpia, da Nação Crioula. Também gosto do meu personagem mau, que aparece em vários romances, um tipo que é agente da segurança de Estado, entre várias outras ocupações, chamado Monte. Acho que o Monte é um personagem bem desenhado, com muita profundidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Venderia o seu passado, se fosse possível?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O meu passado não tem preço – como o Taj Mahal. Sou uma das pessoas mais felizes que já tive a oportunidade de conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em que circunstância teve a ideia peregrina de pôr uma osga a narrar "O vendedor de passados"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu conheci uma osga que ria – há muitos anos, na Floresta de Taman Negara, na Malásia. Nunca mais a esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que é que a osga é um camaleão na edição inglesa do livro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Camaleões são os outros. As criações do Félix Ventura. Mas acho que fizemos mal em ter dado esse título ao livro na edição inglesa – “O Livro dos Camaleões”. Confundiu a crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um excepcional escritor pode verdadeiramente ser uma má pessoa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Provavelmente. Conheço alguns torturadores em Angola, pessoas que interrogaram e torturaram presos políticos em 1977, que são recebidos em Portugal como bons escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Viajar será sempre a melhor maneira de um escritor se inspirar ou a mais eficaz para fugir de si e dos outros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Viajar não tem de ser uma fuga. Eu viajo para conhecer pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu único endereço fixo continua a ser o do email?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho um belo apartamento em Lisboa, meu, e outro alugado em Luanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem alguma mágoa por os seus livros, que são eminentemente cinematográficos, ainda não terem chegado ao cinema?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma. Dos meus sete romances quatro estão a ser adaptados para o cinema, dois deles em fase bastante adiantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se as pessoas se dividissem realmente entre as que preferem Chico Buarque ou Caetano Veloso, de que lado ficaria?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Chico Veloso ou Caetano Buarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem um “cemitério de cadernos”. Que outras coisas enterra com vida?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os cadernos não estão enterrados. Estão numa estante, sem pó.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-5868926358503086452?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/5868926358503086452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=5868926358503086452' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5868926358503086452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5868926358503086452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/jos-eduardo-agualusa.html' title='José Eduardo Agualusa'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumTRk0xEEI/AAAAAAAAAao/gzrm2nFUg0A/s72-c/agualusa1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-5657278739511488270</id><published>2007-09-13T12:03:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T10:59:47.595-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSD'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Filipe Menezes'/><title type='text'>Luís Filipe Menezes</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4oeJlRvAI/AAAAAAAABys/vQnczVYaRuc/s1600/menezes1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489369494244670466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4oeJlRvAI/AAAAAAAABys/vQnczVYaRuc/s400/menezes1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Se quisesse disputar o Porto já o teria feito"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é fácil convencer Luís Filipe Menezes, 50 anos, a fazer um intervalo no seu tour eleitoral pelo país para responder à entrevista. Estaciona em Mondim de Basto. Responde ao telefone, de um café, em dia de "Volta a Portugal". O ruído dificulta a conversa. Eis o candidato à liderança do PSD em oito minutos.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 12 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os homens medem-se aos palmos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos palmos de inteligência, de criatividade, de carisma, de capacidade de trabalho, de carácter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que seria capaz de mudar fisicamente em si, em benefício de umas eleições?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo aquilo que, em consciência, não fosse descaracterizar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Costuma ser emotivo. Chora com facilidade?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As minhas lágrimas têm o mesmo cloreto de sódio das de Jorge Sampaio e de tantos outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em casa, é homem de sofá e chinelos ou divide tarefas domésticas, como cozinhar?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não gosto de cozinhar, embora não seja machista. E detesto o sofá. Sou mais proactivo. Gasto horas a alinhar os milhares de cds de música que tenho. E sou fanático por cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda ouve "The Doors"?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda. Sou muito aberto a todos os tipos de música. Aliás, a todas as questões relacionadas com as artes. Não há nenhum género musical em não tenha os meus preferidos. Até na música pimba.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Freud costuma servir para explicar tudo. O que diria de si o psiquiatra?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada. As teorias de Freud estão ultrapassadas há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está hoje em Mondim de Basto, ao lado de Celorico, onde começou a sua carreira como médico, nos anos 70. O que guarda desses tempos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Guardo os meus primeiros fins-de-semana de montanhismo e alpinismo. E a imagem de uma região que tinha enorme potencial para se desenvolver, sobretudo em termos turísticos. Essa é uma das motivações para estar aqui: acredito que o interior de Portugal pode e deve ser desenvolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os directores de jornais também fazem parte da sua lista telefónica?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os que são meus amigos, com certeza. Mas só por isso: por serem meu amigos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Almoçou recentemente com um grupo de jornalistas-amigos auto-designado "Os empatados da vida". Sente-se empatado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, de maneira nenhuma. Mas toda a gente tem momentos da sua vida em que pertence a esse clube. Acontece que nunca fica lá para sempre. Há momentos em que somos vencedores e outros em que somos vencidos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entusiasma-se realmente com as batalhas políticas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando não estou entusiasmado, não obtenho resultados. Quando me empenho em alguma coisa, modéstia à parte, costumo ganhar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tem dito que é preciso olhar para o futuro. Mas não pára de evocar Francisco Sá Carneiro. Algum dia conseguirá livrar-se desse fantasma?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há muitos que o evocam em vão; não é o meu caso. Foi por causa dele que entrei para o PSD e tive o privilégio de conviver com ele. Portanto, a minha referência tem conteúdo. Ultimamente, muitos o têm citado de forma abusiva e criticável. A ele e a Cavaco Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dentro do PSD, ambos têm a mesma importância?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Julgo que se aproximam no imaginário dos militantes do partido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que figura seria no quadro da última ceia do PSD?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu? Depende.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quem seria Cristo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem saber quem seria, talvez fosse só o fotógrafo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Vê-se como o médico do seu partido?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O PSD ainda não está nos cuidados intensivos. Basta-lhe uma semana nas termas para ficar bem.&lt;br /&gt;Sempre quis disputar o Porto......nunca quis. Se quisesse, teria tido todas as oportunidades para o conseguir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De qualquer forma, imagina-se, em 2009, a disputar a liderança do PSD com Rui Rio?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Imagino-me a ganhar as eleições a José Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sócrates é o primeiro-ministro (PM) do jogging. Que tipo de PM seria?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu faço jogging todos os dias às sete horas da manhã. José Sócrates faz jogging de quatro em quatro meses, no calçadão do Rio de Janeiro, no Brasil, ou na Praça de Tiananmen, na China. E sempre para a fotografia. Essa é uma das coisas que nos distingue. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-5657278739511488270?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/5657278739511488270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=5657278739511488270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5657278739511488270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5657278739511488270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/luis-filipe-menezes.html' title='Luís Filipe Menezes'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4oeJlRvAI/AAAAAAAABys/vQnczVYaRuc/s72-c/menezes1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-9056132004496400749</id><published>2007-09-13T12:02:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T11:03:28.752-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rui Moreira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Rui Moreira</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4pOR9gdhI/AAAAAAAABy0/Mzl56l4WNZ4/s1600/rui1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489370321127503378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4pOR9gdhI/AAAAAAAABy0/Mzl56l4WNZ4/s400/rui1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Rui Rio poderia tirar a maioria absoluta ao PS"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não pode responder, está na Turquia. Não pode responder outra vez; está em Palma de Maiorca. À terceira foi de vez. Ficaram gravados, numa sala da Bolsa, 22 minutos de conversa com Rui Moreira, 52 anos, presidente da Associação Comercial do Porto. As opiniões mais contundentes ficaram à porta do Palácio. E do gravador.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 11 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que é o homem mais desejado da cidade, neste momento?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mais desejado? Não. Sinto que sou, se calhar, um presidente da Associação Comercial do Porto mais polémico do que os últimos. À parte isso, não tenho de mim essa ideia de um excessivo protagonismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi a figura mais votada no blog “Portistas de bancada” para suceder a Pinto da Costa. Encara a direcção do FCP como uma possibilidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todos nós, quando éramos crianças - pelo menos os adeptos do Porto - sonhávamos ser jogadores do Porto. Como já não tenho idade para isso…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem idade para ser dirigente…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se calhar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ou a Câmara é um desafio mais apetecível?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não. De certeza que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fala-se recorrentemente dessa hipótese e nunca disse um rotundo não…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca devemos dizer um não absoluto às coisas. Ciclicamente vêm notícias sobre essa matéria. Não temos que as rejeitar totalmente. Não devemos fazer afirmações das quais mais tarde nos possamos arrepender. Podemos sempre arrepender-nos de um não muito profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um dos nossos últimos primeiros-ministros, Pedro Santana Lopes, foi, também, comentador desportivo. É essa a sua escalada?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas esse acabou depressa. Portanto, essa escalada foi um bocado como os picos da Europa. Acho que não é por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em 2004, disse que não recomendaria a Pinto da Costa candidatar-se à Câmara do Porto. Recomendaria o contrário: Rui Rio para o FCP?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Só se fosse candidato à presidência do Boavista. E o João Loureiro está lá muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse, na mesma altura, que a cidade não aguentaria mais quatro anos com Rui Rio. Enganou-se.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Enganei-me. De vez em quando, engano-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o país, acha que aguentará Rui Rio se ele quiser ser primeiro-ministro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esta tinha sido uma boa oportunidade e ele, pelos vistos, não vai avançar. Acho que Rui Rio e, se quiser, José Pedro Aguiar Branco, ao não aparecerem como uma terceira via do PSD, vai fazer com que o país, provavelmente, vá continuar nas mãos de José Sócrates por mais algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Via-os como uma alternativa credível a este Governo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que sim. Dentro do PSD poderiam ser a alternativa para tirar a maioria absoluta ao Partido Socialista. Da forma que as coisas estão, não me parece provável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi uma oportunidade perdida para Rui Rio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Toda a gente ouve falar de si, mas ninguém sabe realmente o que faz. O que faz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho negócios na área da navegação e, também, negócios imobiliários - neste momento fora de Portugal. Praticamente, não tenho negócios aqui. Além disso, sou pai de família, tenho dois filhos e levo uma vida perfeitamente normal. Como qualquer portuense, passeio, ando muito pela cidade e acho que há imensa gente que me conhece, por acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Numa entrevista recente, disse que ser presidente da Associação Comercial do Porto é “um acto de generosidade cívica”. Não acha que lhe ficou mal a agressividade com que o afirmou quando o cargo é, também, uma forma inevitável de posicionamento social?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Só o disse porque há muita gente que está convencida de que ganho aqui um ordenado fantástico. Muita gente que acha – basta ler os blogs - que sou o tipo que está aqui a ‘orientar-se’. Mas admito que a frase não me saiu bem. Eu também não gostei. Não era bem o que queria dizer. Uma das minhas preocupações enquanto cá estou, e quando sair, é pensar em quem vai suceder-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque este é um cargo que, desde que vim para cá, ficou com maior visibilidade política, que me ocupa 50% do tempo e que, ao contrário do que as pessoas pensam, não é remunerado. Criou-se em Portugal a ideia de que as pessoas só estão nos lugares por dinheiro. E não é verdade. Há pessoas que fazem sacrifícios, embora com gosto. Jorge Sampaio [ex-presidente da República] é disso exemplo. Ele era um advogado de sucesso. Esta ideia transversal que existe na sociedade portuguesa de que todas as pessoas metem-se nas coisas só para se ‘orientarem’ tem que ser esclarecida. E é curioso porque a própria pessoa que estava a entrevistar-me achava que eu ganhava 1500 contos por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parece estar a tornar-se num daqueles especialistas em tudo: economia, obras públicas, comércio, indústria. Tem necessidade de ir a todas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já li isso também, e já fui mesmo acusado de ser peripatético, ou seja, os filósofos que andavam a vaguear e sobre tudo tinham opiniões. Eu tenho as mesmas opiniões que toda a gente tem. O meu motorista tem imensas opiniões sobre futebol, trânsito, construção civil. Não me considero especialista em nada dessas coisas, a não ser numa: em transportes. Aí sou, porque tenho feito por aí a minha vida e tem-me corrido bem em termos de negócio. Agora, acho normal que as pessoas dêem opinião sobre a cidade onde vivem. Dou opinião sobre o trânsito porque embirra-me que algumas posturas municipais sejam pouco lúcidas. Isso não faz de mim um especialista. Mas quando dou opiniões, gosto que me ouçam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sentiu-se um salvador da pátria no dia da publicação do livro sobre a OTA?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, nada. Aliás a minha participação é mínima e datada. Nem acho que o meu texto seja o mais interessante. O António Barreto tem lá uma coisa muito bem escrita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escreveu, no Público, uma espécie de tratado sobre o nacionalismo, que definiu como “doença infantil da humanidade”. Nunca se deixa levar a não ser pela razão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Deixo, claro, imensas vezes. Era um tratado irónico por causa da selecção nacional. Claro que, às vezes, sou levado pelo amor, pela emoção, coisas que não têm nada a ver com a racionalidade. Não sou até muito racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ia perguntar-lhe se a racionalidade é uma coisa que se interioriza no Colégio Alemão…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Andei lá muito pouco tempo. Acho que fui posto fora por causa disso. Só frequentei até à terceira classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas o que faz o colégio à cabeça das pessoas para que sintam tanta necessidade de citar a passagem por lá?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fazia, não sei se ainda faz. Havia uma formatação em termos de disciplina que não era vulgar na sociedade portuense. Não é um mito, é verdade. As pessoas que lá andaram ficaram com esse carimbo e, além disso, gostam de gabar-se disso – é um facto. Eu não posso, porque fui expulso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não fui propriamente expulso. Julgo que recomendaram aos meus pais que eu deveria sair porque não iria ter grande sucesso. Depois andei sempre nos liceus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era bem comportado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não era lá muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É curioso, atendendo ao seu visual “betinho”. É uma imagem que gosta de cultivar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha namorada diz-me que cultivo isso. No entanto, já tive uma discoteca, saio à noite, gosto imenso de brincar. Quando vim para cá precisei dessa capa. Nessa altura [2001], saiu esta notícia no Expresso: “Rui Moreira, filho de empresário com o mesmo nome – o meu pai já tinha falecido, mas tudo bem - empresário da noite, é presidente da Associação Comercial do Porto”. Compreenderá que, numa associação destas, vetusta, uma pessoa tenha que vestir um bocado a bata do colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É por causa dessa bata do colégio que as revistas cor-de-rosa gostam tanto de si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não gostam. A última vez que saí, foi uma chatice. Foi a propósito do baile, aqui no Palácio da Bolsa. Soube e fui comprar. Fiquei um bocado enfurecido com as coisas que lá saíram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De que é que gosta nessas revistas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De nada. Não as leio. Nunca dei nenhuma entrevista para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Descobriu a sua vocação de actor no sketch dos Gatos Fedorentos sobre o FCP?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Achamos só que devíamos fazer aquilo e que acho que correu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é uma forma de alimentar a ideia de que o Porto é uma cidade de cromos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou muito autocrítico em relação ao Porto. A cidade está cheia de cromos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vê-se como um desses cromos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, sim. Depende dos dias. E das noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Frequenta a blogosfera?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias visito alguns blogs que aprecio particularmente. Um é “A baixa do Porto”, que é muito interessante: pelas pessoas que lá participam; pela forma como os textos são filtrados e por não haver comentários. Gosto muito de blogs onde não há comentários, sobretudo anónimos. O grande risco dos blogs é tornaram-se num zapping maldizente. Mas sempre que dizem mal de mim, vou lá e respondo. Houve um blog que disse que eu era o “Castelo Branco do Porto”. Escrevi para lá a dizer que, em primeiro lugar, não sou Castelo Branco e, depois, não sou homossexual. Não é que tenha grande problema com isso, mas de facto não sou. Depois mandaram-me um mail a pedir desculpa. Critiquem-me pelo que quiserem, mas não por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas porque é que tem tanta necessidade de se justificar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não justificar; é repor a verdade. Mas nem é só isso. Nos blogs tem que haver alguma contenção e alguma responsabilização. Vivi até aos 19 anos no 25 Abril. Antes disso, o boato era uma das maiores armas de destruição da sociedade portuguesa e muitos eram alimentados por razões politicas. É importante que o blog seja um acto de liberdade, mas não um boato. Por isso, sou solidário, como o meu amigo Miguel Sousa Tavares. Foi acusado num blog de plagiar e objectivamente não o fez. Li os dois livros e não reconheci o plágio. Se eu amanhã escrever um livro sobre D. Afonso Henriques, não estou a plagiar o professor Freitas do Amaral, que escreveu um livro sobre ele. Ainda que, provavelmente, vá falar também na Batalha de S. Mamede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que outros blogs frequenta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Blasfémias, por ser desorganizado; o Abrupto do Pacheco Pereira, ainda que hoje esteja mais pesado. E há um do Porto, de que gosto particularmente: o “Portistas de bancada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Da primeira vez que lhe liguei, estava na Turquia; da segunda a sair de Palma de Maiorca. As suas férias são às prestações?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Faço sempre muitas férias curtas. Não gosto de fazer mais de sete dias consecutivos, dez no máximo. Mas gosto imenso de fazer férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas nunca precisa de desligar a ficha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já desliguei uma vez, quando vendi uma empresa. Fui durante um mês e meio com meu filho mais velho para o Brasil. Mas, enquanto for presidente da ACP, é difícil fazê-lo. Estamos com obras no Palácio e não temos staff. Depois, estamos a fazer o estudo da Portela + 1 e tenho, também, que escrever nos jornais. Faço disso uma semi-profissão. Depois ainda tenho dois filhos de casamentos diferentes e uma namorada arquitecta que também tem montes de projectos para fazer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-9056132004496400749?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/9056132004496400749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=9056132004496400749' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/9056132004496400749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/9056132004496400749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/rui-moreira.html' title='Rui Moreira'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4pOR9gdhI/AAAAAAAABy0/Mzl56l4WNZ4/s72-c/rui1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-5145599532274239886</id><published>2007-09-13T12:00:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:07:03.154-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Baptista Bastos'/><title type='text'>Baptista-Bastos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumJKk0xEAI/AAAAAAAAAaI/gPxzr7t-RjI/s1600-h/bastos1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109766067005231106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumJKk0xEAI/AAAAAAAAAaI/gPxzr7t-RjI/s400/bastos1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está de férias no Ribatejo. Baptista Bastos, 73 anos, atende o telefone, disponível para responder à entrevista no imediato. Mas também aceita que possa ficar para o dia seguinte. O jornalista e escritor interrompe o livro de memórias durante 29 minutos. Alguém duvidará da razão pela qual é controverso?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 10 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Lobo Antunes só costuma conceder entrevistas a quem leu a obra dele completa. Também só fala com quem conhece o seu percurso jornalístico de 50 anos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não conheço o Lobo Antunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer dizer que ainda não fizeram as pazes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem é. Li só um livro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu estilo de entrevistar é reconhecido. Qual é o par que mais respeita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na televisão, é o Mário Crespo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E nos jornais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É mais difícil, embora eu leia todos os jornais… mas deixe-me cá ver…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anabela Mota Ribeiro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não… A entrevista para mim é outra coisa… É o Mário Crespo definitivamente que se aproxima mais da ideia que eu tenho de entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que desatou a perguntar a toda a gente onde havia estado no 25 de Abril?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Queria saber onde não estiveram. É uma data importantíssima. Costumo dizer que é a minha data do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Data a que o tempo fez jus?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. O 25 de Abril não foi cumplido. Foi traído pelo PS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez chegou a sentir a inveja de que o seu editor, n’”O Século”, Acúrcio Pereira, disse que iria padecer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele era chefe de redacção; na altura ainda não havia editores. Editor, em Portugal, não quer dizer coisa rigorosamente nenhuma. É uma cedência do jornalismo português ao jornalismo anglo-saxónico. Eu comecei muito novo a trabalhar n’”Século”, que era, de facto, considerado uma universidade. O Mário Zambujal até lhe chama “catedral”, porque saíamos dali como profissionais muito apetrechados. E eu, como vinha de uma tradição literária, comecei a fazer jornalismo de autor, muito marcado, e foi nesse sentido que Acúrcio Pereira disse: “Eh, pá, vais sofrer invejas”. É uma coisa terrível. Mas eu não dou muita importância a essas coisas. Aliás, eu nunca me levei muito a sério. As pessoas que se tomam muito a sério são umas desgraçadas. Tomo a sério os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel Sousa Tavares disse, recentemente, o contrário: que se acha superior e que age como se o país estivesse sempre em dívida consigo...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Miguel Sousa Tavares tem um problema gravíssimo: pensa e escreve como o Miguel Sousa Tavares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que quer isso dizer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer rigorosamente o que acabei de dizer. É um escritor que não existe e um jornalista que dá vontade de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diz e faz as coisas como lhe apetece. Qual é o preço?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não podia fazer à maneira do Miguel Sousa Tavares, senão era uma maneira muito mal feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A integração dos jornais em grandes grupos económicos restringe a nossa liberdade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é resultado da globalização e do mercado livre, que permite tudo. Hoje, qualquer pessoa chega a director de jornal com uma rapidez impressionante, qualquer pessoa começa a escrever artigos de opinião. Não pode ser! Perde-se completamente a credibilidade. Se calhar sou anacrónico, penso de outra maneira, sou de outro tempo… Mas eu trabalhei em grandes jornais, e aquelas redacções metiam medo, porque cada um vigiava o outro. Era um jornalismo que recusava essa grande tese da distanciação; era um jornalismo da proximidade o que nós fazíamos. Aliás, não entendo essa coisa da distanciação quando a única coisa que o jornalismo pode ser é justo, procurar a justeza das coisas. Quanto mais aproximados estamos, mais entendemos os factos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando fala de proximidade não está a referir-se a uma proximidade geográfica… Digo isto, porque os jornais têm investido em edições múltiplas, com destaques diferentes para cada região do país…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não. Falo de aproximação no sentido do compromisso com o leitor. A tese da distanciação é como se o jornalista não tivesse nada a ver com a notícia, como se o director e o chefe de redacção não tivessem nada a ver com o jornalista, e o jornal não tivesse a ver com nada. A distanciação é absurda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os jornais estão a perder leitores. Acredita na inversão do cenário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os jornais vendem menos porque estão cada vez estão piores, não correspondem às necessidades e aspirações das pessoas, nem fornecem o retrato da sociedade portuguesa. Veja este caso exemplar: como é possível que durante 15 dias, as televisões, os jornais e as rádios tenham estado a massacrar-nos a cabeça com um problema de dois cavalheiros - Paulo Teixeira Pinto e Jardim Gonçalves - cujo problema é pessoal? São pessoas, ao que julgo saber, que ganham mais de 50 milhões por ano. Joe Berardo, com aquela forma que lhe é própria disse esta coisa espantosa: “O Jardim tem 40 guarda-costas e aviões particulares”. O que é isto? Isto não pode ser. Aquilo é uma empresa privada, certo, mas as coisas têm que ter um mínimo de ética e moral. Os jornalistas não fizeram uma interpretação factual daqueles acontecimentos. Como vivem? Como educam os filhos? É importante saber isso. Eu tenho três filhos formados e vi-me à nora para os licenciar. Tive que abdicar de muitas coisas. Ninguém nos ajudou. Mas sim, sim, sim, há aí uma nova geração de jornalistas que está a perceber que não pode ser enganada. E isto vai dar frutos, evidentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O futuro da imprensa passa pelos textos curtos ou bem escritos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sobretudo bem escritos. Não entrem nessa espécie de depressão que tem sido provocada por uns tipos medíocres que transformaram o jornalismo numa espécie de tabelionato. Há uma frase de um escritor que admiro muito: “Quem sabe faz, quem não sabe ensina”. Já viu o bando de medíocres que está nas escolas de Comunicação Social sem saber fazer uma notícia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os textos de necrologia deveriam regressar às páginas dos jornais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É uma das notícias mais difíceis, mas o Miguel Sousa Tavares não percebe nada disso, julga que o jornalismo é outra coisa. Há grandes jornalistas que fizeram grandes necrologias. Basta ler o terceiro volume de “As farpas”, de Ramalho Ortigão para perceber o que é fazer uma necrologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ser-lhe-ía mais apetecível escrever as suas memórias ou um manual de jornalismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Manuais, nem pensar. Dei aulas numa Universidade. Começaram com 21 alunos e acabaram com 40. Mas isso aconteceu porque eu levava livros do Sena, do Nemésio, do Eugénio de Andrade e discutia com eles. Estou há muito tempo a escrever um texto memorialistico. Não é que a minha vida tenha alguma importância, mas nela atravessou-se muita gente. Conheci meio mundo. Ainda ontem estive a terminar um texto sobre Aquilino Ribeiro. Eu conheci-o. Ele gostava muito de mim. Foi essa gente que formou o homem que eu sou. Gente que tinha o conceito da ética, da moral, da deontologia, e que a aplicava a todos os sistemas de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está na casa de Constância, no Ribatejo. O que faz aí?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Leio e escrevo no computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tinha de si uma imagem mais romântica: a do homem que ainda escreve à mão...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas escrevo à mão. Num Moleskine onde aponto uma data de coisas e com uma Mont Blanc. Só depois passo para o computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que relação tem com a internet? Vasculha blogues?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não percebo nada disso, nem quero. Gosto do papel impresso, do cheiro dos jornais e das redacções. Aos blogs falta o suor, o cheiro dos corpos, a gritaria…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ameaçou não votar nas eleições intercalares de Lisboa...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;... e não votei. E disse ao António Costa, que conheço desde pequeno, que não iria votar nele, porque ele é cúmplice das malfeitorias que este Governo tem feito. É das coisas mais lamentáveis que tenho visto. Felizmente, não votei neles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Critica a Esquerda por estar mais à direita que a Direita. Mas também não se revê na Direita. É um órfão político?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou um homem de Esquerda, irremediável e jubilosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas não é deste PS?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este PS não tem nada a ver com a Esquerda. Sou de uma Esquerda muito rebelde, que contesta as coisas, que leu Marx, mas que não recusa a bíblia. Que se encontra onde encontra o humanismo. Estamos a precisar de gostar uns dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gosta que gostem de si ou basta-lhe que o respeitem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito que gostem de mim e faço grandes esforços para isso, sobretudo com as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque razão diz que a vida só é bonita se for difícil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu sou muito feliz. Não há nenhuma pessoa feliz, mas poucos homens estarão tão perto da felicidade como eu. Casei com uma mulher que me tem aguentado tudo, tenho a profissão que escolhi e é verdade, a vida só é bela quando é difícil. A gente só gosta das coisas que custam a adquirir. Tenho tantos amigos, que nem julgava que os tinha. Não tenho medo de dizer as coisas. Não gosto da mediocridade, da soberba, da arrogância. Não gosto daqueles jornalistas - e estou a pensar num em particular, e do qual já disse o nome - que querem ser os catões da moralidade quando na verdade tem telhados de vidro. As pessoas têm que ter com os outros uma relação de respeito e admiração. Eu admiro tanta gente que, às vezes, os meus amigos dizem: “Tu admiras demais”. Tenho um grupo que se reúne todas as sextas-feiras. Somos os “Empatados da vida”, aqueles que nem venceram, nem foram vencidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem são?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Mário Zambujal, o João Paulo Guerra, o Eugénio Alves, o professor António Borges Coelho, o Fernando Dacosta e o José Manuel Saraiva. Não queira saber o que nós nos divertimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava de ser uma mosquinha nessas tertúlias…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Posso convidá-la, se quiser. Às vezes, convidamos pessoas. O último foi o Luís Filipe Menezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A idade ainda é um posto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A idade não, a amizade é que é um posto. Amigo nunca trai amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recentemente, morreram dois dos seus poetas de eleição: Mário Cesariny e Eugénio de Andrade. Lê-os agora de forma diferente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma colecção de poesia que, se calhar, muitos poetas não tem. A poesia ajudou-me a melhorar a prosa. A poesia e a pintura. Percebi isso muito cedo. Andei em arquitectura, e andei a chumbar, e percebi com Van Gogh e, mais tarde, em Leninegrado - continuo a dizer assim e não São Petersburgo -, no Museu Hermitage, com parte substancial da obra de Picasso, o que era o adjectivo na prosa, com cor, mas com contenção. Não é atirar adjectivos aos molhos como faz o Lobo Antunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Raul Brandão, um dos seus escritores, escreveu: “A verdade amarga e única é esta: é que na vida é preciso sonhar para não se morrer transido, tantos são os pontapés que a gente leva na alma e noutra parte”: Concorda com ele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda ontem estive a reler parte de “A Farsa”. É assim. Sou incapaz de pensar numa pessoa que não sonhe. Pode viver sem ideias, mas não pode viver sem sonhar. A vida seria insuportável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua vida é um acto poético?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre foi; sempre será.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vai continuar a resistir à gravata em prol do laço?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Paginei o “Diário popular” e a gravata, naquela tipografia tradicional, ficava sempre cheia de tinta. Passei a usar laço. O nó do laço é mais fácil de dar do que o da gravata. Sim, porque não os compro feitos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-5145599532274239886?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/5145599532274239886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=5145599532274239886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5145599532274239886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5145599532274239886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/baptista-bastos.html' title='Baptista-Bastos'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumJKk0xEAI/AAAAAAAAAaI/gPxzr7t-RjI/s72-c/bastos1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7535615837050765941</id><published>2007-09-13T11:57:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:10:55.352-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bárbara Pinto de Oliveira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Bárbara Pinto de Oliveira</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumIak0xD-I/AAAAAAAAAZ4/2cxhH9pm-8o/s1600-h/bab.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109765242371510242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumIak0xD-I/AAAAAAAAAZ4/2cxhH9pm-8o/s400/bab.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; "Los Angeles é a meca do meu trabalho"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não fosse um problema nas cordas vocais, e ela, mestre em ópera, teria assinado contrato com uma companhia na Alemanha. Bárbara Oliveira Pinto, 25 anos, está a estudar cinema e televisão em Los Angeles. É no intervalo de um musical em Hollywood Bowl que responde à entrevista. A sobriedade do discurso torna irreconhecível a jornalista do Porto que não consegue não fazer da televisão um espectáculo.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 9 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está a viver em Los Angeles (LA) e decorou o telemóvel como os dos americanos. Em Roma sê romano?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É muito isso. Sempre que vou a algum sítio tento sempre integrar-me. Quando vim para LA, dei umas voltas e comecei a aperceber-me daquilo que estava a ser mais usado, como é que as pessoas andam, como se vestem e a verdade é que vi que muita gente põe diamantes em tudo o que usa. É o chamado bling bling. Como acredito que se tira mais partido das coisas quando se é romano em Roma, aderi e pus uns diamantes swarovsky no telemóvel. Custou 60 dólares.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É a rendição total ao kitch americano?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é total; é parcial. Existem muitas outras coisas que vão contra às nossas ideias mais sólidas e que estão na nossa personalidade. E que estão lá sempre, independentemente do sítio para onde se vá: são os alicerces. Mas depois há outras coisas que nos ajudam a sermos camaleões para nos sentirmos integrados, mais optimistas e mais felizes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sente-se completamente em casa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por acaso, sinto. Não sabia que ia sentir-me integrada tão rapidamente. A verdade é que senti. Estava um bocadinho assustada antes de vir, porque não sabia com o que ia contar. Mas há idades em que devem dar-se saltos sem pensar muito. Ou seja, ter os pés no chão, mas ter também um bocadinho de loucura. Aconteceu, fiquei contente por fazê-lo e até agora está a correr muito bem. Estou muito feliz. Se calhar é o bling bling.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está a tentar o seu american dream?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Da primeira vez que vim a LA, a impressão não foi a melhor. Quando vim da segunda, já comecei a gostar mais e foi muito interessante, foi um amor que se foi cimentando. Vim cá muitas vezes trabalhar, antes de vir para cá viver. Acho que as coisas realmente boas são aquelas que vamos apreciando devagarinho. Costumo dizer que de bife com batatas fritas gostamos todos; de caviar é preciso aprender a gostar. O mesmo acontece com a música, com os livros... Aqui também foi um bocadinho assim. LA é a Meca do meu trabalho. Por isso, pensei: "porque não dar-me esta oportunidade? Vamos tentar. Era um mundo diferente, um desafio e eu gosto deles". Então disse: "Vou tentar". E vim. As pessoas vêm para cá à procura de um sonho e não se limitam a pensar nele - tentam-no. Nesse sentido, LA é uma cidade muito romântica, apesar de não ser fisicamente bonita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Viver em LA é como viver num plateau de cinema?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Completamente. Aliás, quando se passeia aqui pelas ruas é muito normal verem-se muitas cenas de filmes a serem gravadas. Aqui, toda a gente está ligada à indústria do entretenimento de alguma forma. Vive-se um mundo de magia. E as pessoas são muito optimistas. Tive uma conversa muito engraçada com um jornalista francês que está cá a viver. Ele disse: "Vim para cá e achava estranho tanto optimismo à nossa volta, via alguns projectos e perguntava como é possível acreditarem naquilo". Mas a verdade é que as pessoas uniam as mãos e acreditavam tanto que aquilo tinha sucesso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está contaminada pelo optimismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para já, estou. Mas também só estou aqui há cinco meses. Não sei se é a euforia inicial ou se é para permanecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É crítica em relação a esta máquina americana de fazer de conta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É bom sonhar. Às vezes, a vida já é tão dura no dia-a-dia. Há um exercício que faço todos os dias: antes de adormecer começo a sonhar. Gosto sempre de sonhar acordada antes de adormecer e esta cidade tem-me dado a limento para isso. É importante porque é o nosso motor. Precisamos de água e vegetais para estarmos bem fisicamente e preciamos de sonho para estarmos bem psicologimente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tropeça em muita gente conhecida?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Várias vezes. É normal. Eles moram cá. É normal encontrá-los na praia de Malibu, na lojas de Beverly Hills, nos cafés, em Melrose. Já vi os irmãos Owen e Luke Wilson a almoçar em Santa Mónica, a Hillary Swank, no Grove... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Pede autógrafos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca. Eles não gostam e eu também não sou dessas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em Portugal, há muita gente a vir estudar para os EUA, a maior parte para tentar a sorte da representação. É por aí que quer ir?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vim para cá com o objectivo de aperfeiçoar a técnica televisiva. Era o meu objectivo principal. Mas agora, que estou aqui, tenho que aproveitar o que esta cidade tem de melhor. Estou a fazer, por carolice, além do curso de televisão e cinema, um curso de representação, que está a ser uma aventura muito grande. É quase uma viagem por dentro de nós. Quase um curso de psicanálise. Diria que até é mais psicanálise do que drama e teatro. É fantástico. Tinha estado ligada às artes do espectáculo antes de entrar na televisão e de certa forma foi um reviver disso tudo. Foi uma via para perceber melhor o mundo do showbizz em Hollywood, que é uma energia muito engraçada. É quase um submundo. Não tinha noção das coisas que realmente as pessoas têm que fazer para tentar o sonho americado. Não é fácil, são muitas etapas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Entrevista quase todos os actores. Sente-se uma espécie de Mário Augusto em versão feminina?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Somos grandes amigos. Admiro-o muito, ensinou-me muito e guiou-me muito. Agradeço-lhe imenso, mas acho que temos estilos comppletamente diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O seu estilo é bastante histriónico. Tem necessidade de transformar tudo em espectáculo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A televisão está dividida em dias áreas: informação e entretenimento. Sempre trabalhei em entretenimento e, nessa área, acho que a televisão deve ser um show. É assim que a assumo. Já fiz outras coisas que exigiram de mim uma postura mais séria e aí volto a ser camaleão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sente que faz parte de uma nova geração de jornalistas ou de entertainers?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Silêncio]. De uma nova geração de jornalistas, porque a maneira de comunicar está a mudar. Se virmos agora um filme dos anos 50, vamos achá-lo muito parado. Em Hollywood é tudo tão rápido, tão visual, que as coisas têm que evoluir. A televisão, os telejornais, os próprios jornais, está tudo diferente- Logo, as pessoas que trabalham em comunicação também têm que assumir uma postura diferente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Há um blogue que diz que é altiva em televisão. Revê-se na crítica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive essa atitude perante ninguém, nem numa me senti assim na vida. Pelo contrário. As viagens que tenho feito e os anos que tenho vivido fora de Portugal (Londres e Paris), percebi que a pior coisa que podemos fazer é sentirmo-nos superiores em relação a alguém. Precisamos de todos, independentemente daquilo que cada um faz. E estamos todos interligados de uma maneira tão profunda que, às vezes, é impressionante e choca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Trabalha sobretudo com o lado mais glamoroso da vida, mas também fez a Volta a Portugal. Onde se sente peixe dentro de água?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em tudo na vida tem que haver equilíbrio. O que eu admiro mais são as pessoas que conseguem comer com 20 talheres de cada lado e no dia a seguir comer com as mãos. Porque não ter esta abertura de espírito? Vivo muito os dois lados. Mesmo na minha vida pessoal, gosto de cultivar as duas vertentes. Adoro o requinte, a elegância o glamour, mas também não me incomoda nada estar num sítio mais popular, onde as pessas estão mais à vontade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na apresentação dos Prémios Laureus do Desporto conseguiu embaraçar Boris Becker, lembra-se?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pedi-lhe o telemóvel em directo e ele não estava a contar. Ainda hesitou, mas depois lá se safou [risos].&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Já sabe o que vai fazer quando regressar a Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Antes era muito ansiosa. Em LA aprendi a viver aqui e agora. O caminho para a felicidade não é atingir as nossas metas; é sentir que estamos no caminho certo para as atingir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7535615837050765941?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7535615837050765941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7535615837050765941' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7535615837050765941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7535615837050765941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/barbara-pinto-de-oliveira.html' title='Bárbara Pinto de Oliveira'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumIak0xD-I/AAAAAAAAAZ4/2cxhH9pm-8o/s72-c/bab.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-2708260647611357517</id><published>2007-09-13T11:55:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:11:49.228-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Markl'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Nuno Markl</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumH_00xD9I/AAAAAAAAAZw/5qgUqWxUUs0/s1600-h/nuno.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109764782810009554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumH_00xD9I/AAAAAAAAAZw/5qgUqWxUUs0/s400/nuno.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A palavra dele é de honra. Nuno Markl, 36 anos, atende o telefone num outro continente. Para ele, são menos oito horas, mas o guionista e homem da rádio que inventou o "homem que mordeu o cão" compromete-se a responder, por mail, às perguntas a tempo de publicar a entrevista hoje. Cumpriu em menos de 24 horas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 8 Agosto de 2007 no JN]&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quão diferente era a sua vida antes de Abílio Mortaça, o vendedor de enciclopédias existencialista, com que a sua fama começou (1993)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha fama estava ainda longe de começar quando fiz o Abílio Mortaça, por isso durante e depois dessa radionovela que fiz no Correio da Manhã Rádio e na Comercial ainda vivi uns tempos pacatos como caixa de óculos genérico e anónimo. O Abílio Mortaça valeu-me o convite do Nuno Artur Silva para integrar as Produções Fictícias, mas mesmo já a trabalhar nas PF e a escrever para o Herman ainda pude ser um caixa de óculos genérico e anónimo por mais uns anos. Em 97 é que o Homem Que Mordeu o Cão me tornou mais conhecido e aí sim, podemos fazer um a.C e d.C (antes do Cão, depois do Cão). Antes do Cão era mais magro. Nesse aspecto sim, a minha vida era diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ganhar a vida a relatar a sua vida [programas de rádio, TV, livros, blogs, podcasts] diz o quê de si para lá de que é esperto porque faz render tudo o que está à mão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ui, sou mais esperto do que isso: consegui fazer carreira a partir de tudo aquilo que fazia de mim uma vítima no recreio da escola. Gostava de ver o que estão hoje a fazer os "bullies" que me faziam a vida negra na escola! Além disso, ter como trabalho relatar a minha vida faz não só com que eu ganhe dinheiro por isso, mas poupe em terapia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que é que, volta e meia, se define como "um caixa de óculos pançudo"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque é o que sou. E digo isso de mim, da mesma forma que o Stevie Wonder nunca dirá dele próprio que é um homem branco de grande acuidade visual. São constatações de facto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ter sempre uma boa tirada na língua é a sua arma de defesa pessoal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre foi, embora na escola, e porque era avassaladoramente tímido, a minha arma não fosse tanto ter uma boa tirada na língua mas o facto de ser bastante rápido a desenhar, nomeadamente caricaturas dos meus colegas. Comprei muitas amizades assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Consegue impedir-se de dizer graçolas em público?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aí é que está: eu digo pouquíssimas graçolas em público. Eu sou uma terrível desilusão para muita gente que acha que, lá por eu trabalhar em comédia e dizer umas graçolas na rádio, na televisão e na internet, devo ser assim 24 horas por dia. Mas não sou. Na verdade continuo a ser bastante metido comigo mesmo e não particularmente engraçado. Sobretudo quando estou com estranhos. Lembro-me que há uns anos, nos primeiros tempos do Homem Que Mordeu o Cão, alguém andou a espalhar um boato sobre mim que dizia que eu só tinha piada na rádio porque estava com o Pedro Ribeiro, o José Carlos Malato e a Ana Lamy, e que fora do programa não tinha graça nenhuma. Possivelmente era verdade. Mas já que tenho piada na rádio, e já que esse é o meu trabalho, permitam-me que não tenha muita piada na minha vida pessoal. Costuma dizer-se, e bem, que é errado levar o trabalho para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando é que rir não é o melhor remédio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que é sempre um bom remédio. Não me parece que haja situações onde se deva conter o riso. Mesmo em funerais, há sempre motivos de riso e soltar uma gargalhada pode ser algo bastante terapêutico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Decora as tiradas que lhe vêm à cabeça ou tem que apontar tudo seja onde for?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho de apontar, e costumo apontar no telemóvel. Seria mais romântico andar com um caderninho de capa preta e um lápis, mas já tenho tanta coisa para carregar, que aproveito o Bloco de Notas que vem no meu telemóvel. Está cheio de pequenas ideias e apontamentos que vou lá pondo durante o meu dia. Se por alguma razão o telemóvel está sem bateria, pareço um louco porque - se a ideia for mesmo boa - ando desesperadamente a repeti-la em voz baixa até encontrar um pedaço de papel e uma caneta. Pareço o Dustin Hoffman no Rain Man.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é que gosta menos em si no facto de ser simpsónico [fã da animação iconoclasta 'Os Simpsons']?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Adoro ser Simpsónico. Não há nada na minha simpsomania que eu não goste. Isto acompanha-me desde que vi o primeiro episódio da série em 1990, quando ainda era possível ver o Sky One em Portugal, via parabólica. Estou sempre atento a tudo o que o Matt Groening faz. E sei que hoje em dia é mais "cool" dizer que se prefere o Family Guy, mas eu nunca fui "cool" e não é aos 36 anos que vou começar a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu cão Sharik é o quê ao homem-bomba Tarek Sharik dos Gato Fedorento?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rigorosamente nada! Quem o baptizou foi o meu colega de escrita, Francisco Martiniano Palma. Quando fizemos o Homem Que Mordeu o Cão TV, sempre que uma das personagens que ele interpretava tinha um cão, o nome era, invariavelmente, Sharik. E quando ele encarnou a personagem de Orlando Panhões na rubrica Ódio Visceral, da SIC Comédia, e esta mistura de Serra de Aires e rafeiro apareceu nas nossas vidas (o Sharik andava a vaguear por Carnaxide, ali à porta da SIC), não só o cão entrou imediatamente na rábula que estávamos a gravar - no papel de cão do Orlando Panhões - como o Palma achou que Sharik era o único nome que aquela personagem daria a um cão. Nesse dia eu trouxe-o para casa, já devidamente baptizado com o nome Sharik.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sendo uma espécie de padrinho dos Gato [foi quem os levou a 'O perfeito anormal', programa que fez com Fernando Alvim na SIC-R], acha legítimo que eles o ultrapassem em popularidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho legítimo, merecido e um motivo de orgulho. Eu já tive a minha dose de popularidade "à Floribella" quando o Homem Que Mordeu o Cão estava no auge e havia malta à pancada em hipermercados para conseguir um autógrafo. Foi uma experiência interessante, mas desgastante e tenho grande estima pelo estatuto de "menos famoso" que tenho hoje, porque sei que quem gosta do que eu faço está mesmo dentro do comprimento de onda Markliano. Percebi que a fama maciça não valia grande coisa no dia em que me apareceram duas senhoras, numa sessão de autógrafos, a dizer "não sabemos quem você é, nem o que é isto do Cão, mas como toda a gente está a comprar o livro, compramos também". Isso levou-me a pensar se era mesmo aquele tipo de fama que eu queria e deprimiu-me um bocado. Mas adoro ver os Gato em alta, e gosto de os ver estimulados a superarem-se, movidos por esse sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem é o maior humorista português vivo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que o Herman continua a ser o maior humorista português vivo, e basta ver tudo o que ele tem dado ao longo de tantos anos pela comédia nacional, as portas que ele abriu, os muros que derrubou. Acho que eu não teria seguido esta carreira se não tivesse visto tanta coisa do Herman na televisão e na rádio. E muitos humoristas portugueses actuais dirão o mesmo, e não é por "correcção política" - é, uma vez mais, uma constatação de factos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É politicamente correcto dizer-se hoje que o Herman é o maior humorista português vivo. No entanto, ele nunca teve tão pouca piada nem audiência. O que lhe aconteceu de facto, sabe?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Politicamente correcto? Essa é boa! Eu acho que hoje em dia o que é politicamente correcto é dizer que ele não tem piada. Audiências não são sinónimo de insucesso: algumas das coisas que mais me orgulho de ter co-escrito na vida foram fiascos de audiência - o caso da Paraíso Filmes ou do Programa da Maria. Eu acho que o Herman continua a ter piada e eu continuo a ter um gozo tremendo a escrever para ele e para o resto do elenco. E acho que já temos suficientes momentos conseguidos no Hora H para fazermos um belo best of. Como já expliquei no meu blog, a razão porque algumas vezes sinto que momentos do Hora H não funcionam, é porque estamos todos - autores, actores, produção - a criar comédia a um ritmo de linha de montagem telenovelesco e não com a calma com que fizemos, por exemplo, o Herman Enciclopédia. Se o Hora H fosse feito com a calma e o tempo com que as britcoms da BBC são feitas - e que é como deve ser feita essa coisa frágil que é a comédia - os resultados seriam diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como co-argumentista, sente alguma parte de responsabilidade pelo pouco sucesso da "Hora H" do Herman?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que todos estamos a dar o litro e o nosso melhor, dada a vertigem industrial com que o programa tem, obrigatoriamente, de ser feito. Quando as audiências são baixas e levamos tareia de críticos e público, é impossível não sentir um certo sentimento de culpa, mas geralmente eu uso isso como combustível para tentar fazer ainda melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem um ou outro detractor na Net. Quando os topa responde-lhes ou vinga-se deles nas suas tiradas públicas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho oceanos de detractores na net. Mas sim, admito que tenho menos do que nos tempos do Homem Que Mordeu o Cão: quando se atinge um certo nível de popularidade, ganham-se detractores às pazadas, muitos deles ex-fãs. Agora que voltei a ser um muito menos ameaçador "humorista de culto", perdi muitos desses detractores. Não faço tiradas públicas sobre eles; entro em diálogo com eles. Geralmente para perceber o que motiva alguém a odiar tanto uma pessoa que não conhece pessoalmente, fenómeno que desperta em mim uma curiosidade quase científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O apagão de multibancos que houve aí em Lisboa esta semana foi a sua experiência mais próxima de um mundo pós-apocalíptico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não: antes disso, o dia em que fiz a inspecção para a tropa, em 93, foi uma experiência ainda mais próxima. Parecia que estava dentro de um romance do Orwell. E fiquei apto! Felizmente, não me chamaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é que o fascina tanto em Rick Deckard [personagem de Harrison Ford em "Blade Runner"]?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é só o Rick Deckard que me fascina: todo o filme é um monumento moderno de cinema, de poesia, de tudo. Sinto-me muito próximo das angústias existenciais daqueles andróides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda tem um fraquinho pela Patricia Arquette?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho, e não sou especialmente fã de louras. Mas ela é uma extraordinária actriz, é sexy, e só tenho pena que ela não esteja a aparecer em mais filmes e projectos dignos do seu talento. A série Medium é girinha, mas se era para fazer televisão, ela precisava era de estar a aparecer numa coisa ao nível dos Sopranos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De quem tem mais saudades: do Automan com o seu Lamborghini que dava curvas a 90 graus; do velho Chanquete espanhol do 'Verão Azul'; ou do staff inteiro do 'Barco do Amor'?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Dessas três entidades, eu escolheria o Automan. O Barco do Amor envelheceu mal; o Verão Azul ainda não voltei a rever, mas anda muita gente a garantir-me que envelheceu mal. O Automan, de certeza que envelheceu mal - mas ao mesmo tempo é um indivíduo com um Lamborghini que dá curvas a 90 graus e cujo melhor amigo é um cursor a piscar. Acho que ainda não voltou a haver nada assim no entretenimento mundial, por isso, gostava de rever uns episódios do Automan, sim senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No 'Bee movie' assusta-o dobrar a personagem que no original é feita por Jerry Seinfeld?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um misto de dor e prazer, o que é sempre bom. Adorei gravar as cenas do casting e depois o trailer, pelo que só tenho de afastar da minha mente a ideia impossível de que terei de estar à altura de um Deus da comédia, para sentir o tremendo gozo que sei que vou sentir quando fizer a dobragem do filme todo, em Outubro. É um dos projectos futuros que estou mais ansioso de fazer. Estou como um puto que sabe que vai receber um brinquedo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Da última vez que insultou um fã, verbalizou o comentário ou guardou-o só para si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro de alguma vez ter insultado um fã. Na minha juventude era tão odiado e ostracizado, que hoje em dia tenho uma estima e uma gratidão arrebatadoras por toda a gente que gosta de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quantos 'Marklianos assumidos' conhece?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não consigo dar-lhe um número certo... Espero que seja um número jeitoso de pessoas. Não é preciso ser um número astronómico, mas é essencial que seja boa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Continua a sonhar em criar "o primeiro filme pornográfico português com história e genuínas inquietações existenciais"?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claro! Mais do que isso, mantenho uma pastinha no meu computador com notas sobre isso. Um dia ainda vou conseguir fazer uma coisa dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda continua a ser isto de que quer viver um dia: "escrever fábulas para crianças espertas e adultos com pouca vontade de crescer"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida. Desde que escrevi o meu primeiro e, até á data, único livro infantil, o Sebastião Regressa a Casa, que fiz uma nota mental nesse sentido. Sou grande fã de escritores como o Roald Dahl, que provaram que escrever para crianças é uma coisa muitíssimo digna e nobre e que pode encantar também os adultos. Infelizmente, parece-me que, em Portugal, boa parte das crianças de hoje está mais virada para ver as Chiquititas, a Floribella e os Morangos, do que para ler o Charlie e a Fábrica de Chocolate...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-2708260647611357517?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/2708260647611357517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=2708260647611357517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2708260647611357517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2708260647611357517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/nuno-markl.html' title='Nuno Markl'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumH_00xD9I/AAAAAAAAAZw/5qgUqWxUUs0/s72-c/nuno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7699239352301610890</id><published>2007-09-13T11:51:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:13:50.440-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Francisco campos'/><title type='text'>Francisco Campos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumG6E0xD7I/AAAAAAAAAZg/itH5j9xu2iU/s1600-h/francisco_campos.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109763584514133938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumG6E0xD7I/AAAAAAAAAZg/itH5j9xu2iU/s400/francisco_campos.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Umas mamas custam um carro em segunda mão"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Metrossexual assumido, foi ao cabeleireiro, à depilação e ao alfaiate antes de chegar à Praia da Luz, local combinado para a entrevista. Francisco Campos, cirurgião plástico dividido entre o Estoril e o Porto, debate-se com uma calúnia anónima que se tornou pública, mas não perde auto-estima. "Sou o melhor", resume em 35 minutos de conversa.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 5 de Agosto na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Foi acusado, através de um blog, de falta de ética profissional, de operar sob efeito de álcool e drogas. Há fumo ou fogo nesta acusação?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é uma denuncia, é uma calúnia anónima. Quem faz aquilo, não está bem da cabeça. Numa operação, há anestesistas, médicos, enfermeiros, o doente e um director clínico que nunca poderiam pactuar com isso. É uma tentativa de me destruir, mas nunca operei tanto como este ano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Apesar de só ter sido noticiado na semana passada, a calúnia está on-line há mais de um ano. Tinha conhecimento?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já muita gente sabia, menos eu. Soube por uma paciente minha este mês. Depois descobri que todos os meus pacientes já tinham visto aquilo, o que é uma infâmia. As expextativas das pessoas devem ser moderadas, mas há quem queira o mundo. Paciência. Em cirurgia plástica não há mundos, há realidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Vai apresentar queixa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou. À Polícia Judiciária e à Procuradoria. A Ordem está comigo. E se porventura a indemnização brutal que está a ser delineada for conseguida, irei doá-la às crianças mutildadas em África. Há 18 anos que faço cirurgia estética e estou muito contente. Mas não quero para mim dinheiro deste género.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tem noção da origem do blogue?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei exactamente de quem é.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Teme que este episódio persista como uma nódoa negra no seu currículo?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A única coisa que me incomoda no blog é dizer que sou 'mau colega'. O que é que isso quer dizer?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está a insinuar que o blog pode ter origem em colegas seus?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei. Dizem que sou um estratega de marketing, que em 88 operava sem ser cirurgião plástico quando sou especialista desde Julho desse ano. Há colegas meus envolvidos neste ataque? Haverá? Espero que não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É perigoso lidar com um paciente insatisfeito?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não direi perigoso, mas é preciso frazer uma triagem muito boa. Porventura, eu erro de vez em quando. É preciso saber muito bem quem se vai operar, que expectativa tem e eu, por norma, crio expectativas abaixo daquilo que julgo ser possível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Errar em cirurgia plástica é o quê?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É falta de bom senso, é estar cali por dinheiro e porque é chique ser cirurgião plástico. O pior é que não há muito creditados pela Ordem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Costuma ver Nip/Tuck, a série dedicada à cirurgia plástica?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Vejo o Makeover, que é uma fantasia total.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ambas são sobre a busca da perfeição física. Reflectem o que procuramos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Nós não precisamos assim tanto de consumir cirurgia plástica. É uma coisa séria, equilibrada, que não deve ser utilizada assim, tout cour. Tem que haver bom senso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Os seus pacientes têm esse bom senso?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho sorte porque consegui ter um núcleo de pacientes que sabem o que querem. Ninguém vem ter comigo para um extreme makeover, embora fosse perfeitamente capaz de o fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não tem pacientes deseperados?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Tenho pessoas que sofreram transformações corporais, morfológicas - por exemplo, uma gravidez que estraga quase tudo e, também, a felicidade - , ou que estão a ficar velhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As pessoas procuram algo que já foram?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, mas isso não é pecado nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A sua velhice também o preocupa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro. Não fujo. Gostava de ter menos 30 anos, ser o cirurgião plástico que sou e ter a experiência de vida que tenho. Era ouro sobre azul, mas não é assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não há charme possível no avançar da idade?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que sim. Aliás, a Jane Fonda está a fazer um filme sobre sexo aos 69 anos. Bom número! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na praia, pensa no que poderia modificar nas pessoas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca olho para as pessoas nesse sentido. Vejo tudo sem ser pelo olhar da cirurgia pllástica. Por exemplo, não sei operar narizes. Às vezes, vejo narizes enormes, e tenho pena, porque sinto que as pessoas têm uma certa retração. Preocupam-me as pessoas obesas, mas isso não é para a cirurgia plástica. Antes de ser cirurgião plástico, sou médico. E como médico interessa-me a saúde das pessoas. Quando um médico cura uma doença fico todo contente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A beleza é um problema de saúde?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É difícil conceituar a beleza. Vê-se, reconhece-se facilmente... Mas sim, talvez seja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que outros hobbies tem além de fotografar e gostar de salvar gatos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gatas. Gosto de salvar gatas. [risos]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Um cirurgião é o que existe mais próximo de Deus para a nossa aparência?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É, embora a alma seja difícil de descobrir lá dentro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Pedem-lhe milagres?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca me pediram, mas faço-os.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Considera perigosa ou vantajosa a ideia de que tudo hoje pode ser reconstruído, moldado, adaptado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É muito superficial. Ninguém pode ter o nariz do Michael Jackson. A cirurgia plástica tem limites sobre os tecidos humanos. Porque é que sou contra o photoshop? Porque é falso. No computador é fácil, mas quando passamos para a parte prática, não é possível fazer coisas tão fantásticas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O seu trabalho é a busca da perfeição?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há essa busca, não exactamente da perfeição, mas daquilo que é razoável e bonito. O que é que é perfeito na beleza? Não sei. Cada pessoa tem que gostar de si mesma. Se houver coisas que por qualquer motivo se alterem, então sim, a cirurgia plástica tem um papel de equilíbrio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não é subversiva essa idea de que vamos sentir-nos tanto melhores quanto mais bonitos formos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é errado pensar nisso. Há é limites.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Qual foi o último belo trabalho que fez no rosto de alguém?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um fce lift lindo de morrer. . Uma reconstrução brutal do pescoço, da cara, dos olhos, sem uma única nódoa negra. Dezasseis horas depois o doente estava em casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O título "médico dos famosos" ajuda-o a angariar doentes anónimos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou o médico do jet set, não tenho nada a ver com isso. Não sou isso, não sou essas pessoas, não tenho nada contra elas, mas não sou assim. Os meus doentes não estão disponíveis nos googles. Defendo isto: visibilidade sim, das operações, mas nunca dos doentes. A maior parte dos meus doentes não é famosa nem quere ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A cirurgia plástica é também uma questão de ego?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro, um bocado e é bom.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Do ponto de vista da medicina, a cirurgia estética é levada completamente a sério ou é uma especialidade da segunda divisão?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há cirurgiões estéticos. O que há é uma especialidade chamada cirurgia plástica, reconstrutiva e estética. Essa coisas dos estéticos é criada por quem não é cirurgião plástico. Quem não tem preparação para isto, vai criar dano e o dano em cirurgia plástica é irreversível. Em geral, os cirurgiões não gostam de ver coisas mal feitas, até se incomodam um bocadinho. O ideal é que tudo corra bem a toda a gente e para isso é preciso estar habilitado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Consegue operar-se a si próprio?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consigo fazer algumas coisas, se quiser...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E quando não consegue, quem o faz?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O António, o melhor cirurgião geral do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Recusou participar na "Quinta das celebridades" alegando que seria uma deslealdade para com os seus colegas. Qual foi a razão verdadeira?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acha mesmo que eu ia para a Quinta das Celebridades? Isso são as coisas que passam acerca de mim; não passam outras, é pena. Não tenho nada contra a Quinta, mas não sou aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não é aquilo, mas é as revistas cor-de-rosa, onde costuma aparecer?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há necessidade de um certo marketing, mas eu já passei por isso e não me alimento de coisas de há dez anos. Já passei a fase da guerra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quer dizer que no Algarve, para onde vai agora, não irá frequentar os locais da moda?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que não. Só se o meu filho quiser ir e sobretudo se quiser que eu vá com ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ainda são as mulheres que o procuram mais?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tanto assim. Hoje há um equilíbrio grande, pelo menos na minha prática, terei 40 por cento de pacientes homens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O que é que eles lhe pedem?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pedem, é uma necessidade porque têm uma disfunção. Olhe o pneu do Norte, isso não sai com ginástica. As pálpebras, os músculos da face cansados, o tempo, a gravidade. Podemos corrigir isso com sensatez, nunca perdendo a expressão. Os homens não põem mamas, tiram. Até na praia se sentem mal, não tiram a t-shirt.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A principal preocupação das mulheres é sempre o peito?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um equilíbrio entre a face e a região toráxica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O que é que custa mais a uma mulher: a flacidez do peito ou as rugas da cara?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não lhe consigo transmitir essa ideia exactamente, mas julgo que as mamas são o símbolo da feminilidade, portanto aparenta ser a grande preocupação estética delas. Você não pode deixar uma miúda de 16 anos sem mamas. Os pais tem que estar com ela e não podemos deixar que a melhor fase da vida de uma pessoa seja passada em sofrimento porque tem a mais ou a menois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Mas é contra a cirurgia estética nos adolescentes. Abre excepção para esses casos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou totalmente contra as campanhas para adolescentes, mas também digo que eles não são burros nem os pais. Entendo que é bom fazer um aumento mamário quando não há mamas porque não se justifica toda aquela perturbação de inserção social que se gera à volta disso: os estudos a começar a flahar um bocadinho, as idas para discotecas até altas horas da noite... por causa daquilo? Bolas, dez mil euros resolve isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É esse o preço?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É mais ou menos. É um carro em segunda mão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Diz que não aceita pagamentos em leasing. Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não aceito cheques pré-datados. Se os aceitar, tenho que operar seis vezes por dia e há cirurgias que só faço uma vez por dia: facelift, implante mamário. Agora, também entendo que há pessoas que confiam em mim e que não têm dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O que faz a esses doentes?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Opero-os centenas de vezes, à borla. Paga o hospital. Não estou aqui pelo dinheiro. Não como marisco, sou alérgico. Agora há um Banco que propôs trabalhar comigo, portanto, há uma possibilidade nova. No entanto, nunca discuti preço com os doentes e continuarei a não o fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Continuo sem perceber o que o choca num pagamento a prestações...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perda de confiança médico-doente. Você esta a fazer um negócio. Se alguém não tiver dinheiro, não é por isso que deixa de ser operado. Não é só um joelho que dói, lá dentro também doi. A única facilidade que dou é poder pagar em moedas. Um doente pagou-me 20 mil euros em moedas de dois euros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sente-se um artista ou um médico que opera desprovido de emoções?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou um artista. Tenho emoções e tenho técnicas. Mas as pessoas estão-se nas tintas para as técnicas; querem é bons resultados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gostava de ser parecido com quem?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É evidente que gostava de ser o Brad Pitt ou os meus amigos indianos, que são lindérrimos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Gilles Lipovetsky diz que "A moda está a tornar-nos cada vez mais problemáticos com nós próprios e com os outros". Concorda?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Consultar um cirurgião olástico é uma atitude íntima; não tem nada a ver com o que é fashion. Agora se há pessoas que me pedem para mudar, porque não? É normal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A beleza pode ser o segredo da felicidade?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há caminhos pouco terrenos para lá chegar, mas a beleza ajuda muito. Escrevi um livro onde falo de madre Teresa de Calcutá e de Claudia Schiffer. São duas pessoas bonitas, contudo, eu iria direito para a Schiffer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Acha mesmo que é o melhor na sua área?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho, e não só o melhor aqui do burgo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7699239352301610890?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7699239352301610890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7699239352301610890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7699239352301610890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7699239352301610890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/francisco-campos.html' title='Francisco Campos'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumG6E0xD7I/AAAAAAAAAZg/itH5j9xu2iU/s72-c/francisco_campos.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-8614567394964503441</id><published>2007-09-13T11:46:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T11:14:39.603-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Francisco José Viegas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Francisco José Viegas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumFrk0xD6I/AAAAAAAAAZY/kThYa-ZU9co/s1600-h/FranciscoJoseViegas.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109762235894402978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumFrk0xD6I/AAAAAAAAAZY/kThYa-ZU9co/s400/FranciscoJoseViegas.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"PSD tem más digestões e até disfunção eréctil"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É talvez o homem que vive mais de perto de Fernando Pessoa. Francisco José Viegas, 45 anos, toma-lhe conta da casa, em Lisboa. E aos livros e pertences do poeta vai adicionando vida, conversas, amigos. Num intervalo desse turbilhão, o escritor e jornalista, apreciador de vinhos e charutos e viagens, respondeu, por mail, às perguntas que considerou "divertidas".&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 4 de Agosto na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já recuperou o computador que lhe roubaram em Julho no aeroporto de Maiquetía [Venezuela]?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os computadores nunca se recuperam. Comprei outro e, agora que não é preciso, faço back-ups todas as semanas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a primeira coisa que o preocupou ter perdido: os apontamentos do seu novo romance de que não tinha 'back-up' ou a imediata confiança dos venezuelanos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que tinha lá escrito. Os venezuelanos são gente muito boa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu desassossego com a tentação autoritária da Venezuela de Chavéz é ético e que mais?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Gastronómico. Tenho medo que ele queira uma alimentação socialista. Na Venezuela come-se maravilhosamente em restaurantes anti-chavistas. A "boliburguesia" chavista já descobriu os "amuse-bouche" e passa o tempo em Miami a aplicar o dinheiro do "socialismo do século XXI". Sabe qual é o problema? É que, daqui a uns anos, quando Chávez esticar o pernil, o dinheiro do petróleo ainda não chegou aos pobres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Levou a sério Saramago na fatalidade de termos que nos integrar em Espanha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. A realidade ultrapassa-o. De resto, hoje, um dos desportos favoritos dos portugueses chama-se "tiro no Saramago". Já foi tempo. Agora não dá gozo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diz que o PSD de hoje está reduzido a uma sala de espera. De que especialidade médica concretamente?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Devia ser apenas ortopedia mas, infelizmente, trata-se de um complexo problema de clínica geral: desde más-digestões a disfunção eréctil. É uma pena, porque o PSD merecia mais. Ideias, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pacheco Pereira respondeu-lhe quando disse [a propósito da crise do PSD] que ele escrevia em rongorongo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há mais incertezas sobre a terra do que Pacheco Pereira e eu próprio alguma vez poderemos imaginar. A diferença é que ele foi maoísta e tem mais anos disto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está completamente esclarecido no caso da DREN ou espera pela passagem da 'silly season'?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que é fácil estar esclarecido sobre o assunto: são ressentimentos. Tudo gente ressentida, que é o maior problema português. A Dra. Margarida Moreira é só um peão, não tem muita importância. E o Prof. Charrua não é um herói da liberdade de expressão. Heróis são aqueles que levantaram a voz por causa do assunto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em qual das manas Salgado acredita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na Sra. D. Ana Salgado. Evidentemente. Gosto de espectáculo até ao fim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual o escritor português perfeito para o relato policiário total deste caso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser amigo dela, de certeza que não será a Leonor Pinhão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do que tem mais saudades de ser director: da Ler ou da Gazeta dos Desportos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Da Ler. Era uma grande revista. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que faz quando está sozinho na Casa Fernando Pessoa e tem por ali por perto os objectos d'Ele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não faço nada, passo ao largo por causa do alarme. Mas gostava de baralhá-los ou de trocar as legendas das vitrines. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Longe de Manaus" é o seu "Livro do desassossego"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o meu livro mais recente, aquele que mais custou a escrever, aquele que me deu mais prazer pessoal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma maldição os escritores escreverem-se sempre a si próprios?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. É resultado da preguiça, do excesso de literatura, e da falta de talento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O dinheiro ganho com prémios de livros, como o da APE, deve ser gasto de que forma especial?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estourá-lo. Gastá-lo. Esmifrá-lo. Não dar troco. Vingar-se dos impostos pagos. Viajar. Comprar discos. Comprar champanhe. Guardar um nadinha para qualquer coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Espera um bom campeonato para o FC Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se for igual ao deste ano não me queixo; é quanto basta. Mas podiam avisar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ter bebido "99 cervejas + 1" levou-o a descobrir o quê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Que é difícil fazer uma cerveja má (mas consegue-se). Que há sempre uma cerveja desconhecida à nossa espera. Que ainda há coisas maravilhosas para beber. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segundo os seus apontamentos, há cada vez mais mulheres portuguesas a beber cerveja. Como vê o prolongamento dessa libertação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vejo muito bem. Um grão na asa é sempre bem vindo em qualquer circunstância. Em loiras, ruivas ou morenas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que é que embirra com as pessoas que usam os óculos de sol como bandolete a partir das 8 da noite?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque é piroso e essas pessoas são pirosas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não gosta de todo de grafitis ou não gosta só dos que vê em Lisboa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de grafitis. De nenhuns. Sou pelas cidades limpas, pelas paredes limpas, pelos jardins arranjados e pela confiscação dos sprays de tinta. E deviam obrigar os meninos a pagar a limpeza das paredes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Preferia ir de férias com Nero Wolfe e Archie Goodwin [investigadores de Rex Stout] ou com os seus PJ's Jaime Ramos e Filipe Castanheira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com os meus, para ver que soluções arranjo para o livro que estou a escrever. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com que figura ficcional precisava hoje de conversar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com a Sra. Condessa de Gouvarinho, de "Os Maias", que era uma senhora muito apetecível, devassa, e falava pouco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No paraíso há livros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há muitos livros. E espreguiçadeiras, máquinas de imperial, vinho branco, praias, horas de sesta, ostras, champanhe gelado, clones de Luana Piovani e de Monica Belucci, charutos (Ramon Allones, churchill), sessões non-stop de CSI Las Vegas, filmes de Felini e de Howard Hawks, e cigarrilhas para dividir com o Manuel António Pina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O paraíso de um escritor é o mesmo que de um jornalista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. O paraíso de um escritor é não ter que escrever. O pesadelo de um jornalista é proibirem-no de escrever. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É no seu blog [http://origemdasespecies.blogspot.com/] que continua a fazer jornalismo: compilatório, vigilante, denunciador. Nasce-se assim ou são os outros que nos fazem ser desse modo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Às vezes é embirração mesmo. O problema é que uma pessoa gosta do seu país, quer que ele seja melhor, e tem aquele fantástico defeito de todos os portugueses – opiniões sobre tudo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-8614567394964503441?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/8614567394964503441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=8614567394964503441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8614567394964503441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8614567394964503441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/francisco-jos-viegas.html' title='Francisco José Viegas'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumFrk0xD6I/AAAAAAAAAZY/kThYa-ZU9co/s72-c/FranciscoJoseViegas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7805207527687920836</id><published>2007-09-13T11:41:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:15:51.140-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gonçalo Cadilhe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Gonçalo Cadilhe</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumFWE0xD5I/AAAAAAAAAZQ/srxlB6rONy8/s1600-h/gonÃ§alo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109761866527215506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumFWE0xD5I/AAAAAAAAAZQ/srxlB6rONy8/s400/gon%C3%A7alo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;“Sou um Dom Quixote pulverizado de cinismo”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Foi contactado por SMS, respondeu por email, no ‘smog’ das Filipinas. Gonçalo Cadilhe, 39 anos, desistiu de picar o ponto. É bem capaz de ser um dos portugueses mais invejados de hoje: a sua vida é viajar e escrever sobre o que vê. Prepara agora um projecto literário sobre Fernão de Magalhães.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 3 de Agosto na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está nas Filipinas. Quer descrever-me o cenário exacto que o rodeia?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É o típico cenário exótico, oriental e pitoresco que todos imaginamos serem as Filipinas: a brisa, a humidade, as palmeiras e uma cortina de smog que não me permite sequer ver se posso ou não atravessar agora a avenida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em Fevereiro foram encontrados pregos dentro de centenas de bananas Filipinas. Trincou alguma por aí?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, nenhum problema aqui. Todas as bananas aqui à venda são importadas do Equador. As bananas das Filipinas, essas são naturalmente exportadas para o Equador. Ah, esquecia-me de dizer: faz parte do esquema de economias de escala e redução de custos da Chiquita. Assim anda a deseconomia mundial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já decidiu para onde seguirá depois?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sigo para Guam, na Micronésia. Ando a visitar os lugares mais significativos da vida de Fernão de Magalhães para um projecto literário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que descobriu o verdadeiro ovo de Colombo ao conseguir viver do prazer de viajar e depois contar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, e já há vários meses, ando mais preocupado com o ovo de Magalhães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é feita a contabilidade do seu copo de água: meio cheio ou meio vazio? Conta os países que já conheceu ou os que lhe falta conhecer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O meu copo anda sempre vazio. Parafraseando (de memória) o poema do Caetano: minha sede não é qualquer copo de água que mata/ minha sede é uma sede que é a sede do próprio mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A viagem é o viajante?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A viagem é o espelho do viajante, cada paisagem mostra-lhe a própria alma que tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando está fora, faz questão de manter-se informado sobre Portugal ou actualiza-se só quando regressa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Faço questão de manter-me desactualizado, à margem mesmo. Quando estou por cá é mais fácil, claro, a natural repulsão por todas essas notícias mesquinhas e frívolas, que não interessam para nada e que no dia seguinte já ninguém recorda, mantém-me naturalmente as defesas alçadas. Viajando é que fica mais difícil resistir a saber coisas, porque as saudades amolecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conhece tão bem Portugal como conhece parte do mundo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Espero bem que não. Seria insultar o resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dá consigo a ter mais saudades de casa ou dos lugares onde não voltará?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Saudades só do futuro, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve pena que o Infante D. Henrique não fosse considerado o maior dos “Grande Portugueses”?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, pena nenhuma. Era só um programa de entretenimento da televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estar permanentemente em contacto com outras culturas abala as suas convicções religiosas, políticas e outras?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, sim. Mas Bush perdeu um potencial defensor da sua política de terra e carne queimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha que a sua legião de fãs fica a dever-se mais às viagens ou à coragem de abdicar de uma vida sedentária?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Creio que a minha popularidade se deve à minha participação regular nas festas do jet set do Agosto algarvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Somos, como alguém escreveu num blog a propósito do seu livro, “todos bastante parecidos quando limpamos o pó das aparências”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Diferentes q.b. para valer a pena andar pelo mundo a procurar as semelhanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lida bem com o mal que vê pelo mundo ou fica a martelar-lhe na cabeça?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou um D. Quixote pulverizado de cinismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Viajar pode ser, também, uma prisão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A prisão não é a viagem, mas sim, parafraseando a Yourcenar, a cela redonda e azul por onde ela se desenrola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escreveu em “A lua pode esperar”: “Temos a idade europeia driblada, do matrimónio adiado, da paternidade esquivada (…) cocktail que mistura conhecimento e irresponsabilidade, cepticismo antigo e leveza amoral, vida fácil e experiência de vida”. Viajar é uma forma consciente de contornar o que para muitos parece uma inevitabilidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tem que ver com viajar, mas com optar por uma vida fácil, sem responsabilidades, num mundo orientado para valorizar tudo o que é ‘fun’, ‘light’, ‘easy’, inconsequente. E precisamente logo agora que temos todas as ferramentas culturais e toda a informação para podermos tomar decisões e opções de vida dignas, profundas, responsáveis. Que paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda leva a prancha de surf e a guitarra para onde quer que vá?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Umas vezes a guitarra, outras a prancha, por vezes as duas e então é uma festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vive um dia de cada vez ou sente a pressão do tempo que nunca chega?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma forma exclui a outra? Sempre pensei que fossem causa e consequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando editou “Volta ao mundo por terra e mar”, em 2004, houve muito quem se queixasse de não encontrar crónicas mas apenas imagens. Estas retaliações surpreenderam-no?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Penso que os protestos se resolveram, poucos meses depois, com a publicação do “Planisfério Pessoal”, o equivalente em texto dessas imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acusam-no de um certo deslumbramento perante a miséria alheia e de a romancear. Quer defender-se?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não quero defender-me. Deve ser uma frase minha qualquer, fora de contexto, que levou alguém a essa conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha que as pessoas esperam de si, também, um olhar crítico, quase político?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não sei o que as pessoas esperam de mim. Já me custa bastante saber o que eu espero de mim. Mas se o que essas pessoas esperam de mim não se concretizar, então significa que formaram uma ideia errada de mim, vá-se lá saber porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resiste aos gadgets que encontra em cada país ou a tecnologia não o fascina?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não resisto ao que me pode ser útil para melhorar a minha qualidade de vida. Creio que tal como qualquer outro ser humano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um relato vale mais do que mil imagens?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Se for escrito pelo Saramago, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em “O canto nómada”, Bruce Chatwin escreveu: “Tive o pressentimento de que a fase ‘andarilha’ da minha vida podia estar a chegar ao fim. Tive a sensação de que, antes de ser contaminado pelo mal-estar do sedentarismo, tinha de voltar a abrir este bloco-notas. Tinha de pôr no papel um apanhado das ideias, citações e encontros que me tinham divertido e obcecado; e que, segundo esperava, esclareceriam o que, para mim, é a questão das questões: a natureza do desassossego humano”. Já sentiu isto, que a sua fase de andarilho podia estar a chegar ao fim?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não senti isso - nem sequer penso numa vida dividida em “fases”. A minha vida tem decorrido de uma forma muito fluida e encadeada, não tem sido uma sucessão de “fases”. Talvez uma sucessão de compassos, numa partitura para improvisação por terra e mar…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7805207527687920836?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7805207527687920836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7805207527687920836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7805207527687920836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7805207527687920836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/gonalo-cadilhe.html' title='Gonçalo Cadilhe'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumFWE0xD5I/AAAAAAAAAZQ/srxlB6rONy8/s72-c/gon%C3%A7alo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-3872924490297487805</id><published>2007-09-13T11:40:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T11:16:25.238-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zita Seabra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSD'/><title type='text'>Zita Seabra</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumCuE0xD4I/AAAAAAAAAZI/Nmoaq4_idDY/s1600-h/zita.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109758980309192578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumCuE0xD4I/AAAAAAAAAZI/Nmoaq4_idDY/s400/zita.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Recusaria editar o livro de Carolina Salgado"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Primeiro, atende o telefone na Alêtheia, editora que lidera desde 2005. Pergunta se a entrevista é sobre o livro de memórias “Foi assim”, que acaba de publicar. Não é. Mas Zita Seabra, 58 anos, talvez a mais conhecida dissidente do PCP, acede na mesma. Da segunda vez, já atende o telefone no Parlamento, onde é deputada pelo PSD. Hoje, vai para o estrangeiro. Respondeu em 24 horas.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 22 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem pena de nunca ter chegado a cumprir um percurso como bailarina?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho, muito particularmente de ter ficado sempre sem saber se um dia teria chegado a pisar o palco do Royal Ballet of London, onde dançou o meu professor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Até que idade brincou com bonecas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A minha mãe diz que até aos 10 anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fica assustada quando jovens de 15 anos aderem actualmente ao PCP ou já não há motivo para isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já não há motivo, nem para eles aderirem nem para eu ficar assustada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem muda radicalmente de partido muda também de amigos e de princípios?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os comunistas, por princípio e por ideologia, colocam o Partido acima de tudo o resto, da família e evidentemente dos amigos. Como relato no «Foi Assim», desde que se tornou conhecida a minha dissidência, ninguém mais me dirigiu a palavra na sede do Partido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Viu serem-lhe fechadas portas quando sair do PCP?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, vi abrir-se-me a vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com essa mudança há uma parte da sua vida a que pura e simplesmente fez "delete"?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Se assim fosse não teria escrito o livro «Foi Assim», as memórias desse tempo da minha vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem pesadelos com o passado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, já tive mas presentemente não. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se houvesse caminhos para o passado, que parte gostaria de recuperar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de emendar o sofrimento que causei aos meus pais nos anos de clandestinidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Contar o passado é uma forma de o arrumar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, é uma forma de impedir que alguém faça «delete» ao meu passado. E contá-lo é também permitir que muitos conheçam a tragédia que foi o comunismo português, mas também a heroicidade dos muitos que lutaram pela liberdade em Portugal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apontam-lhe algumas incongruências no livro. É verdade que as memórias são sempre construídas de acordo com os quadros referenciais do presente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um livro de memórias não é um ensaio nem um manual de história, e este é tão-só o relato na primeira pessoa do que foi a minha vida, desde 1965, quando me fiz militante do PCP com 15 anos, até ter saído do comunismo em Março de 1989. Nas páginas do «Foi Assim», procurei sobretudo escrever com verdade, sem ressentimentos, sem culpas, repito, com verdade, o que foram esses anos da minha vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estar no PCP foi como estar fechada numa espécie de convento?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. Num convento, que eu saiba, não paira a ameaça de se ser preso pela PIDE a cada dia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que o partido a privou de uma vida pessoal normal, sobretudo na adolescência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro que sinto. Não tive adolescência porque aos 17 anos passei à clandestinidade, abandonei a família, a minha casa e fui viver nas mais duras condições como «camarada de uma casa do Partido». &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escreveu: "Aqueles que não lutaram pela liberdade em Portugal não me julguem". Quem, teoricamente, poderia julgá-la?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Refiro-me aos que quando a questão da liberdade se colocou em Portugal não lutaram contra a ditadura de Salazar e Marcelo Caetano e que uns anos depois me perguntam com ar escandalizado: «Mas não via como atropelavam as liberdades nos países do socialismo real?» &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já foi a Cuba simplesmente de férias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, era incapaz. Teria muita pena dos cubanos que estão presos, escritores e jornalistas, nas cadeias da Cuba socialista. Um deles, Raul Rivero, poeta e jornalista, foi há dois anos condenado, juntamente com 75 colegas seus da imprensa, a 20 anos de prisão. Rivero disse: «Eu não conspiro, eu escrevo.» &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem curiosidade em relação ao futuro, pós morte de Fidel Castro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O futuro será a democracia e a liberdade em Cuba. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A ideologia comunista ainda tem futuro ou está condenada?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, a ideologia comunista morreu em 1989 com a queda do muro de Berlim e a implosão do império soviético. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que relação tem hoje com José Saramago?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nenhuma, e vejo com pena que ele queira que Portugal seja uma simples província espanhola. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mudando de assunto, gosta de centros comerciais?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É lá que vê cinema? Ou prefere outras salas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Escolho as salas pelos filmes, o que faz com que por vezes vá a salas velhas e incómodas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que tipo de livro recusaria editar? (A D. Quixote, por exemplo, editora de Lobo Antunes, rendeu-se ao livro de Carolina Salgado…)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O livro de Carolina Salgado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse ter ficado aliviada quando, em 2000, Manuel Maria Carrilho se demitiu do Ministério da Cultura. Sentiria, hoje, o memo em relação a Isabel Pires de Lima?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-3872924490297487805?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/3872924490297487805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=3872924490297487805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/3872924490297487805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/3872924490297487805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/zita-seabra.html' title='Zita Seabra'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumCuE0xD4I/AAAAAAAAAZI/Nmoaq4_idDY/s72-c/zita.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-2631069037998118204</id><published>2007-09-13T11:33:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:19:28.761-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filipe la Féria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Filipe La Féria</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4tgCAiVCI/AAAAAAAABy8/1pC_Y6Opct8/s1600/Filipe+la+FÃ©ria.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489375024129397794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4tgCAiVCI/AAAAAAAABy8/1pC_Y6Opct8/s400/Filipe+la+F%C3%A9ria.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;"O protesto na estreia do musical foi extraordinário"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Fair play. Será esta a expressão que melhor define Filipe La Féria, que fala despudoradamente sobre quase tudo. O empresário respondeu em 24 minutos à entrevista, no Rivoli, polémica casa que poderá ser dele nos próximos quatro anos. Ou não. A conversa prolongou-se, em off, com o encenador no lugar de entrevistador.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada na série Farpas do Jornal de Notícias a 22 de Julho de 2007]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A sua entrada no Rivoli dava um musical?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dava um musical muito interessante. Seria uma comédia, porque a vida tem essa coisa extraordinária: é trágica na sua essência, mas é cómica porque é efémera. Nada vale nada. O que é muito importante hoje, amanhã deixa de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem faria de Rui Rio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem faria a figura do Rui Rio. É um actor muito sui generis. Mas talvez o Ruy de Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem faria de Filipe La Féria?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Isso já se fez muitas vezes. No “Passa por mim no Rossio”. Mas a pessoa que me imita melhor é o José Raposo. É extraordinário. É, de facto, um dos maiores actores, senão o maior da geração dele. É genial. Ele imita-me de uma maneira tão engraçada, que iludia as pessoas nos corredores; as pessoas pensavam que era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sentiu-se beliscado pelo protesto que houve na estreia de “Jesus Cristo”, no Rivoli?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, achei extraordinário. Gosto muito de protestos. Eu e o Mário Viegas, uma vez, levamos a maior sova das nossas vidas por termos subido ao palco na primeira revista reaccionária que se fez em Lisboa. Ainda bem que há protestos; é porque vivemos em democracia. Todas as pessoas devem expôr as suas razões. Nada me belisca, porque acredito em mim; sei o que valho. A minha família deixou de me falar por eu querer cumprir o meu sonho. Se aguentei isso, porque não haveria de aguentar o resto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O musical custou 2,5 milhões de euros. Tem noção de que é a verba anual de alguns Teatros em Portugal?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Os teatros subsidiados também têm que fazer dinheiro. 2,5 milhões é pouco. A “Música no Coração”, ao fim de dez meses, ultrapassou dez vezes o que gastei. Tem que haver risco e um lado material para os negócios andarem. O Teatro Nacional de Londres tem várias produções: mais intimistas para um público mais restrito, mas também tem os grandes musicais: “Os miseráveis”; o “Cats”. Shakespeare também tinha que pagar aos actores e não era a Isabel I que lhe dava o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é o cachet médio dos seus actores?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cerca de 200 contos mensais. E, na minha companhia, pagos a tempo e horas. É Um bocadinho mais do que num Teatro Nacional, porque também trabalham mais, sete sessões por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na blogosfera pergunta-se muito quem é a dona Ermelinda de “Todos ao palco”. Quem é?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É uma grande amiga; uma mulher que gosta muito de teatro, uma pessoa que me acompanhou sempre, quase da familia, e que foi bilheteira na Casa da Comédia. É a principal responsável pela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem é o seu principal concorrente em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não há, infelizmente. Devia haver mais empresários a arriscar. O teatro não devia ser tão dependente de um Estado miserabilista e financeiramente paupérrimo. Mesmo os hospitais, em Portugal, parecem uma guerra. Há problemas tão graves neste país que defendo que o Estado deve incentivar as criações artísticas, mas não na totalidade. A minha geração foi de risco. Muitos ficaram pelo caminho. Mário Viegas, António Cruz ou a Teresa Roby, uma actriz que começou comigo e que tem muito a ver com a história da minha vida. Morreu aqui, no Porto, há quase três anos. Foi uma geração que viveu sempre sobre o fogo. Atravessámos um período extraordinário da História de Portugal, da ditadura para a democracia. Vivíamos num quarto escuro e depois abriram-se as janelas para o mar até muitos sufocarem. Foi uma vida perigosamente vivida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portugal é um país de invejosos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um país pequeno, é como viver numa aldeia. Na aldeia, as pessoas conhecem-se: nos momentos difíceis talvez haja grande solidariedade, mas há, também, esses sentimentos mesquinhos. E não podemos esquecer-nos que somos muito fechados. Lembro-me de ter ido a Paris, pela primeira vez, quando tinha 16 anos. Achei que ia para outro planeta. Era uma diferença muito grande. Nós vivíamos na aldeia salazarista, pequena, fechada. Não se faz uma revolução de um dia para o outro. A cabeça das pessoas ainda vive nesses quartos escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vê teatro nas férias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Só vejo. As minhas férias são passadas em Nova Iorque (onde, neste momento, está a minha filha a estudar) ou em Londres, os grandes centros de teatro. É o que eu gosto. O segredo da vida é fazer aquilo de que gostamos. O mundo é um sítio muito frágil para vivermos. E difícil. Só vale mesmo a pena se fizermos o que gostamos. Não sou contemplativo para ir para a praia, aborrece-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já foi ao teatro no Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, mas gostava de ir ver “As noites de iguana”. É feito por uma grande amiga, a mulher mais bonita que houve no teatro. A Estrela Novais parecia uma fada quando aparecia no palco. E, depois, adoro Tenesse Williams, que é o autor que mais me influenciou. O meu maior desejo era fazer “Um eléctrico chamado desejo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Porto representa uma oportunidade real de mercado ou o desejo de trabalhar com outras pessoas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As duas coisas. Tudo é bipolar na vida. Aqui há pessoas com muita vontade de fazer coisas. Os actores chegam antes da hora ao Rivoli, gostam do que estão a fazer e isso entusiasma-me, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trocaria Lisboa pelo Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou um cidadão do mundo. Estiva no Alentejo, nos últimos dias, e tive saudades do Porto, porque a cidade tem uma coisa diferente de Lisboa. As pessoas são muito afáveis. Conto-lhe uma coisa comovente: eu entro no táxi e não pago; no hotel, nos restaurantes, almoço e janto e não pago. As pessoas não me deixam pagar. Os meios pequenos têm essa vantagem. Em Nova Iorque, se cair para o chão passam-lhe por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que faz no Porto quando não está a trabalhar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nada. A minha vida é do hotel para o Rivoli. E o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é tratado em Serpa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é Serpa; é aldeia de Vila Nova de S. Bento. Eu sou ainda mais aldeão. As pessoas são maravilhosas, fizeram-me uma homenagem na casa onde nasci, que me comoveu muito. Está lá: "Aqui nasceu Filipe La Féria".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É o orgulho da terra?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não sei se sou o orgulho da terra, mas a terra é o meu orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vai lá muitas vezes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Às vezes. Tenho lá um monte, próximo de Barrancos. É sempre um encontro com o passado, com as pessoas que morreram, com os meus pais, com a minha família. Tem esse lado nostálgico, e a nostalgia é sempre dolorosa. Há sempre um tempo que, irremediavelmente, não volta e do qual nos despedimos. Muitas vezes, em sonho, ainda revejo aquilo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu mau feitio é um mito?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Sou uma pessoa muito exigente e frontal. Se não fosse assim, não conseguia espectáculos de excelência, como o “Jesus Cristo Superstar”. Na vida, tudo se faz à custa de sangue suor e lágrimas. O grande poder do homem é transformar as coisas. É por isso que sou encenador. Gosto de transformar. Peguei no Politeama e no Olímpia, que eram cinemas pornográficos. E ver, depois de 14 anos, que a rua do Politeama se transformou, é um orgulho muito grande. Aquilo era uma rua de traficantes, droga e prostituição; agora está cheia de cafés, restaurantes e de luz. Foi aquele pequeno teatro que transformou aquilo tudo. “Uma pequena luz bruchuliante”, citando Jorge de Sena, transforma tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que relação tem com Jesus Cristo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sou crente, católico, mas não praticante. Cristo é um grande ícone da nossa História; mostra-nos a bondade. Depois de tanto que se sofre na terra, ainda temos a capacidade de ser bons. Mas as palavras estão muito alteradas, hoje. Vivemos num grande centro comercial das palavras. E a bondade é muito difícil de se conseguir. Como é difícil amar, compreender o outro, amar o próximo. Já passei momentos muito difíceis na minha vida e acredito piamente em Cristo. Acredito que o homem tem outro estádio mais elevado. Acredito no espírito; que a vida não é só isto. Acredito que há mais qualquer coisa. Mas sem entrar em misticismos, que não sou místico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É egocêntrico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou, todo o homem é. A grande mensagem de Cristo é essa luta contra o nosso egoísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente-se sozinho?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Também, tudo se paga. Há sempre essa grande condenação, que é a solidão. Mas a minha é povoada, porque gosto muito de ver filmes. Todas as noites, vejo um filme. E sou viciado em leitura. Tenho sempre, nas mesinhas de cabeceira, muitos livros. Mas não tenho tempo para fazer tudo o que quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava que publicassem a sua biografia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho cinco editoras a pedirem-me o mesmo e estou sempre a inventar desculpas. O Tito Lívio, crítico e escritor de teatro, está zangadíssimo comigo, porque já fizemos duas sessões e ainda faltam muitas. Mas eu acho que a minha vida não vale a pena. Tenho sempre a pretensão de que ainda tenho muito que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lê o que escrevem sobre si?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. Não tenho paciência, nem curiosidade. Tenho 40 anos de teatro. Já aprendi a separar o trigo do joio. É tudo muito efémero. O Vítor Garcia, que foi meu mestre, dizia que o importante é continuar para a frente. O teatro tem uma coisa: vale pelo que você apresenta. Independentemente do seu grupo de apoio, só conta se chegar ao coração das pessoas. Por que esgoto espectáculos? Eu não gasto muito em publicidade, nem em marketing. Faço um marketing caseiro. São as pessoas que fazem o teatro. O único segredo dos êxitos das peças é gostar primeiro de fazer um trabalho honesto para mim próprio. Não obriguei 20 mil pessoas a vir aqui. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-2631069037998118204?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/2631069037998118204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=2631069037998118204' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2631069037998118204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2631069037998118204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/filipe-la-fria.html' title='Filipe La Féria'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4tgCAiVCI/AAAAAAAABy8/1pC_Y6Opct8/s72-c/Filipe+la+F%C3%A9ria.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-9186053515704061778</id><published>2007-09-13T11:32:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:20:19.631-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Felícia Cabrita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Felícia Cabrita</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul1Bk0xDtI/AAAAAAAAAXw/003MSZdp0V0/s1600-h/felicia1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109743922153852626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul1Bk0xDtI/AAAAAAAAAXw/003MSZdp0V0/s400/felicia1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;"Pinto da Costa deve ter&lt;br /&gt;um segredo como o de Fátima"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sábado à noite. Felícia Cabrita, 43 anos, responde por telefone às perguntas que recebeu minutos antes. Era a única exigência: responder no período desecelerado de fim-de-semana. Subtrai ao lazer 27 minutos. Jornalista de investigação do Expresso, onde desenterrou o caso Casa Pia e, agora, do Sol, onde publicou, a quatro mãos [com Ana Sofia Fonseca], a biografia de Pinto da Costa, afirma: “Sou eu que atiro os foguetes.” &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 23 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse, a propósito de Carolina Salgado, que "ela fala como se fosse uma criança irresponsável". Como fala Ana Salgado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando ouço as várias horas gravadas em cassetes - disponíveis para a Justiça ouvir quando quiser - da longa entrevista que me foi dada por Carolina Salgado; quando me lembro de crimes relatados por ela com toda a tranquilidade - estamos a falar de crimes como as agressões feitas ao ex-vereador do PS da Câmara de Gondomar - dizendo que, a mando de Pinto da Costa, contratou pessoas para o limparem; quando nas mesmas cassetes ouço Carolina Salgado dizer que já tinha feito outros serviços iguais, mas com resultados melhores – lembre-se que Ricardo Bexiga não foi morto – e que, geralmente, o fazia depois de deitar as crianças; quando, durante a minha investigação, constato que Carolina mente quando diz que destruiu as câmaras de filmar onde esta agressão ocorreu, quando a Câmara do Porto me diz que neste parque de estacionamento nunca houve câmaras de filmar, o mínimo - e com toda a bondade -, que se pode dizer é que estamos a falar de uma criança irresponsável. Em relação à Ana Salgado, nunca falei com ela. Nisto, sou como os grandes assaltantes de bancos: um bom profissional não assalta dependências; eu não faço gemadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para justificar a ausência de Pinto da Costa no lançamento da sua biografia, sugeriu que ele estaria a preparar-se para anunciar uma espécie de bomba, que nunca chegou a rebentar. Já pode desvendar o que era?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Essa informação foi-me transmitida por alguém próximo de Jorge Nuno Pinto da Costa, e se ele até aqui não a revelou, é porque deve ser um segredo com a dimensão do segredo de Fátima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De todas as biografias que assinou (Valentim Loureiro, Capitão Roby, António Salazar…), Pinto da Costa foi o único a ganhar a sua simpatia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É preciso ler todas as minhas biografias para chegar à conclusão que trato alguém com simpatia. Houve alguém relacionado com uma das biografias que escrevi que, após a saída do primeiro capítulo [foi publicada em dois capítulos], tentou passar-me a mão pelo pêlo. Respondi-lhe que quando escrevo não tenho coração. A senhora revelou um humor que, até aí, não tinha revelado e perguntou-me se o coração depois voltava para o mesmo lugar. Em relação à biografia de Pinto da Costa, não respondo; pergunto: qual foi a jornalista que, até agora, falou dos assuntos, alguns bastante melindrosos, que são tratados nesta biografia que, aliás, é assinada por duas pessoas [com Ana Sofia Fonseca]. Falar é fácil; investigar, escrever e publicar é mais complicado. Sobretudo para quem, como é hábito, e é reconhecido no panorama que se vive neste momento em Portugal, faz jornalismo oficial e sentado na cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seria capaz de o investigar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Com certeza. Quando escrevo uma biografia tento esgotar o assunto. E penso que o tenho conseguido. Mas, se por acaso, surgir qualquer caso relacionado com essa pessoa, que me leve a outra investigação, obviamente que o farei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A relação com as fontes é, inevitavelmente, um exercício de sedução?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Podia responder-lhe com a sua forma de introduzir este texto, que é, obviamente, uma tentativa de sedução. Mas aquilo que lhe respondo (e depende das fontes que estamos a falar, porque há fontes que preservamos ao longo do tempo) é que aquilo que faz um bom jornalista é a sua boa agenda. E eu tenho muitos anos de carreira. Tenho, pelo menos, dezoito. Portanto, tenho uma excelente agenda. O fundamental no trabalho com as fontes é ouvi-las muito bem e ‘chekar’. São as regras básicas do jornalismo: ouvir a fonte e ‘chekar’ o que ela diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No fim de uma investigação, mantém as fronteiras estabelecidas ou consegue criar uma relação de amizade com uma fonte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depende dos casos. Mas eu sou uma pessoa muito solitária. Felizmente, não tenho relações com partidos, com o poder, nem com clubes de futebol. O que me faz, de facto - e deve ser um defeito de carácter -, não ter grandes relações. O que não quer dizer que, no fim de determinados trabalhos, não se ganhe alguma simpatia por esta ou aquela pessoa. E quando estamos a falar de trabalhos, estamos a falar de trabalhos de investigação onde vejo muita gente. E portanto, posso ter mais simpatias por umas do que por outras. Em relação a figuras com trajectos tão diferentes como Jerónimo de Sousa e Mota Amaral, penso que, de parte a parte, a simpatia é mútua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A blogosfera não é particularmente generosa consigo. Li que é "fria", "ambiciosa", que se comporta como "oficial da Gestapo" e que "persegue os seus 15 minutos de fama". Fica magoada com o que se foi começando a escrever sobre si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A inveja é a melhor terapia dos preguiçosos. A blogosfera diz tudo isso a meu respeito. Mas eu gostava de conhecer jornalistas que já tivessem abandonado bons tachos como eu tinha no Expresso; que já se tivessem demitido de revistas como a “Grande Reportagem”, após ter sido despedido o director [Joaquim Vieira] com o qual eu tinha sido convidada a trabalhar, que foi despedido por razões políticas e não jornalistas, e na sequência do qual me demiti, ficando um ano no desemprego. Estas são as minhas maiores glórias no exercício do jornalismo e não sei se muita gente as tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O protagonismo que ganhou é uma consequência inevitável das suas investigações ou admite ter sede de reconhecimento?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Do protagonismo que ganhei, só os outros podem falar. Continuo a fazer exactamente o mesmo tipo de trabalho, exactamente o mesmo tipo de investigação e, sobretudo, continuo a trabalhar, o que também não é muito frequente na nossa classe. E, como é do domínio público, sempre com temas muito difíceis de investigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma subversão de valores um jornalista desatar a dar entrevistas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou farta de ouvir moralistas da nossa classe, isto é, falsos homens bons, defenderem essa tese para a subverterem no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E usar uma investigação para a adaptar a uma série televisiva, como fez com "Ballet Rose"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não entendo como é que não se percebe a diferença entre uma coisa e outra: uma investigação é uma investigação; uma série televisiva é uma série televisiva. Ainda que, às vezes, em Portugal, não pareça, o trabalho jornalístico tem autoria. Estou cansada de ver trabalhos iniciados por mim e depois explorados por outros, como se os meus não tivessem existido: caso ‘Casa Pia’; caso ‘Madeleine’, nos últimos tempos; caso ‘Pinto da Costa’, com os últimos acontecimentos. A partir de seis meses, o jornal perde os direitos sobre o trabalho publicado. Portanto, passo a ter o direito em relação àquele trabalho. E esse trabalho passou a fazer parte da minha experiência de vida e eu uso-o como quiser: em livros, em ficções…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É muito frequente pedirem-me o seu contacto. Sente que as pessoas a vêem como uma justiceira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Sinto é que as pessoas verificam – e é esse o meu grande prazer enquanto jornalista – que os meus trabalhos têm resultados imediatos. E como as pessoas cada vez se sentem mais desprotegidas perante o nosso sistema de Justiça, posso dizer-lhe que alguém me entregou, há duas semanas, uma mala cheia de cassetes pedófilas e um saco com muito material pedófilo. Disse-me: "Eu prefiro falar consigo do que falar com a Polícia, porque tenho visto o resultado dos seus trabalhos". Por acaso, fiz questão de entregar, através da minha advogada, este material às autoridades, porque achei, como cidadã, que, às vezes, o trabalho jornalístico atrapalha casos que devem ser de resolução imediata. Como sou uma pessoa por natureza desconfiada, e com muita experiência, como é óbvio fiquei com cópias de tudo. Caso a justiça não seja feita, darei continuidade a este trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez sentiu realmente medo durante a investigação do processo "Casa Pia"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca direi: “Nunca me deixo intimidar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O 'Expresso' tentou demovê-la da saída do semanário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A única pessoa que tentou demover-me foi o doutor Francisco Pinto Balsemão, por quem continuo a ter muito respeito. Mas as mudanças, às vezes, são inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que razão saiu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não costumo falar mal, nem morder a mão que me deu pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As vendas do 'Sol' são um desapontamento para si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A temperatura do sol está em bom caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que brinde ofereceria no 'Sol' se o 'Sol' oferecesse brindes?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sou uma péssima rifa para muita gente, mas um excelente brinde para o “Sol”. O "Inimigo público" já chegou a sugerir ao semanário que fossem oferecidas ‘Felícias’ insufláveis. E eu concordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que investigação gostaria de ter feito e perdeu para outro colega?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Geralmente, sou eu que atiro os foguetes; eles apanham as canas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que uma licenciada em Línguas e Literaturas Modernas vai parar ao jornalismo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;São acasos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A profissão é uma obsessão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sou uma pessoa com obsessões; sou uma pessoa normal. Uma pobre provinciana algarvia que, apenas, leva a sua profissão muito a sério. Como gostaria que os meus colegas de profissão o fizessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em 2000, dividiu a autoria do programa "Sex-appeal" [apresentado por Elsa Raposo] com Júlia Pinheiro. Qual foi a sua motivação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gosto de variar e, sobretudo, gosto muito de me divertir. Foi um programa completamente inovador em Portugal, pedagógico e divertido. Foi várias vezes repetido em horários diferentes e já muito boa gente se inspirou nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lembra-se da sua infância na Quarteira?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Foi uma infância muito feliz. Nasci ao pé do mar. Como diz o poeta Herberto Hélder: "Quem nasce ao pé do mar, é boa pessoa." Mas poucas pessoas pensam isso de mim. Hélas! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-9186053515704061778?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/9186053515704061778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=9186053515704061778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/9186053515704061778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/9186053515704061778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/felcia-cabrita.html' title='Felícia Cabrita'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul1Bk0xDtI/AAAAAAAAAXw/003MSZdp0V0/s72-c/felicia1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7970801727410745135</id><published>2007-09-13T11:31:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T11:20:51.146-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conceição Oliveira'/><title type='text'>Conceição Oliveira</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul2A00xDuI/AAAAAAAAAX4/HpsZ3BNt9aw/s1600-h/conceicao+oliveira.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109745008780578530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul2A00xDuI/AAAAAAAAAX4/HpsZ3BNt9aw/s400/conceicao+oliveira.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Quase todos os arguidos tentam seduzir-nos"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A tende o telemóvel na véspera de fim-de-semana. Responder à entrevista não é, claramente, o que mais lhe apetece fazer. Mas envia as respostas por mail ainda antes de o domingo terminar. Conceição Oliveira, 49 anos, magistrada celebrizada pelo caso Moderna, acaba de pedir a jubilação. Na manga, está um livro, já escrito, sobre histórias na justiça.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 24 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faz inimigos com facilidade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Faço facilmente amigos e crio facilmente inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava de ter usado um vestido em julgamento em vez de ter que pôr a beca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gostava muito de ter usado um belíssimo vestido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Compra revistas femininas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou vaidosa e compro revistas femininas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perde a cabeça por uns sapatos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algum arguido tentou, alguma vez, seduzi-la?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quase todos tentam, no sentido mais natural do termo. Tentam obter as nossas graças, a nossa pena e muitos apelam ao facto de serem homens e nós, apenas e afinal, no fundo, UMA MULHER ali na frente deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houve quem a acusasse de ter grande desejo de protagonismo, nunca resistindo a aparecer na Televisão. Tinha essa sede?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Foi a Televisão que não resistiu a dar-me protagonismo, porque eu dava boas audiências. Falava bem. Não tinha o rosto de um Juiz Convencional. Recusei muitas idas à Televisão. Os que me acusaram de desejo de protagonismo não percebem nada de ideias, de coisas autênticas e, sobretudo, que aspiro a muito mais do que aparecer na TV. Queria apenas transmitir o pouco do meu saber próprio e as televisões deram-me a oportunidade. Só os nacionais e tradicionais invejosos deste pequeno país não viram isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve uma espécie de ressaca desse mediatismo relâmpago que obteve em 2001, com o caso Moderna?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De modo algum. Foi com certo alívio que senti o mediatismo e a pressão que ele exerce a afastarem-se de mim, gradualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A capacidade de um juiz está mais à prova num processo mediático?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro que está. Verdadeiramente, é nesses processos que se exerce o “escrutínio do Povo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua vida recuperou o equilíbrio ou nunca mais voltou a ser o que era?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha vida recuperou equilíbrio, mas eu nunca mais voltei a ser a mesma pessoa. A sensibilidade passa a ser outra, como se por mim em vez de passarem dois anos, tivessem passado 20, e tivesse dado várias voltas ao mundo num transatlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um dos arguidos do caso Moderna, chegou a enviar-lhe o livro “Manual do assassínio político”. Teve a tentação de o ler?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Não o abri sequer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que tipo de ameaças concretas recebeu no exercício das suas funções?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Recebia muitas cartas anónimas de conteúdo incompreensível. Recebi uma carta com pó branco, que foi submetida a análise por suspeita de conter “ Antrax” e recebi varios telefonemas de pessoas que, sem se identificarem, diziam que queriam falar comigo. Ainda recebi uma carta contendo uma faca. Várias pessoas contactavam-me, dizendo que outras pessoas, a quem se referiam como importantes, queriam ter encontros discretos comigo, sendo o concretizável insusceptível de produzir mais ameaça do que todo o ambiente gerado, que era de ameaça permanente, em cada folha do processo , no rosto de medo da cada funcionário, nos olhares dos advogados e dos arguidos. Como se a todo o momento, a partir da altura em que foram decretadas prisões preventivas, houvesse um paiol de pólvora pronto a explodir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para quem nunca teve um guarda-costas, conte lá como é. É uma pessoa que está connosco sem estar ou alguém com quem se vai falando?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um segurança pessoal, que é a designação própria aqui ,em Portugal, é alguém que é pago para nos proteger a vida. É, portanto um incondicional, com quem se fala e a quem se respeita muito, porque essa pessoa tem por missão proteger-nos de um mal iminente ou longínquo e seria impossível não ter diálogo com uma pessoa investida de tal missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda há pessoas acima da lei, em Portugal?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Acima da lei não há ninguém. Há os fora da lei, os foragidos , os procurados pela lei e os que se pensam acima da lei. Mas, para estes a lei tem sempre vias, caminhos e Magistrados e ás vezes com azar para eles as vias e os caminhos convergem e O Magistrado lá estar para fazer com que a lei também sobre eles se exerça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Deixar um caso a meio, seja ele qual for, e seja por que motivo for, é um sinal de fraqueza? De falta de coragem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os motivos são sempre relevantes e são esses os indicadores da fraqueza ou da falta de coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que as pessoas, mesmo as que não gostam de si, têm uma certa reverência só por ser juíza? Os títulos ainda pesam em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sinto. Os títulos pesam demasiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pediu a jubilação. Disse que está cansada de fazer julgamentos e que pretende dedicar-se a outras actividades. De lazer ou de intervenção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sobretudo de intervenção, se possível na área da Justiça. Tenho um livro Escrito em metades sobre “histórias na Justiça”.Mas também gostaria de intervir noutras áreas, ligadas à arte, ao teatro, ao cinema, à arquitectura, ao urbanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não a incomoda esta necessidade que toda a gente parece ter de registar a sua vivência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Incomoda. Por isso, ainda não publiquei nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Miguel Júdice disse, recentemente, que está sempre do lado de quem tem um processo disciplinar pela forma como fala ou deixa de falar. Também ficou solidária com ele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não sei responder a essa pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jorge Luís Borges, um dos seus escritores de eleição, escreveu: “Fechaste alguma porta pela certa. E para sempre. Um espelho em vão te aguarda”. Que imagem lhe devolve o espelho que eventualmente a aguarda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gosto de Borges de uma maneira quase irracional e quanto mais sei dele ou leio ou recordo frases dele, mais sinto que a literatura me devolve a mim própria à essência do que sou. Espero que a imagem seja Eu, plena, segura, radiosa e fresca para que a eternidade esteja onde eu estiver! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7970801727410745135?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7970801727410745135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7970801727410745135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7970801727410745135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7970801727410745135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/conceio-oliveira.html' title='Conceição Oliveira'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul2A00xDuI/AAAAAAAAAX4/HpsZ3BNt9aw/s72-c/conceicao+oliveira.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7054302005452071761</id><published>2007-09-13T11:31:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:21:27.636-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Regina Guimarães'/><title type='text'>Regina Guimarães</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul24U0xDvI/AAAAAAAAAYA/tXqS-xQFk2w/s1600-h/regina.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109745962263318258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul24U0xDvI/AAAAAAAAAYA/tXqS-xQFk2w/s400/regina.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Onde quer que haja uma luta, eu quero estar"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chega ao Palácio de Cristal à hora combinada. Propositadamente, não haverá perguntas sobre nomes ou factos concretos. Mas são eles que, veladamente, ditarão as respostas ao longo de meia hora. Regina Guimarães, 50 anos, professora reformada, porta-voz da luta contra a privatização do Rivoli, não se furta aos confrontos.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 25 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depois de ter sido acusada de invadir um espaço público [Rivoli], que tipo liberdade consegue ter no Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Risos] Neste momento, estou naquela situação um bocado cómica de ter que pedir autorização à policía para sair cinco dias do Porto. O Saguenail [marido] diz muitas vezes, e com muita razão, que “a minha liberdade começa onde começa a dos outros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma variação da frase original…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Exactamente. É muito difícil sentir-me livre quando, à minha volta, os outros não estão a fruir de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E não fruem porquê?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Porque não têm condições sociais – têm vidas tão dificeis e a luta pela sobrevivência é terrivel -, ou porque as pessoas se conformam na autocensura e interiorizaram determinados juízos de tal maneira que, às vezes, para fazerem coisas simples se acham vigiadas, dependentes da autorização superior. Dizer que existe uma autoridade toda poderosa é um belo refúgio para quem não quer exercer a liberdade que nos resta. Porque a que nos resta é a mesma que nos obriga a conquistar mais liberdade. E isso dá trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer dizer que “o inferno são sempre os outros”?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. Deus me livre. Gosto demasiado dos outros. Escrevo muito para a gaveta e devo-o aos outros, às conversas que ouço, não por curiosidade, todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saguenail diz também que “metade do Porto é sonho americano importado; a outra metade é ruína”. Concorda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro. Vamos pela rua fora e só vemos ruína. As coisas deixadas ao abandono partem-me o coração. Por outro lado, há uma espécie de explosão de cogumelos dos quais não se percebe o futuro. Parece que estamos a viver um fim do mundo e, ao mesmo tempo, o começo de outro que está também condenado à ruína. Uma coisa como o Dallas [shopping] não tem 50 anos. O edificio transparente foi construído sem se saber o que haveria de ser colocado lá dentro. É sinistro. Há uma inversão extranha da ordem das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que não tem televisão nem telemóvel?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tenho um aparelho, que é uma televisão, mas que não está sintonizada. Como trabalho em audiovisuais, dá jeito poder visionar os filmes. Mas isto não tem nada de extraordinário. Aliás, é muito egoísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Egoísta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em casa dos meus pais havia televisão e até se via muito, sobretudo naquela época do 25 de Abril, em que as pessoas andavam perfeitamente agarradas a tudo o que desse notícias. A partir do momento em que comecei a viver com o Saguenail, começamos por não ter dinheiro para comprar televisão e, quando vieram as crianzas, decidimos que não queriamos ser escravizados por aquele objecto e desabituámo-nos da ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca vê nada na televisão?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Às vezes, no café. Há aqueles momento muito divertidos em que está toda a gente a torcer pela equipa nacional e eu vou lá só para estar no meio daquele entusiasmo um bocadinho surrealista. E se houver algum programa que me interesse, como o Prós e o Contras sobre o Porto, vou a casa da minha filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostou do que ouviu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nesse caso, não devia ter saído de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Imagino-a sempre dentro de “Os sonhadores” de Bertolucci, em 68, na explosão das crises estudantis na Europa. Como se a luta tivesse mudado, mas nunca acabado...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nunca fui pessoa de ideais. Sou muito terra-a-terra, muito ligada às práticas e ao pulsar da existência. Em 68 era criança. Os anos 60 são a saída da escola primária e a entrada num liceu autoritário. Só mais tarde me abro para o mundo, para as questões sociais e políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não me refiro a uma luta datada, mas a um espírito de luta permanente.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É verdade, as minhas lutas nunca acabaram, se bem que “luta” é uma palavra feia. Parece que estamos numa guerra qualquer, embora não tenhamos sido nós a inventar esta guerra social em que nos encontramos. Reaje-se mais quando se tem determinadas convicções – não ideais. O ideal pressupõe a existência de uma solução perfeita e não acredito nisso. Digamos que as minha convicções dão origem a confrontos e a isso nunca me furtei. O que não significa que ao longo da vida não tenha mudado nada. A idade passou por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é a sua luta agora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há um filme que me comove profundamente, porque tem a ver com o meu estado de espírito: “As vinhas da ira”. No fim, aquela personagem extraordinária despede-se da mãe e diz-lhe: “Onde quer que haja uma luta, eu quero estar”. É isso. Não tenho nenhuma luta especial, nem nenhum ideal cimentado. Mas tenho uma sensação de revolta em relação a inúmeras coisas. E embora não possa estar em todas, tento estar em quase todas as do cuotidiano. Tento construir as lutas onde são necessárias. Sobretudo naquelas questões – que são aquelas pelas quais ultimamente me tenho tornado mais conhecida – que têm a ver com o que é de carácter público, porque têm a ver com o entendimento das relações humanas. Há um discurso, que se tem tornado banal nesta sociedade de mercado neoliberal, que é a ideia de acabar com os assistidos. Como se não fossemos todos assistentes e assistidos. Essa ideia, a ser levada às últimas consequências, vai provavelmente fazer com que as catástrofes provocadas pelos próprios homens ainda sejam mais rápidas na destruição do que as catástrofes naturais que se anunciam. Sinto essa luta pelo que é público como essencial. Não quer dizer que as ideias que tenho sobre o que deve ser o espaço público sejam iguais, ou que as queira impôr às pessoas. O que eu gostaria é que essa minha preocupação fosse partilhada com mais pessoas e que mais pessoas tentassem respostas. Ao contrário do que muita gente diz, não sou passionária. Sou muito limitada em muitas coisas e apaixonada mas muito pelas coisas que estão perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A realidade empobrece se se lutar menos pelos sonhos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O sonho é uma coisa complexa. Manoel de Oliveira fez aquela coisa [“Vale Abraão”] sobre a Madame Bovary. Ela é o exemplo de uma mulher que sonha e é vítima dos seus próprios sonhos. Porque não consegue viver com eles. A convivência desses sonhos com o seu quotidiano medíocre é insuportável. O sonho é um pau de dois bicos, embora o homem só faça o que sonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem aversão à sociedade de consumo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É muito fácil dizer que tenho. Por razões completamente racionais e, sobretodo, de gosto. Aprecio pouco vivências em que o ‘ter’ seja mais importante que o ‘estar’. Mas é óbvio que ninguém é completamente insensível a este bombardear permanente das quesotes do consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que há em si de futilidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Adoro festas, dançar, estar com pessoas, deleitar-me a ouvir conversas de café, não ter nada para fazer…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas isso é fútil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em que é que isso contribui para um bem comum? Em nada. Nem estou a fazer avançar nenhum projecto pessoal. É puro prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O prazer é futil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pois, acho que não. Mas é a isso que chamamos fútil, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O fútil é também uma rendição ao supérfluo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é isso do supérfluo? Depende muito do ponto de vista. Há determinadas coisas cuja utilidade não é óbvia, mas que fazem surgir outras utilidades. Isso pode ser perverso, porque pode criar necesidades negativas, suicidas; mas há outras coisas em que isso não é verdade. Não é por eu nunca ter provado sopa de tarataruga que ela não é boa. No entanto, é absolutamente supérfluo eu vir a provar sopa de tartaruga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está casada há mais de 30 anos e só esteve separada do Saguenail 24 horas. É a prova de que é possível viver e trabalhar com a mesma eessoa e para sempre?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O amor, enquanto relação exigente que abre para o mundo, é uma coisa que poderia ser uma chave importante de aperfeiçoamento das relações humans. Seja que tipo de amor for. No caso de dois adultos, o que há a trabalhar é a abertura para o exterior. Costumo dizer que o amor é uma coisa que se grita na rua. Não é andar com bandeirolas, não é isso. Mas nunca comprendi o charme do amor clandestino, no sentido em que significa levar até às últimas consequências o ensimesmento das pessoas, a virarem-se cada vez mais para dentro de si, para o umbigo. Enquanto que, noutras condições, o amor pode ser um factor de paixão pelas coisas do mundo, de uma forma mais aberta. O segredo da durabilidade do amor, é saber apreciar isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sendo professora porque é que optou por não colocar as suas filhas na escola?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu sofri muito, muito na escola primária, não gostei nada de andar lá. Mas isso era um projecto mais vasto; não consistia em não mandar os meus filhos para a escola. A ideia, na altura, era criar condições para que as crianças de vários pais pudessem estar juntas e serem, alternada e sucesivamente, os diferentes pais a tomarem conta delas. As pessoas com cuja colaboração contávamos cortaram-se e começaram a achar que a escola era um elemento de socialilização muito importante, e que se as crianças não fossem para a escola ficavam uns bichos do mato. Depois, havia o temor em relação ao aproveitamento escolar, à aquisiçao das aprendizagens fundamentais, o que a nós, como profesores, sempre nos parecu uma questão um bocado tola, porque evidentemente o que há aprender até à quarta classe não é muito difícil de ensinar. Portanto, não foram para a escola porque achei que podiam ficar em casa mais tempo. Mas isso não significou que ficaram em casa o tempo todo. Há coisas que fizeram em regime de escola, como irem para uma escola de música, porque não tinhamos a menor possibilidade de lhes dar uma formação musical básica, ou aprender a nadar. Não estiveram fechadas até aos 11 anos; tiveram foi uma gestão de tempo mais livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sobrecarga horária incomodava-a?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Incomodava, porque é um bocadinho como se se prolongasse a escola indefinidamente. Parece que as pessoas não conseguem estar juntas. Em França, já há pessoas que durante as suas férias vão para um espécie de campos de férias em que as crianças estão permanentemente ocupadas com especialistas infantis para os pais poderem descansar. Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Há vários problemas a ter em conta: há casais que são obrigados a trabalhar em ritmos de laboração muito intensos e depois ficam na difícil situação de saber muito bem o que fazer com as crianzas até à idade de serem autónomas. Tive a sorte de ter uma profissão que me permitiu fazer isso, portanto também não posso ter uma visão moralista sobre o resto. Agora, quando se começa a atingir um ponto em que a criança sai da escola para entrar em mais não sei quantas escolas em que tambérm tem que ter aproveitamento, independentemente do seu real interesse em aprender flauta ou piano ou o que for, é doentio. É a ideia da ocupação dos tempos livres que deixam de ser livres para estarem permanentemente ocupados pela escola toda poderosa. E parece que de repente as crianças já não conseguem aprender nada se não lhes for ensinado, o que também é uma deturpação básica acerca da aprendizagem. Há qualquer coisa de profundamente doentio na ocupação dos tempos livres, na transformação do lazer numa indústria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7054302005452071761?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7054302005452071761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7054302005452071761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7054302005452071761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7054302005452071761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/regina-guimares.html' title='Regina Guimarães'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul24U0xDvI/AAAAAAAAAYA/tXqS-xQFk2w/s72-c/regina.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7248111232201398037</id><published>2007-09-13T11:30:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T11:21:58.667-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manuel Sobrinho Simões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Manuel Sobrinho Simões</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul3x00xDwI/AAAAAAAAAYI/jQZhh5s6-QM/s1600-h/sobrinho+simoes.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109746950105796354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul3x00xDwI/AAAAAAAAAYI/jQZhh5s6-QM/s400/sobrinho+simoes.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"É mau ter-se perdido o hábito&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;das contas à moda do Porto"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O desafio era convencer Sobrinho Simões, 59 anos, a despender tempo com um pingue-pongue pouco académico. Mas o investigador do IPATIMUP – dos maiores do mundo em cancro – aceitou-o com a generosidade habitual. E com rigor científico: seis dias depois, como prometeu, eis as respostas , com direito a bónus: uma pergunta para Rui Rio. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 26 de Julho na série farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tendo um conflito com o correio electrónico, porque razão optou por responder-me por mail?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de entrevistas telefónicas – não se vê a cara do outro e não se tem tempo suficiente para pensar – e tive medo que não percebesse a minha letra se lhe mandasse um fax. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E há a voragem do tempo, obsessão sua. Não consegue mesmo retirar prazer de coisas inúteis, que aparentemente não acrescentem nada e se esgotem no momento em que acontecem?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Gosto muito mais de pessoas do que de coisas. E das coisas, gosto sobretudo das que duram: livros, casas, pratos de louça, bicicletas, discos. (Não gosto de roupa nova, prefiro cinema ao teatro...) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua paixão pelo cinema inclui os filmes de cineastas portugueses?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sou um apreciador de alguns Oliveiras (mais dos primeiros) e da maioria dos filmes de João César Monteiro e de Fonseca e Costa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Numa família de médicos, é possível conversar sobre banalidades à hora da refeição?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claro. Desde o tempo dos meus bisavós (também médicos) que as refeições familiares são momentos extraordinários de conversa, cacarejo e ternura que pouco têm a ver com a medicina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leva trabalho para casa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre, demasiado, numa pasta que me acompanha para toda a parte, despertando uma enorme irritação doméstica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Porto, as pessoas da sua geração falam sempre da existência de uma "tribo" à qual pertencem. Às vezes, parece só um grupo de pessoas, cujo denominador comum é o estrato social. É mais do que isto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É mais do que isso: sentido de pertença, cumplicidade, falta de mobilidade social, alguma homogeneidade profissional, ética republicana, primado da acção sobre o discurso, ironia e humor q.b., boas contas, …[Aviso à navegação: Portugal está a dar cabo das profissões e isso é péssimo; também é mau ter-se perdido, generalizadamente, o hábito das contas à moda do Porto] &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Consegue fazer um diagnóstico breve da cidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um diagnóstico morfológico do Porto de que gosto muito, com certeza: cidade marítima, granítica, cinzenta, enevoada, sólida, segura. Como na medicina, o problema está mais no prognóstico do que no diagnóstico, mas esse não depende da cidade, depende de todos nós. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem em comum com o arquitecto Eduardo Souto Moura o "Prémio Pessoa". Também partilha o gosto pela Av. Dos Aliados?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A Avenida dos Aliados merecia ser melhor aproveitada. Valha a verdade que o não tem sido mais por culpa dos comerciantes e das gentes do Porto do que dos suspeitos-do-costume. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Posso perguntar-lhe onde investiu os cerca de 40 mil euros do prémio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fosse qual fosse a quantia – já não me lembro do valor exacto – sei que foi para o bolo comum da economia familiar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eduardo Barroso escreveu, uma vez, que num país que investe tão pouco na ciência, infelizmente, ninguém lhe pede (como a Mourinho) para fazer anúncios para a American Express ou para o BPI. Se lhe pedissem, era capaz de o fazer?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De quanto tempo precisa para se sentir realmente em férias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Costumo sentir-me desligado do trabalho algures durante a terceira semana – cheguei até a ter uma teoria que apontava para um clique no décimo oitavo dia de férias. Agora só faço mesmo três semanas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já lhe aconteceu, em Moledo, cruzar-se com Durão Barroso, onde ambos possuem casa. Falam de política, do estado do país ou cingem-se à cordialidade do cumprimento?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não me lembro de ter conversado alguma vez com o Doutor Durão Barroso em Moledo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nas imensas viagens de trabalho que faz, tem a curiosidade de vasculhar a cidade onde dorme?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre que posso, faço-o e faço-o a pé: cafés, livrarias, mercados, pontos altos, beira-mar, beira-rio... Infelizmente quase nunca tenho tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não exercendo prática clínica, acontece-lhe receber telefonemas de doentes que esperam de si uma solução?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mais cartas e e-mails do que telefonemas (Protejo-me ao máximo das abordagens telefónicas). Mesmo sem ser capaz de resolver os problemas – nunca fiz clínica – sinto-me na obrigação de procurar ajudar, respondendo o melhor que sei. Não há pior para quem está doente do que a solidão e o desamparo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando está doente, sente-se mais confortável a ser tratado por especialistas homens ou mulheres?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Procuro escolher os meus médicos pela competência, não pelo sexo. Começaram por ser antigos professores, depois colegas de curso e agora já são muitas vezes antigos alunos. É mais difícil lidar com a diferença de idade do que com a diferença de sexo (Lembro-me da surpresa que senti, há muitos anos, quando percebi que os policias de trânsito e os jogadores de futebol já eram mais novos do que eu.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem algum vício que potencie qualquer tipo de doença?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O sedentarismo é o pior. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Explique-me, por favor, o cancro da tiróide como se eu tivesse cinco anos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não consigo explicar o que é um cancro a uma criança pequena (Nem sequer o que é a tiróide). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se, por hipótese absurda, lhe dissessem que as temáticas que estuda atingiram um ponto em que não é possível acrescentar-lhe mais conhecimento, ainda assim, continuaria a investigar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Penso que essa hipótese apenas se poderia pôr por limitações logísticas. A investigação apenas nos permite a aproximação ao que pensamos ser a verdade e é, por isso, virtualmente inesgotável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se fosse, por qualquer razão, igualmente absurda, fosse obrigado a prescindir de uma das suas actividades, qual seria?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Abandonaria a investigação científica e conservaria o ensino e a medicina diagnóstica, naturalmente empobrecidos pela falta de investigação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sei que vê o Dr. House. É mais parecido com ele na eficiência dos diagnósticos ou no mau feitio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que nem uma coisa nem outra, mas não tenho a certeza quanto ao mau feitio. Aprecio sobretudo no Dr. House a inteligência operacional que o leva a fazer as perguntas certas. Saber perguntar é muito mais difícil do que saber responder, por mais que a cultura portuguesa nos empurre no sentido contrário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Philip Roth, um dos seus escritores preferidos, escreveu que "A grande partida biológica que nos pregam é que nos tornamos íntimos antes de sabermos alguma coisa acerca da outra pessoa". Faz sentido?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estou em desacordo com uma primeira leitura, a puxar para o primário, da afirmação de Roth – a intimidade é consciente e afectiva, não é biológica. Elaborando um pouco mais, a afirmação faz todo o sentido, sobretudo se pensarmos o fim da frase no plural (as “outras pessoas”, que somos). Não é por acaso que co-organizei, na Porto 2001, o Programa “Os outros em eu”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já disse, várias vezes, que em Portugal ninguém parece ter capacidade para fazer perguntas. Que pergunta lançaria a Rui Rio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não me recordo de ter dito isso de forma tão abrutalhada mas, se calhar, disse. As perguntas-chave a Rui Rio andariam à volta do seguinte: O que fazer para aproximar o Porto de Barcelona?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7248111232201398037?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7248111232201398037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7248111232201398037' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7248111232201398037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7248111232201398037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/manuel-sobrinho-simes.html' title='Manuel Sobrinho Simões'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul3x00xDwI/AAAAAAAAAYI/jQZhh5s6-QM/s72-c/sobrinho+simoes.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-4496512572776555910</id><published>2007-09-13T11:30:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:22:33.666-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manuela Melo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PS'/><title type='text'>Manuela Melo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul5PU0xDxI/AAAAAAAAAYQ/fSQzdstMLxA/s1600-h/manuela+melo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109748556423565074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul5PU0xDxI/AAAAAAAAAYQ/fSQzdstMLxA/s400/manuela+melo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Estreia de smoking não é&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;a minha ideia de Teatro Municipal"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Último plenário antes da ‘silly season’. É com a discussão, ao fundo, na Assembleia da República, que Manuela Melo, 60 anos, talvez a mais solícita das deputadas socialistas, atende o telefone. Diz que sim, que, em princípio, responderá à entrevista, “mas só depois de ler as perguntas”. Infoexcluída assumida, respondeu, por mail, três dias depois de as ler.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 27 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez tropeçou em si na RTP Memória?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já. É óptimo rever pedaços da vida passada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que lhe diz sobre o tempo esse canal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É como um puzzle: cada bocado conta para dar sentido ao todo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há alguém, na rua, que ainda a associe à pivot da estação pública?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Há. Parece que depois não fiz mais nada! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Compreende o esvaziamento da RTP Porto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. A RTP Porto é importante para a RTP e vital para a região. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rendeu-se, definitivamente, a Lisboa ou tem vontade de voltar ao Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gosto de Lisboa, também porque sei que posso sempre voltar ao Porto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aceitaria ser ministra da Cultura? Alguma vez foi assediada nesse sentido?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui por quem manda, mas também já esgotei a minha disponibilidade para cargos políticos executivos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se a política é a sua última paragem, que outras metas tem?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tenho outras. O tempo o dirá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem em comum com Isabel Pires de Lima a cidade-natal e a migração. Encontram-se em Lisboa para, por exemplo, tomar café? Falam sobre cultura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todas as vezes que tomamos café foi para falar disso… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entende as críticas que lhe fazem (a Pires de Lima)?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nem sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que, faça o que fizer, no Porto será sempre a ex-vereadora da Cultura?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Gostava que fosse. Foi um tempo fascinante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seria a vereadora que foi com o orçamento que existe hoje?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos princípios e objectivos, seguramente. E há mais verbas além do Orçamento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já foi ver o "Jesus Cristo Superstar"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda não fui. Estreia de smoking não é a minha ideia de Teatro Municipal… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E a colecção Berardo, já visitou?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já. Em Sintra, em Serralves, no CCB e na Assembleia da República. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há alguma diferença entre a concessão do CCB a Joe Berardo e a concessão do Teatro Rivoli a Filipe La Féria?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A mesma diferença que existe entre a criação/risco e a recriação/jogar pelo seguro. É na primeira que o Estado deve investir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E entre a concessão do Teatro Campo Alegre à Seiva Trupe e a situação do Rivoli?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nada a ver. O TCA substituiu a sala da Seiva Trupe demolida para construção de instalações da Universidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostaria de ver a equipa do Porto 2001 (ou parte dela) em Guimarães 2012 ou defende a importância de haver outros protagonistas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Cada CEC [Capital Europeia da Cultura] é um projecto diferente. Claro que pode haver elementos da Porto 2001. Foi para isso que fizemos tanto curso de formação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A política imiscui-se excessivamente na cultura ou, pelo contrário, subestima-a?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tal como o azeite e a água, não se misturam. Mas muitas vezes partilham o mesmo recipiente… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está satisfeita com a oposição socialista no Porto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É difícil fazer oposição quando o poder recorre sem pejo à distorção sistemática e populista dos factos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Viu o "Prós e Contras" sobre o Porto? O que achou?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não vi. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teria sido bom ou mau para a cidade que Rui Rio tivesse aceite o desafio de se candidatar à liderança do PSD?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os mandatos são para cumprir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É apologista da máxima que diz que não devemos voltar ao local onde fomos felizes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Completamente. Há imensos lugares onde procurar nova felicidade!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-4496512572776555910?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/4496512572776555910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=4496512572776555910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4496512572776555910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4496512572776555910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/manuela-melo.html' title='Manuela Melo'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul5PU0xDxI/AAAAAAAAAYQ/fSQzdstMLxA/s72-c/manuela+melo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7031760454600290859</id><published>2007-09-13T11:29:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T11:23:05.794-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rui Reininho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Rui Reininho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul6NE0xDyI/AAAAAAAAAYY/EDzWVyvOpC8/s1600-h/rui+reininho.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109749617280487202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul6NE0xDyI/AAAAAAAAAYY/EDzWVyvOpC8/s400/rui+reininho.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Tive esperança de que Rui Rio desamparasse a loja"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não há uma piada, um gesto histriónico, uma nota fora da pauta. O homem que chega excepcionalmente atrasado à esplanada de Leça, é um Reininho quase tímido, um romântico Rui de 52 anos. O carismático vocalista dos GNR está longe de perder o fôlego, mas anda numa luta contra o tempo. Entre as dunas e o divã, 43 minutos de pura conversa de café.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 28 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que é que só veste calções ao domingo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O domingo, para mim, geralmente é a segunda-feira. É o dia em que consigo estar mais descontraído e mais à vontade. Aos domingos, até me escondo, porque tenho uma incompatibilidade com o ritmo da maior parte dos seres humanos que me rodeiam: eles estão descontraídos, conduzem daquela maneira relaxada e eu estou tenso. Aos domingos, acordo cansado. Primeiro, resolvia isso indo à missa, mas agora como não vou…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Costuma fazer jogging nesta marginal, em frente a sua casa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, porque isto, aqui, não presta. Os entendidos dizem que aquece muito as sapatilhas. E também não gosto de correr. Geralmente sou pontual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As meninas de 18 anos ainda lhe acham piada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Não sei se terei piada para qualquer faixa etária. Mas acho que não, senão teria um programa de humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Enquanto artista, o que lhe seria mais difícil aceitar: o esquecimento ou a condescendência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gosto que se esqueçam de mim. Ciclicamente, fico muito aliviado com isso, porque depois há o efeito surpresa. A condescendência é o pior de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os GNR já não vendem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda vendem qualquer coisa. Talvez já não se vendam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já se venderam?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na minha curta carreira, de quase 27 anos com os GNR , já senti que estava a vender-me. Como dizia Freddy Mercury: "Somos todos um bocado prostitutas nesta profissão." Eu diria que, com prazer é mais caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi o artista convidado dos Balla, num concerto, há uns meses, na Casa da Música. Sente que entrou mais para salvar a noite do que para ser homenageado?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, diverti-me imenso. Gosto muito do Armando Teixeira e achei natural aquela reciprocidade. Para mim, foi uma honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sim, mas a receptividade do público foi diferente.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, acho que tem faltado aos Balla um hit que as pessoas reconheçam, porque talento não lhes falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esta moda de toda a gente cantar com toda a gente significa o quê?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É normalíssimo. Desde a ópera que se faz isso. Para mim, tem sido um princípio de prazer. Dos grandes prazeres que tenho, e quero repetir, é fazer este chamado swing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma boa parte dos músicos portugueses surgem, também, no novo vídeo de Jorge Palma. Estão todos unidos por ele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estamos unidos com ele. Eu disse-lhe: “Olha que sorte, estamos todos no teu funeral e tu ainda estás vivo”. Foi engraçado, porque há pessoas que não conhecia e com quem embirrava. Depois, passei a conhecer e deixei de embirrar. Aquilo acabou num grande jantar e numa grande festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficaram todos amigos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Amigos, não. Não confundo conhecidos com amigos. Não fico amigo de todas as pessoas que me aparecem à frente. Já tenho amigos que cheguem. Mas é muito agradável passar uma noite com os manos Salomé. Ainda bem que o Palma está vivo e que nos juntou. Já não via, por exemplo, a Lena d'Água há anos e tivemos ali umas confidências fantásticas, que nem podem passar cá para fora. É um modus vivendi mais do que um modus operandi. Ali, estava tudo em vivendi. Fico muito contente com os meus contemporâneos. É das coisas que gosto mais, estar vivo com eles, ‘au naturel’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Xutos &amp;amp; Pontapés representam a burguesia do panorama musical português?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não! Nem pequenos, nem grandes. Vejo-os muito como pessoas, por quem tenho o máximo de estima. E têm uma característica muito interessante: funcionam como grupo, como colectivo, quase como colmeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Refere neles sempre esse sentido de união, que os faz esperar uns pelos outros. Por si, ninguém espera?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, se eu não me apressar, deixam-me plantado. Agora, estou com um mês de atraso. Estou com falta de tempo. Não é uma altura muito boa para me encontrar comigo próprio. Costumo ser pontual. Estou a correr um bocadinho atrás para tentar acertar uma série de coisas. Como diria o grande Alexande Melo: "As velocidades contemporâneas estão muito desacertadas". E eu não estou a conseguir acertar-me muito bem com elas. Estou um bocadinho descentrado. Ainda não estou no aflito, mas estou no limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faz downloads na internet?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Não tenho paciência, nem sequer para aquelas coisas mais piadéticas. Vou a poucos sites. Ali há muita informação e pouca formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Certamente, já encontrou CDs piratas dos GNR à venda…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já, e já me aconteceu pedirem-me para os autografar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autografa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma posição muito contraditória em relação a isso, porque nós vivemos disso e é um roubo. Por outro lado, o preço a que as coisas estão, é um escândalo. Se fizesse uma edição de autor sentia-me roubado, porque ninguém tem o direito de apropriar-se das nossas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas a pirataria representa, também, de certa forma, uma lista de discos pedidos…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, eu sei, e as pessoas fazem as suas colectâneas. O problema é que nós não somos subsidiados. Se fossemos, não me importava de dar e receber. Não é que eu defenda o subsídio, pelo contrário. Mas, a para minha carreira e dos meus pares, dos meus contemporâneos, talvez até nem seja assim tão grave, mas é um tiro no pé para quem está a começar. Talvez esses nunca atinjam os meios de subsistência, o que é muito grave. Terão que ter um segundo emprego? Não se poder viver do que se gosta é terrível. Eu ficaria muito triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem alguma música de verão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Tenho os géneros, só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca fica fixado numa música?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fico nas que estou a fazer. Repito-as em várias circunstâncias, no banho, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso não é meio egocêntrico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, é um método de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostou de actuar no “Rock in Rio”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não gosto muito de festivais, não é nada o meu ‘cup of tea’. Gosto de me dedicar só a uma coisa de cada vez. E ali é quase como estar sempre a mudar de parceiros, às vezes, sem grande vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas o “Rock in Rio” também tem esse formato e esteve lá…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Francamente, é um festival a que não teria ido se não tivesse sido convidado. Não foi um momento muito agradável na minha carreira: entrei, pela primeira vez, num palco sem o ter pisado antes, fui lançado às feras e não tive hipótese de ensaiar em condições. No fim, praticamente cortaram-nos a luz, antes de agradecermos ao público. Não gosto de estar numa circunstância em que não posso controlar minimamente as coisas. Por isso, ainda fiquei a gostar menos de festivais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há uns meses, estava eu em Braga, no concerto do Antony…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu vi-o em Famalicão. Gosto muito dele, emociona-me muito…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;…Sim, mas na noite desse concerto, o Rui estava na inauguração da exposição “Anos 80”, em Serralves, no Porto, a protagonizar uma performance sobre aquela década. É um nostálgico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Mas devo ter qualquer coisa a ver com os anos 80, senão o João Fernandes [director] não me teria convidado. Mas não sou nostálgico, nem dos anos 80, nem de museus. O museu é arte morta, por muito bonito que seja, por muito que se goste de Serralves, e eu gosto particularmente da casa. Mas gosto mais das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na Wikipédia lê-se que é “um dandy decadente, narcisista e pedante”. Revê-se na definição?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Encolhe os ombros] Ai dizem isso? Já me chamaram tantas coisas! No outro dia, mandaram-me uma mensagem parecida com essa, a dizer que sou manipulador e egocêntrico. Se calhar, foi a mesma pessoa. Mas eu já não me vejo ao espelho, a não ser para desfazer a barba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E na pose de Andy Warhol?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele é um incontornável da pop. Tinha um talento fantástico para se rodear de pessoas extraordinárias. Eu vivo muito isolado, tenho muita pena. Gostava de ser mais expansivo e dar-me com mais gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso quer dizer que as suas aparições, invariavelmente expansivas, são uma encenação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Custa-me muito, talvez seja uma coisa meia bipolar. Já me fizeram essas análises, já fui para o sofá, já fiz regressões e uma série de autocomiserações. Às vezes, é por excessiva timidez que chego a esse ponto de ser um bocadinho exibicionista, histriónico, expansivo. Há um lado muito inseguro, como todos os mortais têm. É medo. Eu tenho medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já não tem idade para ter medo…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tenho? Cada vez tenho mais medos. E controlo-me para não ter ataques de pânico, como toda a gente. Não é medo da dor; é medo pelo que ia deixar de usufruir do futuro desta vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já experimentou o novo circuito nocturno da Baixa: Passos Manuel, Pitch, Plano B?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, apetece-me fazer essa coisa do “sair à noite”, mas controlo-me. Até porque agora, gosto mais das manhãs. Já experimentei esse circuito, mais seria mais agradável se pudesse voltar para casa a pé. Nasci ali – Rua Fernandes Tomás, 19, 3º -, e tenho muita pena de ter que ir à Baixa e ver aquilo sempre tudo em pantanas. É perigoso, desagradável e até feio. Tenho desgosto pela maneira como espatifaram a Cordoaria. Está um nojo. Adorava aquele jardim romântico e agora parece uma prova de estafetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não gosta sequer das esculturas de Juan Muñoz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não fico nada embasbacado com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fica embasbacado com quê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com coisas muito pueris: uma florzinha, um sorrisinho, uma gotinha de água, uma teiazinha de aranha…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É um lírico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não é isso, mas fico mais contemplativo com isto do que com a arte. Às vezes, não tenho paciência para esta obrigaçãozinha pós-moderna de ter que ver tudo: escultura, pintura, música, cinema. É muito cansativo ter que se ser moderninho, estar actualizado, informado. Primeiro, um homem tem que ser bem formado e amigo dos seus amigos. Civilização antes da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem de a tornar-se cada vez mais…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Chato… eu noto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;… não, mais político, mais interventivo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tenho as mesmas convicções. O que me alterou foi a ligação ao sítio onde vivo. Sou mais interventivo do ponto de vista autárquico, embora, para mim, a política seja uma arte menor. Agora, do ponto de vista do que entendo ser preciso, porque não hei-de insistir teimosamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi convidado para os “Prós e Contras” sobre o Porto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E foi?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Estava doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E viu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não me apeteceu. Mas disseram-me que foi muito desagradável. As pessoas estavam muito ressentidas, não foi? Disseram-me que eram os meninos ricos a contar que Lisboa não lhes dava dinheiro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que o Porto está a precisar de renovar os protagonistas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São sempre os mesmos cromos, não é? Mas as pessoas também puxam sempre pelos mesmos. Mesmo na revista espanhola “Hola” aparecem sempre as mesmas princesas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agora ameaça tornar-se também numa dessas “princesas”. Passou a ser presença assídua nas revistas cor-de-rosa…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Também fico muito surpreendido. No outro dia, fui jantar fora e apanhei ali uma série de paparazzi e pensei: "Que interesse é que isto tem?" Não percebo este súbito interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Provavelmente, querem apanhar a Catarina Portas aqui, consigo…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aqui? Mas já não seria a primeira vez. Ainda no outro dia estivemos, os dois, nesta esplanada, a recordar, com uma certa saudade, o trabalho que ela fez comigo, há mais de 20 anos. Há um excerto disso no meu livro. Ela era ainda uma jovem jornalista a iniciar o seu estágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isabel Pires de Lima é uma boa representante, no Governo, dos políticos do Norte?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É melhor não falar dos políticos do Porto, embora eu tivesse uma leve esperança de que o doutor Rui Rio fosse Primeiro-Ministro. Pelo menos, desamparava a loja. Era engraçado vê-lo a acabar com os subsídios todos do teatro. Aliás, acabaria com o próprio teatro e iríamos todos ver o “Jesus Cristo Superstar”…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já foi ver o musical de Filipe La Féria?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Mesmo quando estreou, em Londres, eu achava muito esquisito que as pessoas fossem ver. Vi o filme e achei horrível. A minha primeira namorada a sério foi ver três vezes e disse que se emocionou imenso. Foi a nossa primeira discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aceitaria escrever para La Féria?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ele já me convidou, já não me lembro para quê. Tivemos até uma reunião, mas incompatibilizamo-nos logo. Ele disse uma coisa muito engraçada: “Eu sou um grande ditador, exijo disponibilidade total das pessoas.” Eu não tinha tempo, nem total, nem parcial. Mas tenho um certo apreço pelos actores, são muito malucos, dizem a mesma coisa todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é como cantar todos os dias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É, mas eu não canto todos os dias. Canto quando me apetece, quase nunca forçado. O mais cansativo é as viagens, sobretudo para um grupo sedeado no Porto. E depois vêm-me com as tangas das otas! O Porto já é uma cidade otizada e ostracizada. É terrível demorar 12 horas para viajar da ilha de S. Jorge até à ilha do Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É “a ilha sem sabor tropical” que canta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Exactamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já teve vontade de escrever outras coisas que não apenas canções?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já. Tenho escrito outras coisas, tenho-me estendido para a prosa, mas tenho tendência para simplificar. Já desliguei o descomplicador há muito tempo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não parece…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estou muito complicado, ainda? Mas ando a tratar-me, com franqueza. Gostava de estender-me por outras coisas. Agora, já há tanta porcaria em termos de livros, que não quero contribuir. Mas ainda não publiquei porque não quis. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7031760454600290859?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7031760454600290859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7031760454600290859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7031760454600290859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7031760454600290859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/rui-reininho.html' title='Rui Reininho'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul6NE0xDyI/AAAAAAAAAYY/EDzWVyvOpC8/s72-c/rui+reininho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-4462031978305140493</id><published>2007-09-13T11:29:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:23:41.492-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ricardo Araújo Pereira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Ricardo Araújo Pereira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul7nE0xDzI/AAAAAAAAAYg/xni6GZtKEgw/s1600-h/gato.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109751163468713778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul7nE0xDzI/AAAAAAAAAYg/xni6GZtKEgw/s400/gato.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Sente que tem perdido boas oportunidades para estar calada?"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está de férias, e não é na Tailândia. Não atende o telemóvel, mas responde ao SMS, aceitando o desafio. O resultado chega, por mail, três dias depois. Perto das quatro da manhã. Ricardo Araújo Pereira, 33 anos, o mais mediático gato fedorento, oscila entre a capa e a espada. Em off, espera não ter sido “desagradável”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 29 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que responde quando lhe perguntam a profissão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Guionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ser, também, humorista é como ser polícia: nunca está de folga?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Gostava imenso de fazer a rábula do humorista atormentado, que é tão linda, mas a verdade é que não sinto esse fardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As pessoas esperam que tenha sempre uma piada no bolso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É raro alguém esperar alguma coisa de mim – atitude que considero bastante sensata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É cansativo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Comparado com assentar tijolo, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É confrangedor quando jornalistas como Judite de Sousa ou Ana Sousa Dias tentam, elas próprias, ter piada quando o entrevistam?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não me parece que elas o tenham feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma vez, Miguel Sousa Tavares disse que se sentia 'idiota' a ter opinião sobre tudo. Sente o mesmo quando escreve para a "Visão"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como se eu precisasse de escrever para a “Visão” para me sentir idiota…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já reparou que é mais fácil ouvir a "voz" dos "gatos" nas crónicas que José Diogo Quintela escreve para o "Público" do que nas suas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas repare que, se enrolar a minha crónica e encostar o canudo à orelha, consegue ouvir o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aceitaria pacificamente ser ultrapassado por ele no ranking de popularidade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, mas só se as pessoas dissessem que eu continuava a ser o mais sensualão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Ricardo superou a do Herman José. Porque é que não consegue não ser condescendente com ele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se digo que o Herman é o maior humorista português é menos por condescendência e mais por amor à verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Neste momento, conseguiria viver só das campanhas publicitárias?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Como calcula, não vou perder a oportunidade de lhe responder com as imortais palavras de Paulo Futre: “Primeiro diz-me quanto ganhas tu, Manuela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Só estudou em instituições cristãs: as vicentinas, os franciscanos, os jesuístas, a Católica. Que espécie de significado pode ter para um ateu estar na mítica idade de Cristo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Rigorosamente nenhum, creio. Talvez, para um ateu, seja particularmente ridículo morrer com esta idade. Vou fazer um esforço extra para não falecer durante este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aderiu ao PCP quando já tinha idade para não ter propriamente ilusões. Mesmo assim, só aguentou seis anos. E justificou a saída com episódios que, de uma forma ou de outra, já tinham acontecido no passado. Foi um capricho, mais do que uma convicção, essa militância?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É possível que, no passado, o líder da bancada parlamentar do PCP tenha dito que a Coreia do Norte talvez fosse uma democracia. Mas em 1975 toda a gente dizia parvoíces. Continuar a dizê-las em 2004 já não me parece tão giro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que o fez votar em Mário Soares nas últimas presidenciais?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não sei se reparou nos outros candidatos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que perdeu uma excelente oportunidade de estar calado no "Dança Comigo" quando brincou com Odete Santos? Já fizeram as pazes?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A drª. Odete Santos dançou um tango e eu disse que era um privilégio raro podermos ver um deputado a suar. Fui admoestado, evidentemente. A piada era um pouco demagógica, e sabemos todos como os políticos detestam demagogia. Estava mesmo convencido de que era uma piada inocente e banal, mas afinal tratava-se de uma generalização perigosa para a democracia – e até, suponho, para a própria Humanidade. Mas, duas ou três semanas antes, 119 dos 230 deputados tinham faltado à Assembleia da República, antecipando a ponte da Páscoa e inviabilizando as votações por falta de quórum. Se os senhores deputados não gostam de generalizações, não deviam faltar generalizadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gosta realmente do equipamento rosa do Benfica?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O que é que há para não gostar? Tem lá o emblema e não é às listas. Satisfeitas estas duas condições, até gosto de um pano da loiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que seria mais desapontante, no futuro: que uma das suas filhas se declarasse sportinguista ou homossexual?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É evidente que ficaria mais desapontado se as miúdas fossem sportinguistas. Ser homossexual não é defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está de férias. Avisou a Polícia de que iria ausentar-se?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, como todos os arguidos obrigados a termo de identidade e residência. Devia ter avisado também o 24 Horas, que me inventou umas férias bem melhores do que aquelas que de facto tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se só pudesse comprar um livro, optaria pelo "Foi assim" de Zita Seabra ou pelo último de Woody Allen, "Mere Anarchy"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já comprei o do Woody Allen e ainda não tenho o da Zita Seabra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O lema dos "gatos" é o dos mosqueteiros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quase. O nosso é: “Um por todos e todos por um, desde que nenhum já tenha coisas combinadas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem vícios de filho único?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Espero que sim, mas também tenho outros. Tento diversificar os meus vícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguns sketches utilizam expressões quem entram na moda: "Então vá"; "É assim", etc. Nunca se lembrou de usar a expressão "top"? [O restaurante X é top; a música Y é top...]&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, mas fica prometido. Parece-me que essa expressão é top.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há vinganças cifradas nos sketches?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claro. De outra forma, qual era a graça de os fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há quem não aceite responder a estas pequenas provocações; e há quem aceite, mas acabe por fazer inversão marcha quando lê as perguntas. Os portugueses ainda não conseguem rir deles próprios?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Confesso que não sei. Sente que tem perdido boas oportunidades para estar calada? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-4462031978305140493?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/4462031978305140493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=4462031978305140493' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4462031978305140493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4462031978305140493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/ricardo-arajo-pereira.html' title='Ricardo Araújo Pereira'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul7nE0xDzI/AAAAAAAAAYg/xni6GZtKEgw/s72-c/gato.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-1745773911884332456</id><published>2007-09-13T11:28:00.001-07:00</published><updated>2010-07-02T11:24:16.090-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manuel Serrão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Manuel Serrão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul8uU0xD0I/AAAAAAAAAYo/E30sfQVC4qI/s1600-h/manuel+serrao.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109752387534393154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul8uU0xD0I/AAAAAAAAAYo/E30sfQVC4qI/s400/manuel+serrao.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"A firma Salgado &amp;amp; Salgado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;dobrou a facturação"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chega ao Bela Cruz, a meio da manhã , com pouco mais de uma hora disponível antes de apanhar um avião. Na mesa de café, gastou-se metade desse tempo, com vários intervalos para atender o telemóvel. Manuel Serrão, 47 anos, empresário do Norte, fala como quem canta, afinado e sem parimónia.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 30 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ter organizado as festas do circuito da Boavista, significa que mudou de opinião em relação à pertinência do evento?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Rendi-me, sim. Eu próprio fui um crítico, na primeira edição, mas depois rendi-me ao sucesso que teve e às potencialidades que encerra. Como desta vez acompanhei de perto algumas das actividades paralelas, e exactamente porque algumas delas foram muito menos conseguidas do que poderiam ter sido, acho que o evento tem potencialidades para o Porto, teve impacto nacional e internacional. As pessoas mostraram, pela adesão ao circuito, que gostam do espectáculo. E pela adesão às eleições, que também não há nada a fazer em relação ao presidente da Câmara. Eu também não votei nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em 2004, chegou a ser apontado como o próximo senhor de Matosinhos. Tem ambições políticas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não sabia dessa. Sou do Porto, nasci e vivo aqui. Tenho o meu escritório em Matosinhos, cidade de que gosto muito, é a minha sala de jantar. Mas não tenho qualquer ambição política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em nenhuma das cidades?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em lado nenhum. Ser político é como ser padre: é preciso vocação de serviço público. E eu não tenho; sou 100% a favor do investimento privado. Infelizmente, quem tem revelado essa vocação de serviço público, é um conjunto de personalidades que não estão no topo de gama da sociedade portuguesa. Perdemos todos com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse que, no seu tempo, Marques Mendes não chegaria sequer a chefe de turma. Chegou a chefe do partido. Manterá a posto em Setembro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;[Risos] Sempre achei muita graça a Marques Mendes, como acho a Santana Lopes. Mas achar graça às pessoas não quer dizer que achemos graça a que elas façam tudo na vida. Marques Mendes era um fantástico líder parlamentar, um ajudante de Governo super eficiente, como dizia Cavaco, com qualidades que o recomendam para uma série de lugares. Para líder do partido e da oposição, pelas provas dadas, não serve. Espero, para bem dele e do PSD que, quando deixar de ser líder, em vez de se por andar por aí sem fazer nada, possa ficar noutra posição a ajudar o partido. É claramente uma pessoa com vocação de serviço público. Tem é menos vocação para primeiro-ministro ou para líder da Oposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está a insinuar que perderá para Menezes?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Se fosse militante do PSD, acho que valia a pena dar a oportunidade ao doutor Menezes. Embora a gente saiba que o facto de só haver pessoas oriundas do Norte a concorrer, queira dizer que não está prevista nenhuma chegada ao poder do PSD durante o próximo mandato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No dia em que nasceu a sua filha foi inaugurado o Estádio do Dragão. Onde esteve?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nos dois lados, física e espiritualmente. Obviamente, estive primeiro no nascimento da Joana, mas não podia falta também à inauguração. É uma coincidência feliz, porque ela é sócia desde esse dia, o que quer dizer que vai ter muitas festas na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer dizer, também, que ela passou-lhe a perna. Só se fez sócio do FCP aos 11 anos…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela teve um pai mais competente que o meu nessa matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está satisfeito com a equipa do FCP?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou satisfeito com a parte da tesouraria, porque acho que conseguimos vender bem alguns jogadores que tínhamos pelo valor justo, ao contrário de outras vezes, em que mais valia ter ficado o jogador do que o dinheiro. Neste momento, pelos valores que foram conhecidos, e imaginando que todos entraram nos cofres do clube, eu acho que mais vale assim. O seguro morreu de velho e este já cá está. O que sobrou em termos desportivos, ainda é uma incógnita. Espero que esta leva de contratações que vêm substituir as boas vendas seja de uma safra melhor do que aquela que se seguiu às nossas jóias de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A transição de Vítor Baía para a direcção do clube é um fim digno?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele tem feito uma gestão muito inteligente da sua carreira e não consigo imaginá-lo a ter um fim menos digno em caso algum. A transição podia ter sido melhor preparada e melhor congeminada. Houve ali um tempo de hesitação que não foi para o Porto nem para ele. Foi uma novela triste, que acabou por ter um fim feliz. Embora, mais uma vez, seja preciso deixar passar uns tempos para ver qual é o papel que lhe está efectivamente reservado. Ele próprio quererá ver. Se for para ficar lá numa jarra a fazer de bibelot, pelo que conheço dele, ele próprio não quererá. Como sócio e adepto do Porto, ficaria muito triste se fosse esse o papel. Quero crer que não, e estou convencido de que terá um papel crescente na divulgação do clube. Ele é para nós o que o Eusébio é para o Benfica e, pelo seu perfil, pode dar, em termos de gestão desportiva, um grande contributo. Estamos a precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leu a biografia de Pinto da Costa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, e não senti grande necessidade porque é uma personalidade que acompanho desde tenra idade e tenho boa memória. Além de que, normalmente, só gosto de ler biografias de pessoas mortas. É como as homenagens: quando são feitas em vida, corremos sempre o risco de nos desiludirmos. Vou lê-la quando ele morrer e espero que seja daqui a muitos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer dizer que ainda pode desiludir-se com Pinto da Costa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Enquanto uma pessoa está viva, está sempre a tempo de fazer asneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o livro de Carolina Salgado, leu?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Também não. Mas aí, já não foi por ter acompanhado a carreira dela. Leio muitos jornais e acho que já li tudo sem ter que gastar dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem posição sobre as declarações das irmãs Salgado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha posição é a de um contabilista que, analisada a situação, verificou que a firma Salgado &amp;amp; Salgado dobrou a facturação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A ideia do “Porto cidade de trabalho” está ultrapassada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os portuenses são uns trabalhadores natos, mas face aos dados de desemprego, qualquer dia passa a ter a cidade sem trabalho. Isto é mau para o Porto, mas porque é que não se vê aqui, o que se viu em Setúbal quando o desemprego andou por aquela zona? Isso mostra como as pessoas são diferentes. Quando, em Setúbal, fecharam algumas fábricas, as pessoas sentaram-se a um canto e só se levantaram para fazer manifestações e greves de fome. Ficaram à espera que o Estado resolvesse problema e ele resolveu, colocando lá empresas como a Ford. No Norte, as pessoas não fazem manifestações; arranjam biscates, emigram, vão seis meses para a Suíça juntar dinheiro, vão para o campo, não ficam paradas, nem têm tempo para actividades políticas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É muito fácil dizer isso na mesa de café sobre os outros, não é?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Só disse isto para mostrar que, face a uma situação má, o temperamento das pessoas do Sul e do Norte, é completamente diferente. Não estou a elogiar a situação, pelo contrário. Mas, se esta taxa de desemprego fosse no Sul, já tinha havido um conflito social que aqui não existe. Admito que vá ser pior agora, com os arrumadores, que voltaram a estar desempregados com o fim do Porto Feliz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Essa diferença entre as pessoas do Porto e Lisboa é válida para tudo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vivo em Lisboa oito anos. E posso dizer que a maneira como as pessoas reagem revela dois países completamente diferentes: nos feitios, nas atitudes, nas formas de pensar. E há ainda as que foram da província para lá. Em relação a essas, a diferença é ainda mais radical. Não estou a julgar, mas as pessoas do Porto prezam a casa, a vida familiar; em Lisboa, podem morar num pardieiro, mas depois fazem vida de rico no restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Participou num sketch dos Gatos Fedorentos fazendo de cromo do Porto. Não teme transformar-se na sua própria caricatura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou amigo dos Gatos antes de eles serem gatos. Acho graça ao humor deles. E acho que as pessoas percebem quando estou a brincar ou a falar a sério. Quando não percebem o problema é delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi um problema de Bagão Félix não ter percebido que estava a brincar quando escreveu que ele era amante da secretária?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso não é verdade. Mas não falo sobre isso. Está em segredo de justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Porto Canal é mais uma tentativa audiovisual para afirmar o Norte. Desta vez, é de vez?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Gostaria que fosse, mas é mais um exemplo da falta de consciência de alguns empresários da região, que passam a vida a queixar-se doa indiferença a que são votados por Lisboa, mas quando surge um projecto que quer projectar o Norte, não ajudam a que o projecto seja apoiado e tonificado. O Canal luta com dificuldades e está a ser ajudado mais pelos espanhóis do que pelas pessoas do Norte. Infelizmente, as pessoas do Porto ainda não perceberam que é essa lógica regional que serve melhor os seus interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas vê o canal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vejo e vejo a gritante falta de meios. Vejo algumas ideias muito boas e outras que, sendo boas, não funcionam devido a essa falta de meios. É o canal ideal? Não. Mas, pelo menos existe, e está a lutar para melhorar. Tenho esperança que alguém queira suprir essa falta de meios para que as pessoas da região possam rever-se mais ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem, como é o seu caso, está habituado a lidar com as mulheres mais bonitas da moda, aprende a desvalorizar a beleza?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Aprende a valorizar. Quanto mais convivo com a beleza mais sensível fico a esse valor. Mexo-me na moda onde há mulheres muito bonitas, mas também homens bonitos. Portanto, se tivesse, por causa disso, que ter alguma atitude prática, até poderia ter alguns actos contra natura. Mas não preciso de falar da moda…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;…já sei, no seu escritório também só há mulheres…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Oito mulheres muito bonitas e competentes. São a minha fonte de inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Admite, agora que já não está na ANJE, que o Portugal Fashion internacional nunca deu os frutos esperados?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O Portugal Fashion começou de uma forma que não era a ideal, mas era a possível. Não havia desfiles individuais, mas colectivos e de marcas. Tínhamos consciência de que era a única forma de conseguir apoios, na altura, para prosseguirmos o projecto. Hoje, quando vemos que, em S. Paulo, os únicos estrangeiros são os portugueses, quando vemos que em Paris temos total facilidade em encher salas com jornalistas, verifico que o nosso objectivo foi cumprido. A ideia nunca foi colocar os criadores portugueses a vender como o Yves Saint Laurent ou a Dior. Era fazer um upgrade de imagem para que Portugal não fosse, apenas, o país da indústria têxtil, mas também da moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel Esteves Cardoso, de quem recentemente disse ser um génio, tem uma crónica sobre a boa disposição, onde revela que o segredo da dele é “sentido de proporção, sentido de humor, capacidade de disfarce e vontade de agradar”. Qual é o segredo da sua?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não li essa crónica, mas subscrevo inteiramente e acrescento que o segredo da minha boa disposição é o mesmo da minha felicidade: só quero aquilo que sei que é possível. Não tenho o sonho de ir à lua. Os meus objectivos são todos atingíveis, o que não quer dizer que não precise de trabalhar, de ter sorte, boas parcerias e bons amigos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-1745773911884332456?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/1745773911884332456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=1745773911884332456' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/1745773911884332456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/1745773911884332456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/manuel-serro.html' title='Manuel Serrão'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul8uU0xD0I/AAAAAAAAAYo/E30sfQVC4qI/s72-c/manuel+serrao.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-8190302675680605539</id><published>2007-09-13T11:28:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:25:38.124-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel von Hafe Pérez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Serralves'/><title type='text'>Miguel von Hafe Pérez</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul-aU0xD1I/AAAAAAAAAYw/58wH5igwmv8/s1600-h/miguel.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109754242960265042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul-aU0xD1I/AAAAAAAAAYw/58wH5igwmv8/s400/miguel.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Na política desiludiu-me&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;a desistência do impossível"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seis da manhã. Miguel von Hafe, 40 anos, chega a casa da primeira incursão pelo Plano B, recente espaço a cair nas boas graças dos portuenses. É nessa altura que o autor de ‘Anamnese’, compilação inédita de arte contemporânea portuguesa, responde por mail à entrevista combinada por SMS. Com travo a desapontamento político. “Desistir? Talvez.”&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 31 de Julho na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem em comum com Rui Rio o facto de ambos tocarem bateria e terem frequentado o colégio alemão. É mais o que os une do que o que os separa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Do supostamente em comum: imagino o nomeado a acompanhar graciosamente a orquestra do James Last. Quando o fiz, movia-me em territórios que na altura se apelidavam de “urbano-depressivos”, o que quer que isso significasse. Quanto ao Colégio Alemão: eu não frequentei; acabei, não sei como. E não tenho necessidade de estar sempre a badalar a minha passagem por lá, como se isso demonstrasse o que quer que seja. Do que nos separa: a vida, os seus modos de uso e a projecção daquilo que entendemos ser expectável por terceiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que faz com que alguém com percurso nas artes seja seduzido pela política?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estava farto das conversas de café, onde todos opinam, mas ninguém paga a conta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acredita na política da mesma forma que acredita na arte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro que não! Na arte seduz-me o jogo tensivo da construção de possíveis impossíveis. Na política desiludiu-me a desistência do impossível e o consequente consolo com o possível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No seu caso, a arte foi um trampolim para a política? Ou funciona nos dois sentidos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Trampolim é a minha vida. Com saltos mortais e piruetas mal calculadas, mas sempre com um anjo a aparar as quedas. Se a arte fosse trampolim do que quer que fosse, mais valia dedicar-me à ginástica desportiva. A política, tal como nós a imaginamos, já não existe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apesar de figurar na Oposição do actual Executivo, admite que não há quem represente os interesses de quem não votou PSD?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como costumo explicar à minha filha, a política concretiza-se nos mais pequenos gestos. Assim, quando a tento convencer a não fazer “downloads” de música na internet, faço-o para a alertar para uma necessidade política, isto é, de se respeitarem os produtores culturais e aquilo que eles representam nas sociedades contemporâneas. Nesse sentido, todos, individual e independentemente de ligações mais ou menos circunstanciais aos partidos políticos, exercemos política e, como tal, todos temos responsabilidades acrescidas na formação do quotidiano. O que me impressiona é a assunção de muitos que a política só se produz nos orgãos mais ou menos institucionalizados. E, enquanto tal, a desistência generalizada de intervenção no espaço público.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O exercício cívico, nomeadamente o da vereação, deveria ser pago? As convicções têm um preço?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro que sim. A minha babysitter ganha mais do que eu na vereação, e não o faz por convicção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esta é a sua primeira experiência política. Será também a última? Já teve vontade de desistir?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Última, de certeza. Desistir, talvez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se tivesse sido eleito vereador da Cultura, teria começado por onde?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Por dizer que faço parte dessa ganga. Por dialogar com as instituições e com os criadores no sentido de se encontrarem sinergias criativas, financeiras e de visibilidade. O Porto não precisa de mais estruturas culturais, nem de mais autores...estes têm é de ter plataformas de visibilidade onde se reúnam condições de trabalho e de visibilidade condizentes com o papel que eu penso que a cultura deve deter numa cidade cosmopolita. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Porto 2001 não passou de um fogo fátuo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Só para os cegos, ignorantes e ressabiados. Agora que ninguém se esqueça que a programação cultural desse evento teve só cerca de dez por cento do orçamento global...e não gastou nem mais um cêntimo do que o previsto...Sinceramente, acho que se fizeram milagres e a História virá confirmá-lo. A herança continua aí para quem a quiser apadrinhar. Exemplos: o que se fez nos ateliers da Lada, o Cace Cultural do Freixo, para não falar da Casa da Música... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é o seu actual roteiro cultural?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O mundo, entre mortos e vivos, como sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há quem defenda que a arte contemporânea tem um lado de vigarice evidente, de onde não é possível retirar qualquer ensinamento ou prazer, servindo apenas para alimentar um mercado pseudo-intelectual. Supondo que não se revê nesta afirmação, que argumento usaria para a defender?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não me defendo. Prefiro defender-me dos que partilham tal opinião. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se ensina o grande público a apreciar um litro de sémen congelado como o "White Cube", de João Leonardo, na Universidade do Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com paciência. Como se ensina alguém a jogar xadrez? Temos de ensinar algumas regras básicas e a partir daí se não sair um jogador de xadrez ninguém levará a mal, com certeza. Agora o que nenhum aprendiz de xadrez (e da arte) pode exigir é sentar-se à mesa e começar imediatamente a jogar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A renitência por parte de alguns núcleos artísticos nacionais à colecção Berardo é, também, um sinal evidente de inveja?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Talvez. Mas há sectores melhor e pior informados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aceitaria ser o curador que se segue de Joe Berardo? Ou gostava de beneficiar só das mesmas condições que têm no CCB?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Sempre tive a sorte de poder criar as minhas próprias condições, ou de encontrar quem as pudesse tolerar, fomentar ou com elas dialogar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já viveu em Barcelona e a efervescência das artes plásticas vive-se mais em Lisboa do que no Porto. Não sair da cidade é um acto de resistência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É. Contudo, esta cidade mantém uma energia telúrica e silenciosa capaz de enfeitiçar os mais incautos, sendo eu um deles. Agora, não posso deixar de sentir o agravamento generalizado das condições económicas da maioria da população, o desleixo e abandono do centro da cidade e a hostilidade relativamente a um sector simbólica e, porque não dizê-lo, economicamente tão vital como o cultural, como uma enorme ferida exposta que começo a ficar farto de lamber. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na Internet, existe uma árvore genealógica com todos os dados sobre a família von Hafe, desde os antepassados até à última geração, a dos seus filhos. Quem a actualiza? E porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Boa pergunta...devem ser os mormons. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sendo fã dos Young Marble Giants , está excitado com o regresso deles ao estúdio depois de 27 anos? Ou tem medo de uma desilusão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem ouviu “Colossal Youth” no tempo certo não ficou igual para o resto da vida (ou assim imagino eu um mundo perfeito). Medo, agora? Claro que sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um curador de artes plásticas tem mais capacidade para entender a história do filme de David Lynch "Inland empire" ou fica à nora como os outros?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Terá, porque sinceramente só entendo “Inland Empire” como uma videoinstalação com um loop de mais de três horas...ou seja, aquele filme é uma pintura. Aliás é muito curioso que do lado dos artistas plásticos se tem assistido a um movimento continuado de aproximação à criação cinemática, o que vai tornando este balanço saudavelmente pendular. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fez agora 40 anos. Já sabe o que é a crise dos 40? Ou acredita mais na canção da ternura do Paco Bandeira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Crise dos quarenta? Não, obrigado. Paco Bandeira? Não sei quem é...pelo nome deve ser toureiro. Crise tive eu aos treze quando ouvi pela primeira vez o álbum “God Save the Queen” dos Sex Pistols...aí sim, pensei que o “No future” implicava não beber Laranjina C no dia seguinte e, após aprofundada reflexão existencial, fiquei-me, felizmente, pela última. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-8190302675680605539?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/8190302675680605539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=8190302675680605539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8190302675680605539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/8190302675680605539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/miguel-von-hafe-prez.html' title='Miguel von Hafe Pérez'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/Rul-aU0xD1I/AAAAAAAAAYw/58wH5igwmv8/s72-c/miguel.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-6245072177329902005</id><published>2007-09-11T11:59:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:25:25.055-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Álvaro Costa'/><title type='text'>Álvaro Costa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumI0k0xD_I/AAAAAAAAAaA/FtzML3yoZQg/s1600-h/alvaro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109765689048109042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumI0k0xD_I/AAAAAAAAAaA/FtzML3yoZQg/s400/alvaro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Não me sinto o avô cantigas do rock and roll"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;À tentativa de marcar a entrevista, ele responde com SMS cifrada. “Rock and roll bourgeoisie” quer dizer que sim, que aceita. Será num dos “sallons” perto de sua casa. Ou seja, numa esplanada dos Pinhais da Foz. Durante 53 minutos, Álvaro Costa, rosto da Antena 3 à beira dos 48 anos, revela o sonho: dobrar um filme infantil.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada no JN em 2007]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que no Portugal radiofónico é o mais próximo que existe de uma estrela pop?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu?! Não há estrelas pop em Portugal. Se fosse, era estrela de ‘rock and roll’, o que é diferente. Mas não me vejo assim, sou muito pobre. Um dos meus segredos, se existe, é não pensar naquilo que as pessoas pensam de mim. Se fosse a pensar nisso, já tinha ido parar a um hospital psiquiátrico ou entrado num retiro budista. As vezes em que pensei nisso foram as únicas em que estive menos bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Todos os anos, no Fantas, alguém faz a sua caricatura no painel: boneco gordinho com um 3 [de Antena 3] na t-shirt. Lida bem com isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou só eu que tenho direito a isso? Dou nas vistas, é isso que quer dizer? Eu sempre fui um filho do Fantas, se bem que preferisse o antigo ao actual. Ainda há tempos saí numa banda desenhada e perguntaram-me se fiquei chateado. Não fico. Não me levo a sério; levo o que faço muito a sério. Percebe a diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É impossível falar consigo sem que faça sucessivas referências aos EUA, onde viveu. Foi à procura de quê?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Fama, fortuna, sexo [risos]. E para fugir de mim, também. Queria um lugar onde houvesse sol e trabalho ao mesmo tempo. Tinha dinheiro, o meu pai tinha falecido e o meu trabalho em Inglaterra acabara. Era o sítio ideal para ir, o mais longe possível dentro da fronteira do Ocidente. Por outro lado, isso aconteceu depois de ter visto o “Easy rider”, é uma longa história. Queria ver aquelas paisagens, tinha a ver com sonhos pessoais de imagem e cowboiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cumpriram-se os sonhos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro. E os pesadelos também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas ainda é muito influenciado pela América?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por uma certa cultura americana: literatura, estética, tecnologia, cinema, a chamada pop cultura. A primeira cidade americana que conheci foi S. Francisco e não foi por acaso. Tinha a ver toda aquela cultura ‘beat generation’. Para um rapaz tímido e fechado, aquilo criou uma estranha sensação de, de repente, chamar a atenção dos outros. E das outras em particular. Vivi uma espécie de explosão de pop star à portuguesa. Tinha 20 anos. Aconteceu-me, não estava preparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No entanto, regressou ao Porto. É um resistente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gosto mais de ser do Porto do que da cidade actual. Não podemos esquecer que as pessoas votaram em Rui Rio. E nós precisamos de mais Armani e menos carrinhos de choque. Se tivesse menos 20 anos, voltaria a fazer as malas. Mas eu já as fiz em 1979, quando fui para Londres trabalhar para a BBC e a Music Box. Não ponho de lado a hipótese de um dia completar coisas que não acabei. Mas ter a minha “baby” é fundamental. Não há nada que eu faça que não a tenha em consideração. Acho-me agora melhor pessoa, melhor profissional, mais seguro e completo do que há dez anos. Seria ainda mais estimulante. A idade, para mim, nem sequer conta. Às vezes, parece que tenho 12 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas rem quase 50. Ainda tem paciência para os festivais de Verão ou vai por obrigação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Adoro o de Sines [Músicas do Mundo], que é mágico e onde estou ansioso por levar a minha filha. Será o primeiro festival dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É um pai de família?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou. Esperei 40 tal anos para ter uma mulher a mandar em mim: a minha filha de sete anos. Sou um pai rock, conhecedor, atento. Ela não me pode enganar e eu Quero ajudá-la a seguir o seu rumo que, pelos vistos, é de showbizz completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que profissão lhe diz que tem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, dizia-lhe que era um desenho animado. Agora, por qualquer estranha razão, ela acha que sou jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voltando atrás: aprecia os outros festivais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O meu primeiro festival foi na Suíça, em 1979. Estava numa tenda com duas louras - mudas como eu gosto. Chovia desalmadamente e lembro-me de ter pensado: “porque é que não há isto em Portugal?” Hoje, os festivais, são um ritual “Margueritte Yourcenar”; um solstício de Verão, um rito de passagem. Existirão enquanto houver pessoas com 16 anos. Representam a primeira transgressão, por muito encenada que seja. A mim rejuvenesce-me sempre. Não me sinto o avô cantigas do rock and roll.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Sudoeste, tem sempre centenas dessas pessoas de 16 anos à sua volta. Gosta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que me fascina nessa miudagem, quando vou às escolas – gosto de perceber em que mundo vivem para não ficarmos demasiado convencidos das nossas verdades -, é o facto de me conhecerem, apenas, da “Liga dos últimos”, que é outra dimensão do meu trabalho. São fanáticos por aquilo, mas não sabem o que eu fiz há dois anos, quanto mais há dez! Não conhecem o meu percurso e isso é extremamente libertador, porque nem sempre me orgullo da minha carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É portista. Vai deixar de viajar na TAP por solidariedade com o FCP?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É um episódio engraçado. Estava no Pombal, vindo do Sudoeste, quando ouvi a notícia. Estavam 40 quilómetros à minha frente._Acelerei e fui atrás a fazer guarda de honra [risos]. Entendo o clube, mas não vejo o episódio como uma perseguição, mas como resultado da prática de aviação comercial, que é bizarra, porque percebemos que quando entramos no avião não temos direitos nenhuns. Alógica da indústria aeronáutica pode levar a vários casos como este e muitas vezes de pessoas sem expressão mediática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No primeiro trimestre deste ano, a Rádio perdeu cem mil ouvintes. Está a perder a alma?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sou um grande cientista dos números. Mas acho que é a ciência do marketing que está a matar a Rádio. A Rádio precisa de alma no sentido de equilibrar as responsabilidades tecnológicas do dia de hoje. Já não podemos fazer hoje como nos 80…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas também diz que a tecnologia faz dos comunicadores prisioneiros…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Era aí que queria chegar. Hoje, a rádio não é o centro da comunicação. Há uma série que eu adoro – “Conta-me como foi” - que tem muito a ver com a minha geração. Há lá um enorme rádio Grundig no meio da sala. Eu tive um igual. Mas a Rádio nunca mais a terá essa posição, não está mais no centro do palco. Com a tecnologia dos anos 90 criou-se um excesso de ciência, de marketing, que está a matar a rádio. Quando o emissor é apenas um manipulador de botões, não vale a pena ouvi-la. Na estrada, eu próprio prefiro ouvir CDs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É apologista de mais conversa e menos playlists?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Defendo uma rádio mais comunicativa, o que é diferente de falar. É, de repente, obrigar alguém a rir, a chorar, a pensar. Cheguei a dizer que, por este caminho, se ninguém estivesse “on the air” quando Kurt Cobain morreu, a notícia só seria dada dois dias depois…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse pior: que se o mundo acabasse, a notícia só seria dada mais tarde...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Exagerei. Sou especialista em sound bytes. É preciso sentido de humor. Eu tenho-o – negro, ácido –, e defendo o exagero como meio para chegar a um ponto lúcido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Num blog, alguém escreveu que seria capaz o ouvir durante 60 minutos a falar sobre cinzeiros sem dar conta do tempo. É um palrador. Sente que é uma excepção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sinto que sou um dos últimos proprietários da liberdade de poder comunicar. Mas também sinto que já devia haver gajos melhores do que eu – e não há. Criou-se essa ideia de que sou um fala barato. Mas sou, acima de tudo, um actor que estuda bem os seus papéis e que tenta, dentro dos seus conhecimentos e experiência, ajustá-los a cada objectivo. Tem a ver com o facto de ter crecido num período em que a especialização em rádio era uma consequência e não um fim. Hoje, nascem especialistas; eu fiz de tudo antes de chegar aqui. Houve uma altura em que fui excesivo, mas de propósito. Hoje, sou mais conciso, mais objectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cria um personagem no ar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Antes de um festival fecho-me em casa, depois também. Sou extremamente contido, muito virado para mim próprio. Tem a ver com os meus princípios budistas. As pessoas entendem que estou a exagerar, que estou a ser ‘persona’, a criar um ambiente. Ninguém acredita 100% no que estou a comunicar. Este exagero, no passado, foi entendido como sendo a minha personalidade. Mas eu entendo que os grandes comunicadores de media são assim e depois desligam o botão. Eu desligo muito, e fico com o meu incenso, os meus santinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem saudades do vídeópolis, que apresentou em meados de 80?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, já foi há tanto tempo. Na altura, foi exagerado, aconteceu quando os vídeos estavam a tornar-se algo excitante. Mas nem sabia o que estava a fazer. Lembrei-me só de fazer um programa temático porque tinha a ver com o que estava a estudar: cultura americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse, uma vez, que o Porto não tem massa crítica, humana e económica para poder ter uma estação de rádio autónoma. A afirmação, de certa forma, aplica-se ao Porto Canal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É melhor fazer-se do que não se fazer. Se é um produto melhor ou pior, é outra história. A televisão é um bicho caro. Havia demasiadas expectativas em relação ao canal e ele nunca poderia servir para salvar a cidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-6245072177329902005?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/6245072177329902005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=6245072177329902005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6245072177329902005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6245072177329902005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/alvaro-costa.html' title='Álvaro Costa'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumI0k0xD_I/AAAAAAAAAaA/FtzML3yoZQg/s72-c/alvaro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-2416183589794472928</id><published>2007-08-31T12:18:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:08:39.975-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mário Cláudio'/><title type='text'>Mário Cláudio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumNNk0xEBI/AAAAAAAAAaQ/sIJYg8-tDzc/s1600-h/marioclaudio.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109770516591349778" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumNNk0xEBI/AAAAAAAAAaQ/sIJYg8-tDzc/s400/marioclaudio.JPG" style="cursor: hand; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;"O Porto está desmoralizado &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;e isso é desmoralizador"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Homem do Porto e dos poucos que, em Portugal, passeia pelos géneros literários todos, da mais irreal ficção à mais leal biografia. Mário Cláudio, 66 anos, responde à entrevista por telefone, ao fim da tarde. Abdicará de qualquer afirmação, menos de uma: aquela em que elogia Miguel Sousa Tavares.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 31 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é a sua expectativa política para a rentrée?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vamos continuar a assistir ao crescimento do prestígio do presidente da República e à progressiva degradação do Governo que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portugal está cada vez mais perigosamente perto dos países da América Latina?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de lhe dizer que não - mas não posso. Só o facto de fazer a pergunta já significa algo de muito triste para todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Porto é cidade desmoralizada ou desmoralizadora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, é exactamente as duas. Desmoralizada, porque está sem alma. Desmoralizadora porque as expectativas, a curto prazo, da recuperação dessa alma parecem-me pouco prováveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amanhã, há a expectativa de que a cidade receba 600 mil pessoas para assistir à Red Bull Air Race. Deixa seduzir-se por estas manifestações?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De maneira nenhuma. Mais uma vez, estamos perante uma declinação do fenómeno circo, que é sempre uma das grandes armas que o Poder utiliza para tapar qualquer outro protesto que possa afectá-lo. Manifestações dessas - eloquentes mas vazias - só servem para aumentar o fosso entre o que é a cultura e o espectáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ser actor político é uma ideia que o cativa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seria num país diferente; neste não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não se imagina, portanto, como vereador da cultura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De forma nenhuma. Sentir-me-ia de certeza muito frustrado. Seria um homem de cultura num meio absolutamente anticultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguém que gosta tanto de cães, de que forma castigaria os portugueses no ano em que mais abandonaram animais de estimação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Abandonava-os. Quem abandona um cão é capaz de abandonar uma pessoa. Manifesta profundo desprezo pela vida e por si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um escritor é um exilado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tem que ser. Se não tiver esse estatuto, perderá o privilégio do escritor, que é reflectir sobre um todo do qual se sente dissociado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É tão barroco na sua vida como é na escrita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Absolutamente. As pessoas mais próximas queixam-se disso. Procuro corrigir na medida em que isso as possa magoar. Mas é, sem dúvida, uma característica da minha natureza que não abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De que figura, também distinguida com o Prémio Pessoa, se sente mais próximo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De todos. Mesmo daqueles com os quais não coincido no gosto ou nas opções ideológicas. Não é disso que se trata. Trata-se de celebrar a harmonia de pessoas que, vivendo neste país, são capazes de o transformar em algo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A facilidade que existe hoje em publicar o que quer que seja traz pessoas para a literatura ou pode irremediavelmente afastá-las?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Traz pessoas para a compra do livro, o que é diferente. A inflação da escrita, muitas vezes irresponsável e vazia, poderá contaminar as pessoas e levá-las a pensar que a literatura é uma actividade como outra qualquer - e não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Muitos dos seus antigos alunos continuam a tratá-lo por professor. Como gere essa relação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de ser colocado no púlpito; sinceramente, gosto de estar de igual para igual. Não me agrada nada que me atribuam uma distinção de tratamento quando a relação já é de afectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Afirmou numa entrevista a Miguel Sousa Tavares que "não há passado; apenas presente, porque no presente tudo se cristaliza". Faz 'delete" a tudo o que já passou?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário. Recupero o passado como presente. Mas fico satisfeito que tenha referido o Miguel Sousa Tavares. Quero dizer que é um grande jornalista, um escritor esplêndido e um homem que nos dá uma grande lição de coragem ao colocar-se de fora do que é a vida literária portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso é uma resposta a Baptista Bastos, que disse que ele "não existe como escritor"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Tenho por ambos um afecto muito grande e não quero estar no meio de uma disputa que haja entre os dois. São duas personalidades sedutoras, prestigiantes e prestigiadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-2416183589794472928?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/2416183589794472928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=2416183589794472928' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2416183589794472928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/2416183589794472928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/mrio-cludio.html' title='Mário Cláudio'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumNNk0xEBI/AAAAAAAAAaQ/sIJYg8-tDzc/s72-c/marioclaudio.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-394282992377689882</id><published>2007-08-30T12:17:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:09:15.847-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Gomes'/><title type='text'>Ana Gomes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumORk0xECI/AAAAAAAAAaY/Oae3LlpiyUI/s1600-h/ana+gomes.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109771684822454306" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumORk0xECI/AAAAAAAAAaY/Oae3LlpiyUI/s400/ana+gomes.JPG" style="cursor: hand; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;"Uso o que for preciso no confronto diplomático"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Passou de estimada embaixadora de Portugal em Jacarta a voz aparentemente inconveniente dentro do Partido Socialista. Ana Gomes, 53 anos, eurodeputada, é uma mulher sem medo. E sem papas na língua. À entrevista combinada por telefone, responde por mail, num intervalo da sua agenda em Bruxelas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 30 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há quem agora a veja como uma "incontinente verbal". Foi a Ana Gomes que mudou ou os outros que mudaram?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Só mudou o registo em que passei a exercer o direito de opinar da diplomacia para a política era inevitável ser acusada de "incontinência" por gente constrangida pelas piores razões....Quem se sentir "molhado", que se mude...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vê-se como a última mulher da extrema-esquerda em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Realmente, nunca fui de extremos, nem mesmo no MRPP, onde alguns me acusavam de ser "burguesa"... Sou até cada vez mais mediana uma entre muitas mulheres, de Direita, Centro ou Esquerda, sem medo de dizer o que pensa e passar à acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Às vezes, sente-se a 'tonta' do PS ou é só mulher sem medo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O medo controlo-o, para que não me impeça de fazer o que há a fazer. A "tontaria", trato de destilá-la sobre quem julga tolher-me com grosserias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Declarou-se contra a Ota. Sinal de lucidez ou senilidade partidária?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Contra não me declarei. Mas cheia de dúvidas sim, esperando que a decisão seja tomada na base de estudos que demonstrem qual é a melhor localização e o mais sustentável projecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O financiamento dos partidos é a forma mais visível de corrupção em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Além das formas visíveis, preocupam-me as invisíveis. Nos partidos e não só a corrupção é o pior cancro da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O PS é mais impoluto agora ou quando estava na Oposição?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou convencida de que Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso foram politicamente "assassinados" pela "inconveniência" do seu empenho de sanear e despoluir. Dentro e fora do PS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sócrates é o último bastião da liberdade de expressão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não faltarão bastiões, até graças à vacina da censura salazarista. E a blogosfera é uma arma poderosa, embora de dois gumes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Costuma falar com ele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre que necessário e sem dificuldades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi melhor primeiro-ministro António Guterres ou José Sócrates?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É cedo para fazer o balanço. Têm diferentes pontos fortes e fracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Governo pretende que, no próximo ano, a taxa de emprego das mulheres seja de 63%, evoluindo até 2008 mais do triplo do que até 2004 [61,7%]. É uma meta concretizável?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim. Mas é fundamental que se concretizem também estruturas de apoio (creches, horários flexíveis, etc..). e se combata a discriminação salarial que atinge a maior parte das mulheres que trabalham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nos últimos 30 anos, só 6% das mulheres tiveram cargos no Governo. Sinal de uma democracia imberbe ou lenta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sinal de democracia incompleta, desperdiçadora de talentos e de competências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A esta distância, como vê o volte-face em Timor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Previsível, natural e constitucional, embora doloroso. Espero, também, que salutar para a construção democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A experiência diz-lhe que os diplomatas-homens são mais interessantes do que as diplomatas-mulheres?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depende dos homens. E das mulheres, também...'Nem sempre a elegância estética se pode colocar acima da verdade', disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma mulher activa intelectualmente rejeita as bijutarias da vida?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Qual quê? Não dispenso brincos e uso muitas vezes alfinetes na lapela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Usa o seu charme feminino num confronto diplomático?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uso tudo o que for preciso, mas em modalidades e doses adequadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobra-lhe tempo em Bruxelas para andar às compras?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Raramente, nem sequer para abastecer o frigorífico. Aproveito as esperas nos aeroportos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que está fora do país ou nunca se sentiu tão perto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca me senti tão dentro, estando fora cinco dias por semana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-394282992377689882?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/394282992377689882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=394282992377689882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/394282992377689882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/394282992377689882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/ana-gomes.html' title='Ana Gomes'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumORk0xECI/AAAAAAAAAaY/Oae3LlpiyUI/s72-c/ana+gomes.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-4011336461903082008</id><published>2007-08-29T12:16:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:09:41.939-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carlos Magno'/><title type='text'>Carlos Magno</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4WiMnqERI/AAAAAAAABw0/nDgM-F9zMeY/s1600/carlos+magnum.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489349772570136850" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4WiMnqERI/AAAAAAAABw0/nDgM-F9zMeY/s400/carlos+magnum.JPG" style="cursor: hand; display: block; height: 275px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;"Cavaco quer merecer o cartão de jornalista estagiário"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Conhece os truques e as curvas das perguntas. Quando não existem, lê nas entrelinhas. E, na dúvida, responde como se estivessem lá. Carlos Magno, 52 anos, jornalista e comentador do palco político da nação aproveita a boleia para deixar recados. Entre sucessos e fracassos não perdeu o pé. Em alguns casos, só a fé. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 29 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que parte do seu percurso, pessoal ou profissional, apagaria da Wikipédia?&lt;/strong&gt;Nenhuma. Sou um liberal. Nem sei o que lá vem escrito A Wikipedia não é a caixa negra do meu percurso, nem a memória íntima de qualquer imagem pública. É só uma parede virtual, onde cada um escreve, anonimamente, o que lhe apetece sobre os outros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sente que perdeu o pé quando tentou criar a NTV?&lt;/strong&gt;Só perdi a fé. Acreditava no bairrismo cosmopolita do Porto e percebi que esse projecto só será possível na próxima geração. Criei a NTV quando os próprios accionistas quiseram fazer abortar o projecto muito antes do arranque. Apesar disso ficaram na RTP grandes jornalistas que eu formei. Embora outros tenham sido dispensados. Precisamente por serem ainda melhores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O canal era, como chegou a ser dito, o espelho do seu criador?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sobre os espelhos sugiro a leitura de um livrinho de Umberto Eco precisamente com este título: «Sobre os espelhos». É lá que ele explica as ilusões ópticas entre a semiótica e a semiose. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A travessia do deserto existe mesmo ou é um mito?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desertar, agora que Portugal está um oásis, faz-me lembrar o camelo que não percebe a mensagem do Sérgio Godinho: « …e o Porto aqui tão perto». &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;“Intelectual-crítico-amante-de-prazeres” é uma definição que encaixa em si ou escolheria outra?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se eu respondesse a esta pergunta você não me faria a próxima, mas olhe que eu faço uma avaliação crítica dos intelectuais sem prazer. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Há quem defenda que quando se olha ao espelho fica abismado com “tanta beleza e tanta perfeição”. É assim ou nem tanto?&lt;/strong&gt;É muito mais do que isso. Sobretudo quando olho para o retrovisor e vejo uma mulher bonita no carro atrás de mim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não resiste a escrever sem fazer jogos de palavras, trocadilhos. É um truque calculado ou algo que lhe sai espontaneamente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depende. Perante um inquérito destes, por exemplo, a tentação é evitar jogos de linguagem. Mas não consigo porque as suas perguntas trazem calculado o truque. E se eu responder sem trocadilhos lá se vai a paciência do leitor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Rescindiu com a TSF em 2004. Um dissidente continua a ouvir a rádio que fundou?&lt;/strong&gt;Com a mesma naturalidade com que a TSF me ouve a mim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Da TSF tem mais saudades do Grande Júri ou de Freud &amp;amp; Maquiavel?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho saudades do tempo em que a TSF tinha notícias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Para Maquiavel todos os homens são movidos por interesses egoístas, por ambição e poder pessoal. Se Carlos Amaral Dias era Freud, Carlos Magno era Maquiavel. Quer dizer que se revê nesta convicção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Li Maquiavel pela mão de Jorge de Sena que defendia a tese de que verdadeiramente maquiavélico era o Príncipe. O Carlos Amaral Dias ensinou-me a ler Freud. E com ele percebi que se o Maquiavel fosse vivo seria hoje um «spin doctor» do marketing político. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Política e psicanálise andam mesmo de mãos dadas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim. Em total promiscuidade com a literatura, o cinema, o futebol, o sexo, a comida, os negócios estrangeiros, a música, as viagens, a lingerie e os agentes secretos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Pode dizer-se que há um lado voyeurista nos analistas políticos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas mais voyeurista é o público que leva a sério os comentários de políticos travestidos de analistas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Como Fernando Seara, também acha que Marcelo Rebelo de Sousa seria, no actual cenário, o próximo melhor presidente da República?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que Marcelo seria um bom presidente da Câmara de Sintra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na política, quem ressuscitaria, se pudesse: Francisco Sá Carneiro ou Francisco Lucas Pires?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que fazem os dois muita falta à direita portuguesa e o Francisco Lucas Pires à própria direita europeia. Em 2008 vai fazer dez anos que o eurodeputado morreu. Mas tenho falado com alguns dos seus amigos e espero que no próximo ano nos encontremos todos em Ofir. Eu estive lá como jornalista e sei que quem melhor aproveitou as ideias daquele grupo liberalizador de Lucas Pires foi Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E no jornalismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No jornalismo ressuscitava o Victor Cunha Rego que era um homem de esquerda e andou várias vezes com a direita às costas. Ou vice-versa, como ele dizia. Mas ressuscitava para a rádio um que, felizmente, está bem vivo: Francisco Sena Santos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Cavaco Silva vetou o Estatuto do Jornalista. Ficou surpreendido?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Acho que o Presidente da República é sempre o maior líder de opinião no nosso sistema político e Cavaco Silva quer merecer, hoje, o cartão de jornalista estagiário que nos lhe oferecemos, simbolicamente, no seu 48º aniversário, em plena campanha eleitoral, quando ele achava que nós cobríamos mal os seus comícios. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Acha que os media ajudam a tornar periférico tudo o que não está em Lisboa ou é, apenas, inglória a luta no sentido contrário?&lt;/strong&gt;Eu nunca me senti periférico. Acho é que a agenda mediática portuguesa se tornou quase merdiaticamente irrelevante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em que é que a nova geração de jornalistas é diferente da sua?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na falta de memória. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O que há em si de verdadeiramente transmontano?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu não gosto da palavra transmontano. Prefiro dizer que sou nordestino. E costumo dizer aos meus conterrâneos que um transmontano é um resistente. Mas um nordestino é um sobrevivente com uma bússola para descobrir o Norte e com ele o seu destino. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Qual é hoje o seu Norte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Norte de que se fala nos jornais é uma invenção do Sul. O meu Norte é uma frase do professor Agostinho da Silva quando me dizia que «há muito Norte a sul do equador que nos passa pela cabeça».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-4011336461903082008?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/4011336461903082008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=4011336461903082008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4011336461903082008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/4011336461903082008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/carlos-magno.html' title='Carlos Magno'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4WiMnqERI/AAAAAAAABw0/nDgM-F9zMeY/s72-c/carlos+magnum.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-6571546831465549115</id><published>2007-08-28T12:15:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:10:09.803-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Theatro Circo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Braga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paulo Brandão'/><title type='text'>Paulo Brandão</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4XeJtKGKI/AAAAAAAABw8/Z0MEmbSE77s/s1600/paulobrandao.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489350802580052130" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4XeJtKGKI/AAAAAAAABw8/Z0MEmbSE77s/s400/paulobrandao.JPG" style="cursor: hand; display: block; height: 267px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;"Não sou um jogador tão caro como gostaria"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É um dos programadores mais cobiçados. E, ao mesmo tempo, um dos mais temidos – os equipamentos que programa parecem sempre condenados ao sucesso. Paulo Brandão, 40 anos, director artístico do Theatro Circo, em Braga, responde por mail à entrevista, numa pausa da mudança de casa.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;[Entrevista de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: 78%;"&gt;Helena Teixeira da Silva publicada a 28 de Agosto de 2007 na&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: 78%;"&gt;série farpas no Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Confima o slogan: "É bom viver em Braga"?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muito bom. Como no Silvas; a Jo-Jo's tem todos os discos de que preciso; a Centésima Página é visita obrigatória todas as semanas; o Circo dá-me a adrenalina; no Latino faço o balanço. Durmo em Famalicão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Já se converteu ao lado mais católico da cidade?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou fácil de converter a coisa alguma. Em Braga, a minha religião é a do Theatro Circo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A sua transferência da Casa das Artes em Famalicão para o Theatro Circo (TC) em Braga foi como subir da liga de honra à primeira divisão?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não gosto de analogias com o mundo do futebol, mas respondo com uma: na vida, vejo-me mais como massagista de uma equipa feminina (a divisão não importa). O que importa são os resultados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O Paulo é um jogador caro?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tão caro como gostaria. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tem sido recorrente a comparação da sua programação com a da Casa da Música (CM). É o seu próximo campeonato?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Casa da Música tem um excelente programador. Não é o meu "próximo campeonato". Mas qual o programador que não gostaria de a programar? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há competição entre os dois equipamentos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há competição. Mas os espectadores é que devem decidir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ambos decidiram ter países convidados: Espanha, no caso da CM; França e Alemanha, no caso do TC. Há coincidências?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há coincidências, certamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ao colocar Famalicão e Braga no mapa está também a colocar lá o seu próprio nome?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os mapas também são feitos de pessoas. Aliar o meu nome a Famalicão e a Braga é uma honra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O facto de antes, como agora, estar sempre tudo centralizado em si é uma exigência sua?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma forma de trabalhar. Embora passe os dias a descentralizar pelos meus colaboradores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O que achou da petição "Contra o compadrio cultural de Braga", que ainda está a circular na Internet?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desconheço a petição. Não gosto de compadrios pela negativa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Encara a política da cidade como território de padrinhos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cultura precisa de "padrinhos". Muitos. Aproveito para lhe indicar que o Theatro Circo anda à procura de Mecenas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ainda não está há um ano no TC e já houve quem pedisse a sua demissão. Como reage?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ponho na balança. A minha demissão, porquê!? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O financiamento de políticas culturais é mais fácil de obter em autarquias laterais, isto é, fora do eixo Porto-Lisboa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As autarquias não têm dinheiro. O Ministério da Cultura não tem dinheiro. O país não tem dinheiro. A solução é fazermo-nos cada vez melhores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"Não será por falta de verba que esta casa não fará espectáculos", disse Mesquita Machado. É um privilegiado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A situação de privilégio não é minha, é de Braga e de todos os que frequentam o Theatro Circo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ainda é espectador do Teatro Nacional S. João, onde trabalhou oito anos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre que posso. Ricardo Pais é um esteta que muito admiro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Se um produtor privado quisesse gerir o TC, como reagiria?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei se tal será possível. O dinheiro não pode ser tudo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Braga ajudou a encurtar a distância de Lisboa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Braga, Bragança, Famalicão, Guimarães e Vila Real são exemplos que têm vindo a encurtar culturalmente a distância. Lisboa, em relação a nós, é que está cada vez mais longe. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Assistiria mais depressa a uma corrida de carros ou a um concerto de John Zorn?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compreendo a sua pergunta e confesso que não nutro grande admiração pelo senhor Rui Rio. Assistiria com agrado a um concerto de Zorn, por exemplo, no Rivoli. Mas também não me faria mossa assistir a uma corrida de automóveis em frente ao Theatro Circo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-6571546831465549115?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/6571546831465549115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=6571546831465549115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6571546831465549115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6571546831465549115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/paulo-brando.html' title='Paulo Brandão'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4XeJtKGKI/AAAAAAAABw8/Z0MEmbSE77s/s72-c/paulobrandao.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-5915955843588964836</id><published>2007-08-27T12:15:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:12:20.043-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guta Moura Guedes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Experimenta Design'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casa da Música'/><title type='text'>Guta Moura Guedes</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4YSo6W-uI/AAAAAAAABxE/NA76mR7rp98/s1600/guta.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489351704310119138" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4YSo6W-uI/AAAAAAAABxE/NA76mR7rp98/s400/guta.JPG" style="cursor: hand; display: block; height: 266px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;"Não tenho paciência para conversas da treta"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hesitou, ponderou, quase recuou. No regresso de férias, Guta Moura Guedes, 42 anos, reavaliou a proposta e aceitou responder à entrevista. Por mail. A “senhora design”, como foi baptizada, e agora, também, rosto feminino da Casa da Música, não é “mulher de palco”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;[Entrevista&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size: 78%;"&gt;de Helena Teixeira da Silva publicada a 27 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Perguntam-lhe muitas vezes se é da família da Manuela Moura Guedes?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Às vezes. Normalmente, após a minha confirmação, comentam: “Ah, mas são tão diferentes! Não são nada parecidas!”. O que é um facto. &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está mais próxima de Ally McBeal, Carrie de "Sex and the city", Lynette Scavo de "Desesperate Housewives" ou Kate de "Lost"?&lt;/strong&gt;Não faço a mínima ideia. A única que eu conheço daí é a Kate do Lost, que é uma série de culto que eu vejo com os meus filhos e com os meus irmãos. Mas próxima como? Elas não são reais. Eu não me revejo em imagens, nem me comparo com ficções. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que imagem de si lhe devolve o espelho?&lt;/strong&gt;A minha, espero eu. Uma mulher de 42 anos, morena, olhos claros, feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As sardas foram, em algum momento, motivo de complexos?&lt;/strong&gt;Porquê? Deveriam ser?! Não concordo nada com isso! Acho-lhes tanta graça. Às minhas ou a outras quaisquer. Sempre achei, desde miúda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em Portugal, é mais complicado ser mulher, bonita ou independente?&lt;/strong&gt;Hoje em dia não é complicado ser-se mulher, bonita e independente. É bom! Bonita por fora e mulher são duas coisas que não se escolhem, nasce-se assim, é um calhar. Independência é algo que se conquista, pela qual se luta diariamente, é uma escolha. Adoro mulheres bonitas, independentes e inteligentes. É sempre um privilégio trabalhar ou estar com elas. Quem não sabe isto, não sabe o que perde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não tem paciência para conversas de mulheres ou não vive sem elas?&lt;/strong&gt;Gosto imenso do universo feminino. Dos detalhes, dos pormenores, das nuances, das perspectivas, das sensibilidades. Não tenho paciência é para conversas de café, para falar sobre o tempo, para conversas ocas, da treta, seja com homens ou com mulheres. Isso aborrece-me mortalmente. Fujo a sete pés. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O seu percurso académico foi feito de alguns recomeços. Seria capaz de começar tudo do zero outra vez?&lt;/strong&gt;Claro que sim. Interessa-me a energia dos recomeços e as possibilidades que se abrem com isso. Gosto de manter um lado da minha vida sólido, estável e contínuo e gosto de, noutras áreas, estar sempre aberta a novos desafios. Não me impressiona recomeçar, impressiona-me é cristalizar e fossilizar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que professor escolheria para voltar a tocar piano?&lt;/strong&gt;Não sei. Um dia hei-de pensar nisso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Já foi cantora. Hoje, é fã do karaoke?&lt;/strong&gt;Eu não fui cantora, nunca tive essa profissão. Cantei em público, pertenci a um grupo de jazz e gravei em estúdio, mas isso entre muitas outras coisa que fiz. Gosto muito mais de cantar em privado. O karaoke tem uma dimensão de exposição pública que eu não gosto. Esse foi um dos motivos que me levou para fora do mundo da música. Não sou uma mulher de palco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A sua casa é uma colecção de objectos de design?&lt;/strong&gt;A minha casa reflecte o que eu e os meus filhos somos e como queremos viver. Não tenho espírito de coleccionadora, não tenho a mínima paciência para isso. Tenho poucos objectos, não sou de objectos. Gosto de espaços amplos e abertos. Pouco preenchidos, mas quentes e expressivos, com móveis e equipamentos bem desenhados e calorosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desenhou uma cadeira (Blimunda) inspirada em Saramago. Que objecto desenharia para Lobo Antunes?&lt;/strong&gt;Ah, mas a cadeira não foi inspirada no José Saramago, mas sim numa das personagens de um livro escrito por ele. Ao ler o Memorial do Convento algumas dessas personagens tomaram formas tridimensionais dentro da minha cabeça e eu desenhei-as. Isso nunca me aconteceu com nenhum livro do Lobo Antunes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A propósito, o que faz "quando tudo arde"?&lt;/strong&gt;Deixo arrefecer. O que, dependendo do que é o “tudo”, pode levar horas, dias, meses ou anos. A seguir parto para outra, sozinha ou com os que comigo quiserem ir. Gosto muito mais de ir bem acompanhada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em locais públicos, gosta de observar as pessoas ou abstrai-se?&lt;/strong&gt;De observar as pessoas. Sou fascinada pela variedade e por tentar perceber como é cada um. Mas não sou lá muito sociável. É-me muito fácil estar completamente abstraída no meio de muita gente, quase como se não estivesse lá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez sentiu vergonha de Portugal num qualquer evento internacional?&lt;/strong&gt;Não. Às vezes estamos aquém do que somos, outras vezes enganamo-nos redondamente, mas nunca vi nada que me envergonhasse verdadeiramente. Embaraçou-me muito explicar internacionalmente o cancelamento da ExperimentaDesign2007 – Bienal de Lisboa devido ao comportamento de um autarca português, que por acaso era o autarca da capital de Portugal. A estupefacção geral foi enorme. E é claro que senti vergonha que isto acontecesse no meu país. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Maria João Bustorff ou Isabel Pires de Lima: qual das duas representou melhor o Ministério da Cultura?&lt;/strong&gt;Isso é algo sobre o qual eu falaria de bom grado com cada uma delas, mas não nos jornais. Pena é que o Ministério da Cultura, com o orçamento e meios que tem, continue a não poder ser mais do que uma espécie de fraca Secretaria da Cultura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A Câmara de Lisboa inviabilizou sem aviso prévio a Experimenta Design. Crime ou castigo para Carmona Rodrigues?&lt;/strong&gt;Carmona Rodrigues procedeu erradamente em relação à Experimenta, enquanto ocupava um cargo público de alta responsabilidade. É evidente que deveria pagar por isso. Mas a vida, com as suas voltas, às vezes trata destes assuntos de um modo tão natural e tão eficaz, já viu? Eu não gosto de perder tempo a destruir ou a punir. Não acredito nisso, sequer, nem sei fazê-lo, não está na minha natureza. Interessa-me é andar em frente e deixar para trás estes infelizes acontecimentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Era capaz de assumir algum protagonismo político em Torres Vedras?&lt;/strong&gt;Muito daquilo que faço, em Portugal ou no estrangeiro, tem uma dimensão política, na expressão mais pura desta palavra. Interessa-me o trabalho comunitário, trabalhar para melhorar a sociedade. Mas a política ligada aos partidos não me atrai nada, nunca me atraiu. Não faço nenhuma questão de ter protagonismo político, nem em Torres Vedras, nem em sítio nenhum. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-5915955843588964836?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/5915955843588964836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=5915955843588964836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5915955843588964836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5915955843588964836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/guta-moura-guedes.html' title='Guta Moura Guedes'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4YSo6W-uI/AAAAAAAABxE/NA76mR7rp98/s72-c/guta.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-469431291010482370</id><published>2007-08-26T09:30:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:28:10.145-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paulo Cunha e Silva'/><title type='text'>Paulo Cunha e Silva</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4vmi143zI/AAAAAAAABzE/4dthPQVF1PE/s1600/paulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489377335045578546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 157px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4vmi143zI/AAAAAAAABzE/4dthPQVF1PE/s400/paulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"O Porto é uma cidade com o cérebro sequestrado"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Num encontro, pós envio da entrevista, Paulo Cunha e Silva, 45 anos, queixou-se da ‘maldade’ das perguntas. Demorou sete dias a responder. Colunista amigo, presente nesse momento que assinalava o lançamento das crónicas do programador da Porto 2001, gracejou: “Não entendo o que ele diz”. O investigador do corpo e do Porto, garante: “Não sou formal”.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada na série "Farpas" do JN a 20 de Julho de 2007]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não consigo imaginá-lo fora dessa postura invariavelmente coloquial. Há outra pessoa, porventura mais solta, além dessa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sou muito solto. Porventura demais. Quase o campeão da informalidade. Mas também patologicamente tímido, embora atrevido. Talvez que o resultado seja, para um observador exterior, um animal selvagem dentro de um colete de forças, dentro de uma jaula elástica adaptada à pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem medo do juízo dos outros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tenho medo, mas sou sensível. Com o tempo fui ficando com a pele dura. Todos procuramos reconhecimento. Quem disser que não, mente. E o reconhecimento só pode ser dado pelos outros. Essa é porventura a nossa maior dependência. Mesmo o político com a carapaça mais espessa não se consegue livrar dessa vulnerabilidade, o juízo dos outros, a não ser que esteja disposto a perder as eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que não o mata, alimenta-o?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Até comigo o metabolismo funciona (risos). Não sei se podemos falar de um metabolismo da dor e da perda. Mas sem dúvida que todas as experiências, mesmo (sobretudo) as negativas, são constitutivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É mais dado à acção ou à melancolia?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Absolutamente ciclotímico. Nisso sou muito nacional. Oscilo entre períodos de euforia produtiva e abandono melancólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que lhe seria mais difícil aceitar: a perda da memória ou do amor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas há amor sem memória? Sem me lembrar daquilo que “fizeste” ontem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houellebeqc diz que "precisamos de aventura e erotismo porque temos necessidade de nos ouvir dizer que a vida é maravilhosa e excitante e, mesmo assim, chegamos a por tudo em causa". Precisa disso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De aventura, seguramente. A aventura é o termómetro da outra vida que todos queremos viver. E de erotismo também. Ele é o momento em que a minha pele se estende pela pele do mundo. Defendo assim um panerotismo. Uma Erótica do palpável, mas também do inapreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que personagem criaria para o Second Life, se aderisse ao jogo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ficaria com o avatar de mim próprio, passe o narcisismo virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a sua melhor ficção na vida real?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A própria vida real. Só a aceito porque estou convencido de que se trata de uma imensa ficção. No limite de uma ficção em que nós somos simultaneamente dramaturgos, encenadores e actores. Se assim não fosse isto seria insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que move alguém com aversão ao sangue a licenciar-se em medicina?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas eu gosto de sangue! Atenção, não sou vampiro, mas é um dos meus tecidos favoritos. É o nosso verdadeiro underware. Até já escrevi sobre ele (uma afirmação irritante que uso para desmobilizar adversários).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Costuma automedicar-se?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre que possível. Sou um doente clinicamente incorrecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que lhe é mais indispensável: TV Cabo, telemóvel ou Internet?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Telemóvel. Transformou-se, sem eu dar por isso, numa prótese inalienável. Fico disfuncional quando ele não funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em Portugal as pessoas obtêm lugares consoante a exposição que têm?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nem isso. Portugal é um país por onde os princípios do determinismo e da causalidade não passaram: tudo pode acontecer sem se saber porquê. Toda a gente pode ser tudo, sobretudo quando tem qualificações para ser coisa nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há falta de imaginação, no Porto, para a nomeação de cargos relevantes?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Neste momento há falta de imaginação no Porto para o que quer que seja. É uma cidade com o cérebro sequestrado. Sofreu uma lobotomia e parece que ninguém deu por nada. Não gosto da ideia de cargo, é muito pesada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que relação tem hoje com Isabel Pires de Lima?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma. Mas não posso deixar de aplaudir a sua eficácia no desmantelamento do Ministério da Cultura. Não teria sido melhor se Sócrates lhe tivesse pedido “Para Acabar de Vez com a Cultura”. Nem Santana Lopes (enquanto SEC) conseguiu tal proeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"A ambição embriaga mais do que a glória"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São duas drogas muito aditivas. Mas o mundo não avança sem a primeira nem relaxa sem a segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Alentejo é o lugar a que volta sempre ou só o lugar de onde saiu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o lugar de onde saí com um ano de idade. A vida de magistrado (pai) era uma vida cigana. Mas é um lugar onde me apetece voltar quando preciso de vistas largas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No cinema, prefere Almodôvar ou Oliveira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito dos dois. Formalmente muito diferentes, há, todavia, em ambos uma humanidade radical. São dois mestres absolutos da ironia enquanto sistema de dissecação do humano. A velocidade de Almodôvar e a imobilidade de Oliveira são estratégias ao serviço do mesmo objectivo: fazer um mapa da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem em comum com David Cronenberg o corpo como objecto de estudo. Se fosse o cineasta, de que forma apresentaria o efeito do tempo no seu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, no meio dos meus 45 anos, sou uma pessoa pacificada com o envelhecimento, mesmo que viva no seio de uma cultura que celebra a juventude. Pensar o corpo ajudou-me a conviver melhor com ele. Não gostaria de sofrer um “crash”, nem pediria ajuda aos “irmãos inseparáveis”. O tempo não se vê se não acelerarmos as suas consequências, é assim um dos objectos mais infilmáveis. Só vemos o movimento, como seu efeito secundário. Por isso filmar-me-ia em trânsito com uma câmara, não apontada para trás (wenderiana), mas apontada para frente, e o meu tempo seria o tempo que há-de vir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-469431291010482370?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/469431291010482370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=469431291010482370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/469431291010482370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/469431291010482370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/paulo-cunha-e-silva.html' title='Paulo Cunha e Silva'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4vmi143zI/AAAAAAAABzE/4dthPQVF1PE/s72-c/paulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-7872864195977314820</id><published>2007-08-26T09:29:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:29:51.548-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel Veiga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSD'/><title type='text'>Miguel Veiga</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4v766epLI/AAAAAAAABzM/vebiBarsx4s/s1600/miguel+veiga.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489377702284534962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4v766epLI/AAAAAAAABzM/vebiBarsx4s/s400/miguel+veiga.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"É provável que venha a ter o nome numa travessa da Foz"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ele preferia sardinhas. Por cortesia, aceitou partilhar uma maionese de pescada, numa esplanada dessa Foz, que é a sua casa. Miguel Veiga, 71 anos, respondeu às perguntas em 27 minutos, desafiando a síntese que não possui. O telemóvel tocou cinco vezes: tudo jornalistas à procura de respostas para o PSD. O histórico do partido nunca foi elegível, mas é sempre o primeiro a ser ouvido.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada na série "Farpas" do JN a 19 de Julho de 2007]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez meteu uma cunha por alguém?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cunha não, porque é um nome feio e pesado. Mas empenho, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem muitos pedidos de empenho?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tenho muitos e muitas vezes me empenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É um jogador?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou um jogador moderado e controlado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Costuma ir ao Casino?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vou lá algumas vezes; não muitas. Sou um jogador a prazo certo. Passado meia hora, esteja a ganhar ou a perder, fico saturado e venho-me embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As conversas com Artur Santos Silva, que trata por irmão, versam sobre os desígnios nacionais ou sobre coisas de rapazes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rimo-nos muito. Muitas vezes de coisas proibidas e desvairadas. Embora, eu seja sempre o agente provocador, porque ele é um vitoriano por compostura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas ele é um bom receptor das suas provocações?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É melhor receptor do que emissor. Divertimo-nos muito. Nessa distribuição de encargos, ele deixa os desvarios e as derivas para mim. Sempre com o intuito de que eu o recompense. E recompenso-o. O meu último gesto, que foi a maior alegria da vida dele, foi nomeá-lo meu gestor de conta [risos].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é ter uma neta sem ter filhos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha neta Leonor, filha do meu enteado Nuno, é a menina dos meus olhos. É o meu deslumbramento. É uma luz nova, surpreendente e encantadora, com que ilumino os meus dias. Foi a primeira e, certamente, a última mulher que me fez abandonar mais cedo o escritório, de onde regresso, habitualmente, às 21.30. Muitas vezes, às 19.30 horas, já tenho tantas saudades dela que tenho de ir apressadamente para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua experiência diz-lhe que as mulheres se apaixonam mais pelo cérebro ou pela aparência masculina? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As mulheres começam a apaixonar-se pela cabeça dos homens, mas são suficientemente lúcidas para depois descerem pelo corpo abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A paixão de Primavera é igual à de Outono?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O coração bate exactamente da mesma maneira. As pulsões do coração são exactamente as mesmas. O corpo é que, de vez em quando, não a acompanha tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Brasil, há uma nova moda, chamada “dogging”, que envolve a prática de actos sexuais em locais públicos. Parece-lhe razoável?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, não. Peremptoriamente, não. Não sou moralista, nem sou um homem de virtudes, mas há excessos que sinto como completamente revoltantes. E esse tipo de jogo é completamente execrável. Até porque acredito no jogo da sedução, do desejo, do encontro. E os encontros não se fazem dessa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escreveu: “A verdade do desejo é a única que não mente”. Ainda cede ou resiste?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Resisto a tudo, salvo à tentação do desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desejava ter o seu nome numa rua do Porto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde que fosse um lugar como a Foz, a que estou enraizadamente ligado, porque não? Embora, passasse a ser um nome como tantos outros; apenas o nome de um endereço. As pessoas depois esquecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente que, mais cedo ou mais tarde, acabará por tê-lo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É provável. Se continuarem a construir-se tantas edificações na Foz, é possível que ainda sobre alguma travessa para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como descobriu o Minho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos, a Belicha [mulher] queria muito uma casa de campo. Sempre fui refractário militante ao campo. E dizia sempre, abonando-me com Baudelaire, que “o campo é um legume santificado”. Um dia, um grande amigo, José Rodrigues [escultor], que tem o célebre convento Sampaio no cimo de Cerveira, quis levar-me para junto dele. Andou a procurar uma casa e encontrou. Um dia, convidou-me para almoçar e, à falsa fé, depois de almoço, disse: “Vou mostrar-te uma vista bonita”. Foi o ‘coup de foudre’. É uma casa de pedra, que tem a qualidade de não pretender ser mais nada senão uma casa de pedra, o que é raro no Minho, que é cheio de rodriguinhos. Olhei para o rio ondulado, para aquela espécie de neblina de evaporação que sobe e dá uma outra cor e visão às coisas, uma espécie de nuvens. E disse: “Isto é a casa das nuvens”. Apaixonei-me e registei-a. A casa é minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente a pressão do tempo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não se deve dar o tempo ao tempo, porque ele aproveita-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aceitaria ser advogado de um dos arguidos do caso ‘Apito Dourado’?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não teria preconceitos. Mas é um mundo que desconheço, ao qual não pertenço e que não me atrai. Receio bem que, se aceitasse, não seria um bom advogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Enquanto líder do PSD, Luís Marques Mendes nunca o convenceu. Em que falhou?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Marques Mendes revelou grande coragem política, grande rigor, grande correcção, grande capacidade de trabalho e, sobretudo, uma probidade digna dos maiores elogios. É fiel à célebre máxima de Francisco Sá Carneiro: “A política sem ética é uma vergonha”. São atributos e qualidades que ninguém lhe poderá negar. Acontece que não conseguiu dar um élan revitalizador a um partido que recebeu desfalcado, fragilizado, despedaçado e desertificado. E foi co-responsável, em certa medida, pelo preenchimento de lugares do aparelho partidário, constituído por inanidades, por irrelevâncias, quando não por inépcias. Tudo numa apagada tristeza. Ora, o partido não pode viver só de uma liderança; mas de um colectivo. A força de um partido é o seu colectivo. É esse que está absolutamente anémico. Por outro lado, falta-lhe também, um certo carisma, que é necessário a qualquer liderança. É deste balanço que faço o meu juízo sobre Marques Mendes, pessoa, aliás, que estimo e de quem sou amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais as características imprescindíveis do futuro líder?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A primeira é ter a capacidade e a convicção de fazer regressar ao partido toda a massa crítica que dele está afastada, para conseguir revitalizar o colectivo do partido. A segunda é ter, como já disse, aquilo que se chama um determinado carisma; o poder de convicção e sedução que faz atrair o eleitorado e que faz com que esses e os militantes do partido entreguem a sua confiança ao líder de maneira a torná-lo credível. E para que, ao mesmo tempo, através desse processo de osmose, o líder possa apresentar-se como fiável. A terceira é uma forte convicção ideológica no sentido de o partido atingir o seu desígnio político, que é o exercício da social-democracia. Ou seja, um líder que quando age é um homem de pensamento e quando pensa um homem de acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rui Rio seria esse homem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O doutor Rui Rio tem muitos dos atributos que enunciei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma vez que ele declinou a hipótese, apoiará José Pedro Aguiar Branco?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem se vai apresentar. Estou muito próximo do José Pedro Aguiar Branco por razões de amizade, de antiga camaradagem política e por afinidades electivas - electivas de convicções e ideários. E reconheço-lhe, fora disso, muitíssimas capacidades. Hoje, dentro do leque disponível, é, sem dúvida nenhuma, a personalidade de quem me sinto mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E se Manuela Ferreira Leite decidir candidatar-se?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seria uma grande candidata! Não tenho dúvidas nenhumas. Mas, até agora, não se sabe se ela o vai fazer. Sei uma coisa, pelo que li nos jornais: se ela avançar, o Aguiar Branco não correrá contra ela. Dizendo isto, estou a dizer tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há um PSD do Norte e outro do Sul?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso é uma distinção que vem de longe, do tempo do Francisco Sá Carneiro. Não sei se hoje fará tanto sentido. Não sei se nestes tempos de globalização, mesmo interna, pode haver essa destrinça. Pode haver - e acredito que as haja - distinções entre os nortenhos e os sulistas. Pode haver distinções de concepções de vida, temperamentos, reacções. Admito que isso também possa reflectir-se no exercício da acção política, mas como consequência de um fenómeno mais largo e não restrito ao PSD, como se houvesse dois blocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sente-se bem nesse papel de histórico do partido, uma espécie de barão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Barão, nunca fui de nada, até porque sou visceralmente republicano. Sou um histórico, apenas, por ter sido um dos 14 fundadores do PSD. Estou ligado à história, à criação do partido, àqueles que lançaram as suas bases programáticas, e fizeram a sua implantação, a sua divulgação, etc. Histórico, também, se houver o sentido de continuidade na História - o que duvido - como um sentido de permanência e fidelidade às minhas convicções sociais democratas. Num sentido mais subjectivo, sempre sustentei que a História, mais do que uma continuidade, é uma impaciência. E acrescento: a tradição, tal como as mulheres, têm que ser simultaneamente respeitadas e inquietadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O PSD tem uma longa travessia do deserto para cumprir?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Para já, o horizonte não é muito claro, nem muito benéfico. Os ventos e as marés não sopram de feição. Mas o PSD não perde a esperança, porque é um partido de poder. O poder, para ele, é a terra prometida. [Esta foi muito boa, não foi?]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-7872864195977314820?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/7872864195977314820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=7872864195977314820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7872864195977314820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/7872864195977314820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/miguel-veiga.html' title='Miguel Veiga'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4v766epLI/AAAAAAAABzM/vebiBarsx4s/s72-c/miguel+veiga.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-1785656830542216820</id><published>2007-08-26T09:28:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:31:24.078-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clara Pinto Correira'/><title type='text'>Clara Pinto Correia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4wVa_l8gI/AAAAAAAABzU/ggSgH2tsF5c/s1600/CPC.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489378140392649218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 177px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4wVa_l8gI/AAAAAAAABzU/ggSgH2tsF5c/s400/CPC.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Quem tem umas massas num país falido é rei"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Véspera de viagem para o estrangeiro . Clara Pinto Correia, 47 anos, é de poucas palavras ao telefone. Mas acede, simpática, a responder à entrevista por mail. Professora catedrática e bióloga, sempre com uma mão nos livros e outra nos jornais, passa em revista o passado recente e antecipa a reforma. Sem travão.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada na série "Farpas" do JN a 18 de Julho de 2007]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que costuma alugar uma casa de turismo de habitação, no Alentejo, só para si? O que é que faz que de outra forma não faria?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fico sempre parva com esses mitos que se criam. Não alugo casa nenhuma só para mim, que disparate. Tenho dois grandes amigos, o António e a Lurdinhas, que vivem, com os filhos num turismo rural chamado Monte do Cabeço do Ouro, perto de Grândola, para onde vou (a pagantes, como qualquer outra pessoa) sempre que me apetece, e onde faço tudo o que me apetece: estar com os meus filhos em sossego, dar um mergulhinho na piscina ao fim do dia, entregar-me toda a longos passeios a cavalo em que as preocupações desaparecem ao ritmo do galope. Escrever, andar descalça... Sei que estou sempre bem quando vou para lá, e por isso, de facto, é um dos meus lugares de carregar a pilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os resorts seduzem-na ou entediam-na?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Que horror. Só morta é que me apanhavam num sítio desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está mais próxima de Ally McBeal ou Carrie de “Sex and the city”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não vejo televisão, por isso não posso responder. Pelo que vi enquanto estava na América, não me identifico minimamente com as meninas do 'Sex and de City'. Dá vontade de dizer: "Awh, just get a life!". E estou nos antí&amp;shy;podas da Ally McBeal, tanto nas inclinações profissionais como a anorexia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dá a mão à palmatória com facilidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com toda a naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Custou-lhe a assunção do erro que a fez baralhar textos seus com os de cronistas da New Yorker?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Assumi o engano imediatamente. O que me custou mesmo foi ver que as pessoas não queriam explicações. Queriam sangue. Queriam julgamento sem direito a defesa e linchamento na praça pública. Isso sim, claro que me custou. Sobretudo pelo que os meus filhos tiveram que aguentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do ponto de vista mediático, sente que há um antes e um depois desse episódio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Sinto que há um antes e depois de eu ter feito a agregação e passado a ser catedrática. E um antes e um depois de eu ter feito 40 anos. Em ambos os casos, a diferença e para muito melhor. Acontece-me com frequência as pessoas que passam por mim na rua, independentemente da idade e do género, dizerem-me que sou eu que lhes dou esperança. É uma enorme responsabilidade, claro, mas é também um elogio muitobonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os 40 anos bateram-lhe “fundo na alma”. Teme nova epifania reservada aos 50?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sei lá. Por definição, as epifanias não são previsíveis. Mas isto está a ser bom, e eu estou a gostar imenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficou magoada com a posição da “Visão” de suspender a sua colaboração?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não batam mais no ceguinho. Já passaram quase cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os portugueses estão sempre à espera de ver alguém escorregar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que, infelizmente, isso é uma característica da natureza humana, pelo menos no Ocidente. Durante os dez anos em que vivi na América, descobri que toda a gente naquele país imenso gostava de ver os ídolos e depois pisá-los bem pisados. E horrível. Mas é assim. Olhem a indecência que estão a fazer com o Carlos Cruz, a barrar-lhe todo o acesso aos trabalhos em que ele é o melhor de todos, quando um homem que ainda não foi julgado é por lei e por simples lógica considerado inocente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É mais fácil ser-se admirado quando não se está cá?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É tudo mais fácil quando vivemos num sítio onde as pessoas não nos reconhecem na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Procura o sítio certo à hora certa para poder fazer coisas em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro. Senão, não conseguiria faze-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No “24 Horas” deixava-se fotografar com os entrevistados. Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque foi uma série de um ano de entrevistas minhas a portugueses de cinco estrelas que pouca gente conhece, e este trabalho foi feito num estilo muito próprio, extremamente pessoal. Era apenas lógico que eu aparecesse numa das fotografias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chocou-a a ignorância do concurso “Belas e Mestres”?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Deixou-me doente. Já escrevi muito sobre isso, e vou continuar a escrever. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A inteligência está a perder pontos para a beleza?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca. Se as pessoas não forem inteligentes não conseguem ser bonitas. Isto não e negociável.&lt;br /&gt;No “Kiss me” interpreta uma mulher de espírito independente, moderno, à frente do seu tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Identifica-se com ela?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Mas simpatizo com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era capaz de se apaixonar por uma mulher?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Falo com conhecimento de causa, porque já fiz a experiência que desencadeia essas coisas: não. E agradável e sofisticado estar com mulheres, mas eu, numa semana, fiquei satisfeita para o resto da vida. Um bom homem faz imensa falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A possibilidade de hoje poder escolher-se a cor dos olhos e do cabelo, o feitio e o paladar dos bebés é perigosa ou razoável?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E de gosto duvidoso e pode abrir as portas para escolhas genéticas muitíssimo mais desagradáveis, como a pureza da raça ariana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A adopção é uma moda ou uma representação de um sentido humanitário crescente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A moda e o "sentido humanitário", neste momento, em Portugal, são exactamente a mesma coisa. E sim, há muito quem goste de adoptar para a fotografia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda gostava de ser uma park ranger?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso era o meu sonho de miúda. Agora quero, sobretudo, viver em paz e sentir-me feliz quando acordo. Mas, na reforma, claro - eu e o meu amor já estamos a tratar de tudo, incluindo a compra da casa, para acabarmos tranquilamente os nossos dias no campo, radicalmente no fim do mundo, rodeados de filhos e netos - e dos poucos amigos que sobreviveram ao teste e o serem para toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em terra de cegos quem tem um olho ainda é rei?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal? É mais quem tem umas massas num pais falido. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-1785656830542216820?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/1785656830542216820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=1785656830542216820' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/1785656830542216820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/1785656830542216820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/clara-pinto-correia.html' title='Clara Pinto Correia'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4wVa_l8gI/AAAAAAAABzU/ggSgH2tsF5c/s72-c/CPC.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-6956747553295949252</id><published>2007-08-26T09:27:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:34:06.213-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João Pereira Coutinho'/><title type='text'>João Pereira Coutinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4w7xHrx7I/AAAAAAAABzc/UXsw44GQDfI/s1600/JoÃ£o+pereira+coutinho.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489378799167195058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 376px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4w7xHrx7I/AAAAAAAABzc/UXsw44GQDfI/s400/Jo%C3%A3o+pereira+coutinho.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;"Se Paulo Portas pagasse as pipocas ia com ele ao cinema"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Está em viagem, mas responderá à entrevista quando chegar a casa, em Lisboa – avisa. Menos de duas horas depois, é ele quem afirma que as respostas não são muito inspiradoras. “É o que dá a pressão”, desculpa-se. João Pereira Coutinho, portuense e mordaz colunista do Expresso e da Folha de S. Paulo, 30 anos, confessa-se por e-mail.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada na série "Farpas" do JN a 17 de Julho de 2007]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que comprou o carro da manequim Mariza Cruz só por ser dela?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mentira. Comprei o carro da Marisa Cruz porque estava à espera que ela viesse como brinde. Fui roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com raras excepções, porque é que só escreve bem do Brasil na ‘Folha de S. Paulo’ e mal de Portugal no ‘Expresso’?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque a ‘Folha’ paga melhor. Quando o ‘Expresso’ subir a parada, começo a elogiar Portugal e os portugueses semana sim, semana sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É melhor tratado lá, ou cá desde que começou a escrever para lá?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou tratado da mesma forma. Com a única excepção de que os insultos, do lado de lá, vêm com sotaque. Os elogios também. Portugal é um país de deslumbrados? Já vi pior. O Zimbabué, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escrever dá-lhe mais prazer do que quando tocava piano nos bares?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A escrita não é uma questão de prazer; é uma questão de trabalho. O mesmo com o piano e os bares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O processo que Manuel Seabra, vereador da Câmara de Matosinhos, moveu contra si quando tinha pouco mais de 20 anos, chateou-o ou deixou-o vaidoso?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem uma coisa nem outra. Mas sempre disse que estas coisas deviam ser tratadas em duelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era capaz de viver no Porto outra vez?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu ainda vivo parte dos meus dias em Leça da Palmeira. A melhor parte, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua insolência nas crónicas é postiça ou é sempre assim?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Totalmente postiça. Como pessoa, sou uma doçura sem igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vê-se como uma espécie de gato fedorento em versão intelectual?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os “Gatos Fedorentos” são quatro intelectuais. Quando muito, sou uma versão fedorenta deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que cronista gostaria de abolir da imprensa portuguesa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Alberto Gonçalves, do DN e da Sábado. Demasiado bom para ser verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca cita o seu primeiro livro nos dados biográficos. Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Problemas de memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fala sozinho com frequência?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre que posso. Mas nem sempre estou disposto a ouvir-me, muito menos a responder-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não falar/não ouvir é mais nefasto na vida pessoal ou na esfera política?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depende do interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É sensível à crise dos 30?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, porque a minha precocidade obrigou-me a vivê-la quando tinha 20. Agora estou na crise dos 40. Não é mau de todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Imagino-o com gostos de adulto desde pequeno: charutos, whisky, hotéis, aviões, mulheres mais velhas. Quase como se tivesse passado a infância toda só à espera de crescer. Foi assim?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem dúvida. Aliás, ainda continuo à espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez foi a um festival de Verão?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez, por engano. Temi que me cozinhassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era capaz de ir ao cinema com Paulo Portas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, mas só se ele pagasse as pipocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Treinadores apaixonados na cama tendem a incutir nos atletas uma vontade orgásmica de marcar”. Scolari parece-lhe apaixonado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem por isso. Regular. Daí os resultados. Regulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que biografia portuguesa gostaria que fosse publicada neste momento?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha. Mas escrita por um mentiroso profissional. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-6956747553295949252?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/6956747553295949252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=6956747553295949252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6956747553295949252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/6956747553295949252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/joo-pereira-coutinho.html' title='João Pereira Coutinho'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4w7xHrx7I/AAAAAAAABzc/UXsw44GQDfI/s72-c/Jo%C3%A3o+pereira+coutinho.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-5442777284038973826</id><published>2007-08-26T09:26:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:35:50.167-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSD'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Miguel Júdice'/><title type='text'>José Miguel Júdice</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4xXPctTyI/AAAAAAAABzk/0ZNBfh_Du6Q/s1600/jose+miguel+judice.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489379271164907298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 159px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4xXPctTyI/AAAAAAAABzk/0ZNBfh_Du6Q/s400/jose+miguel+judice.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;"Num país de vidrinhos fui vítima dos vidrecos"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chega a Serralves como turista, a passear as rodinhas da mala, a distribuir cumprimentos aos amigos do Porto. José Miguel Júdice, 61 anos, mandatário da candidatura de António Costa a Lisboa, é um caso sério de humor refinado. Entra na entrevista como num jogo. Responde em sete minutos e 13 segundos, voluntariamente desarmado. Ontem, por telefone, reagiu às eleições intercalares.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada na série "Farpas" do JN a 16 de Julho de 2007]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É detentor da marca Inês de Castro. Como se adquirem os direitos de um facto histórico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com alguma argúcia, algum conhecimento jurídico e com a boa vontade de a por ao serviço da colectividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No México, há uma espécie de competição entre as famílias de Diego Rivera e Frida Khalo para ver quem consegue colocar o nome dos respectivos familiares em mais produtos. E se os empresários desatarem a digladiar-se pela comercialização da História?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por isso é que tive o cuidado de evitar que se estrague essa história fantástica! Todas as receitas que algum dia haja - e não houve até agora nenhuma - serão para a Fundação Inês de Castro, para perpetuar a imagem. Mas acho importante que os empresários descubram factos históricos; é uma forma de os divulgar e tornar mais conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é esquisito vender o amor de Pedro e Inês numa lata de atum, como sugeriu?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Imagine o que será receber no dia de pedido de casamento uma lata de atum? É atum com amor. Pode ser pós-moderno, muito interessante e original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava mesmo de vender a história de Pedro e Inês a Hollywood?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gostava, com certeza. Romeu e Julieta não resultou? E tem alguma dúvida de que a história de Romeu e Julieta é uma porcaria comparada com a de Pedro e Inês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Terá que ser Joe Berardo a dar o empurrão?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Espero que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu processo disciplinar também dava um filme?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ai dava, dava. Um filme de terror. Ou também podia dar uma comédia, uma tragédia, um filme para fazer chorar. E podia dar um filme que envergonhasse alguns dos actores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde é que levava o bastonário dos advogados a banhos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que fez ao colar da Ordem?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nem sei, mas é uma coisa que deixou de me interessar há mais ou menos um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o retrato de que não autoriza exposição, vai buscá-lo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca chegou a ser feito, graças a Deus. Poupou-se dinheiro e poupou-se, provavelmente, uma obra de arte imortal. Na imaginação fica ainda mais bonito do que se fosse real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vai aproveitar as férias para apanhar sol na frente ribeirinha?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. Aí sinto-me um ginecologista. Trabalho onde espero que muitos se divirtam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Incomoda-o passar por tachista?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vindo de quem vem, com certeza que não me incomoda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível colocar Lisboa nos eixos sem uma maioria absoluta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro que é. Como foi possível ao professor Cavaco Silva fazer o seu programa em 85 e obter depois uma maioria em 87.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A percentagem de abstenção é desoladora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Há uma grande crispação contra os partidos, em Lisboa. E as eleições foram realizadas no pior dia: há pessoas a irem de férias e outras que ainda não regressaram. E há um cansaço grande em relação a eleições para dois anos. No entanto, uma abstenção na ordem dos 60% é um bocadinho, mas não é muito comparativamente aos 50% registados há dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cabe ao PSD a maior lição a tirar destas eleições?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A grande lição é que vamos ter, finalmente, uma liderança e um programa sério para Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como justifica que o PS pareça estar a seduzir tantos elementos de outros partidos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E mesmo independentes. Ainda está muito longe do que pode fazer. A política, hoje em dia, faz-se com base em objectivos que motivem as pessoas. É isso que, inteligentemente, Sarkosy está a fazer em França. Espero que Sócrates copie. Há muita gente com qualidade, que pode ajudar o país, se lhe for pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gosta mesmo de José Sócrates?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gostar, gostar, gosto de pouca gente e preciso de os conhecer muito bem. Mas não tenho dúvidas nenhumas de que Sócrates está a ter coragem para fazer muitas coisas que outros que anunciaram e não fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dê lá um parecer jurídico sobre o financiamento partidário.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gostava que o financiamento fosse cada vez mais bem controlado. O que Saldanha Sanches está a fazer na candidatura do António Costa é exemplar. Pode ser publicado e copiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parecer jurídico sobre a bufaria na função pública.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses são uns vidrinhos. Eu fui vítima dos vidrecos. Portanto, estou sempre do lado daqueles que têm processos disciplinares por razões que têm a ver com a forma como falam ou deixam de falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desfiliou-se do PSD, saiu da Ordem, é um homem de rupturas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou, também. Mas também sou um homem de continuidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depois da reforma, imagina-se a fazer o quê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A escrever livros, a passear, a conhecer sítios que não conheço para levar para o outro mundo imagens bonitas que me entretenham. Imagino que no céu não há paisagens nem monumentos como aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é muito cedo para falar do outro mundo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei. A morte pode chegar a qualquer momento sem me consultar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dos sete pecados capitais, a gula é o seu eleito?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É aquele que eu confesso com mais facilidade em público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Janta sempre no seu restaurante, quando está no Porto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. Aliás, hoje em dia, já não é o meu restaurante [Kool, na Casa da Música], já não estamos ligados ao projecto. Mas sempre que venho ao Porto janto em sítios agradabilíssimos e como sempre muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinicius de Morais diz que as mulheres para serem bonitas…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;…têm que ter alguma coisa que nasce da tristeza de ser mulher e viver só com o seu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso. É assim?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que sim. Falando, por uma vez, com seriedade absoluta, a minha mãe enviuvou muito cedo e o meu pai morreu quando eu tinha três anos. A imagem da mulher que eu tinha em pequeno era da mulher triste e o desejo que ela deixasse de o ser. Isso marca-nos para o resto da vida.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-5442777284038973826?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/5442777284038973826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=5442777284038973826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5442777284038973826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/5442777284038973826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/jos-miguel-jdice.html' title='José Miguel Júdice'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4xXPctTyI/AAAAAAAABzk/0ZNBfh_Du6Q/s72-c/jose+miguel+judice.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-3179023179921739627</id><published>2007-08-26T09:23:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T11:37:04.745-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miguel Sousa Tavares'/><title type='text'>Miguel Sousa Tavares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4xqkSGvJI/AAAAAAAABzs/sLldMQbMHyg/s1600/mst1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489379603175095442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 238px; CURSOR: hand; HEIGHT: 360px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4xqkSGvJI/AAAAAAAABzs/sLldMQbMHyg/s400/mst1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"Dá-me imenso prazer ser lido por benfiquistas"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Chegou atrasado ao lançamento do livro de um amigo, no Porto. Miguel Sousa Tavares, escritor consagrado ao primeiro romance, aceitou responder à entrevista no fim da apresentação. No jardim, para poder fumar. Em 10 minutos e oito segundos resume tudo: "Choro para dentro".&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva, publicada na série "Farpas" do JN, a 15 de Julho de 2007]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já alguém leu o seu novo romance? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já. Os editores e a minha mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua mulher é sempre o seu teste?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É normal. Embora ela não tenha lido todo, só algumas partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é meio presunçoso dizer que será a sua consagração como escritor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas eu disse isso? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A citação, pelo menos, foi-lhe atribuída...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O que eu disse é que será a minha consagração ou o meu enterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse que gostava de ver o 'Equador' adaptado ao cinema. Ficar pela série televisiva não é ficar a meio do caminho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Eu tenho cinco propostas para cinema, só que ainda não se concretizou nenhuma. Há a hipótese de o filme poder ser feito lá fora. Estou à espera da tradução inglesa, que está com um ano de atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dá palpites sobre os actores que quer ver na série?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Contratualmente não posso, mas dou palpites. E posso dizer, em segredo, que já recebi muitas cunhas de actores e de actrizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nos cafés ou na praia, costumava reparar em quem lia o livro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Reparava porque, modéstia à parte, havia muita a gente a lê-lo, sobretudo na praia. A cena mais engraçada é um casal na praia a ler o livro ao mesmo tempo e a discutir o final. Não perceberam que eu estava atrás deles e cada um tinha a sua interpretação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É a potencial leitura deste Verão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Só sai Outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aparentemente, a acusação de plágio não provocou grandes danos na opinião pública, que o defendeu. E em si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou à espera que a polícia judiciária consiga identificar o anónimo que fez a acusação. Eu tenho desconfianças, mas isso não serve de prova. O problema é que o servidor que ele utilizou está sediado nos Estados Unidos e já foi pedido a um Tribunal americano que indique o nome dele, mas é complicado os americanos dizerem que sim. Em relação à opinião pública, n ão é verdade isso que diz. Nos meus leitores não teve grande repercussão; a nível da inveja nacional, teve, como é óbvio. E sobretudo a nível de alguma imprensa, e de onde eu menos esperava, do jornal Público onde trabalhei 12 anos. O jornal agarrou aquilo como uma reacção de inveja do tipo. "Vamos tentar destruir isto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gosta no novo Público?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não. Detesto. Deram cabo do jornal. Ainda bem que saí de lá antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ganhou aversão à internet?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. O meu novo livro tem muita investigação graças à Internet, que também uso para jogar Bridge, quando estou cansado. E uso quando tenho muitas saudades de terras de que gosto: Rio de Janeiro, Veneza. Para sites de conversa não tenho paciência. Aliás, acho que as pessoas falam de mais em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há um blogue de um admirador que se dedica exclusivamente a reproduzir as suas crónicas na 'Bola'. Já teve algum fã psicopata?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não conheço esse blogue. Mas já tive algumas fãs psicopatas, sim. Mulheres. Tipo, aquele filme horrível, 'Atracção fatal'. Perseguiam-me de automóvel, faziam-me esperas nos sítios mais inesperados, às horas mais incríveis. Um coisa tenebrosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que sente uma pessoa que sabe que no dia em que publica a crónica na "Bola", o jornal vende mais dez mil exemplares?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sinto que quando isso não acontecer tenho que deixar de escrever. Sou muito bem pago para escrever, e devo esses índices aos meus leitores, que têm direito a esperar coisas de mim. Às vezes, acho que não devia escrever ,porque não me sinto em forma. E tenho pena que o contrato implique escrever todas as semanas, porque gostava de dar sempre o melhor e, às vezes, não acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escrever na 'Bola' é uma espécie de provocação? Dá-lhe prazer pensar que são sobretudo os benfiquistas que o lêem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Imenso prazer. Enfiei uma bandeira azul e branca no castelo benfiquista e é muito estimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu fanatismo pelo FCP é mesmo incontrolável ou já faz parte de uma certa imagem que criou?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Antes de eu ser figura pública, o meu fanatismo pelo Porto era 20 vezes pior. Chorava e vomitava a ver o Porto jogar de nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É perigoso ver um jogo de futebol ao seu lado?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, hoje em dia fico paralisado. Já vi o Porto ganhar tanto que já me habituei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E se o Porto estiver a perder?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em casa não é perigoso; no estádio, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem alguma expectativa em relação ao filme de João Botelho?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ainda não é desta que ele vai fazer um filme capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diz que odeia fazer palestras, conferências, simpósios e que não o faz a não ser a troco de dinheiro. Mas faz apresentação de livros. A troco de quê?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A troco de nada. Faço isso por amigos. Mas também não gosto de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E escreve prefácios, alguns improváveis. O que é que o autor tem de ter para o caucionar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho que gostar da obra e admirar a pessoa. Mas já tenho dito que não a amigos. O prefácio mais improvável que eu fiz foi do João Garcia, o alpinista, que não conhecia de lado nenhum. Ele tinha acabado de ter o acidente no Evereste e apareceu lá em minha casa sem a ponta dos dedos, sem a ponta do nariz a dizer que eu era a pessoa que ele queria para escrever o prefácio. E eu fiz e gostei imenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No livro da actriz Maitê Proença, "Entre ossos e a escrita", diz ter descoberto que, "afinal, as mulheres também choram". Foi um alívio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi. Bem-vindas ao mundo dos seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E a si, o que o faz chorar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa. Mas, basicamente, choro para dentro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-3179023179921739627?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/3179023179921739627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=3179023179921739627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/3179023179921739627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/3179023179921739627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/08/miguel-sousa-tavares.html' title='Miguel Sousa Tavares'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4xqkSGvJI/AAAAAAAABzs/sLldMQbMHyg/s72-c/mst1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-3009724326636548418</id><published>2007-08-25T12:14:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:13:08.034-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Júlio Machado Vaz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><title type='text'>Júlio Machado Vaz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumSZ00xEDI/AAAAAAAAAag/AeXpLp-l0uE/s1600-h/vaz.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109776224602886194" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumSZ00xEDI/AAAAAAAAAag/AeXpLp-l0uE/s400/vaz.JPG" style="cursor: hand; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;"Nada me pode ser exigido a não ser paleio"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está em Cantalães, freguesia de Vieira do Minho, onde possui casa. Contactado por mail, é por mail que responde, pouco depois. Com humor e gentileza. Júlio Machado Vaz, 58 anos, não é só o sexólogo mais mediático do país. Publicou vários livros. O primeiro, em 1991, "O sexo dos anjos" foi o seu Citizen Kane.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 25 de Agosto na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que diabo partilha as suas “ruminações” connosco em &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://murcon.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;http://murcon.blogspot.com/&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque Diabo havia de ser o único a apanhar com elas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Herdou alguma corda vocal da sua mãe?&lt;/strong&gt;Nem um fio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um psiquiatra é, também, um sedutor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se calhar o inverso é mais verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já alguma paciente se apaixonou por si? Como reage?&lt;/strong&gt;Que eu saiba, não. Ao fim de trinta anos de clínica pergunto-me se não será preocupante…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O facto de expor-se publicamente como “doutorado” em sexo traz-lhe responsabilidades acrescidas na sua vida pessoal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, porque os meus cursos de Sexologia são teóricos. Logo, nada me pode ser exigido a não ser “paleio”, como se diz no meu Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez consultou um sexólogo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A mim, ao espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda joga gamão na Internet? Para curar o quê?&lt;/strong&gt;Não. Como era para me distrair do trabalho, cheguei à conclusão de que era mais eficaz tentar manter-me a par das aquisições do Benfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cintando-o, na sua “provecta idade, a ausência de sofrimento é já uma experiência erótica”?&lt;/strong&gt;Nem mais, estar vivo já é um enorme prazer. Se lhe adicionarmos uma francesinha, cerveja e tremoços na Galiza ele torna-se quase insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se explica a um neto de quatro anos a capacidade que uma mulher, na praia, pode ter capacidade para, em meia dúzia de minutos, enlouquecer um banhista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não se explica porque nunca me aconteceu, era wishful thinking.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É por ser filho único que gosta de ser o centro das atenções?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É (também) por ser filho único que nunca procurei ser o centro das atenções, apesar de lhe ter suplicado esta entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E é por ser demasiado abordado na rua que passeia na marginal da Foz completamente disfarçado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, é por ser asmático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os dez anos que passou num colégio de padres tiveram influência na carreira que escolheu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, fui para Medicina porque a minha Mãe decidiu e depois deixou-me pensar que fora eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Via o “A, B, Sexo” de Marta Crawford [TVI]? Apreciou o formato?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vi algumas vezes. Pareceu-me um programa de entretenimento picante disfarçado de programa de educação sexual. Aposto, por exemplo, que não era a Marta a escolher os convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse: “Não há nada menos romântico do que uma gravidez indesejada”. Ficou desiludido com o número de médicos que se declarou objector de consciência para não realizar abortos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De modo algum, com a consciência não se brinca. Desde que ela actue da mesma forma nos vários locais de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua experiência diz-lhe que o sexo ajuda mais a salvar ou a arruinar casamentos?&lt;/strong&gt;A arruinar. Uma boa relação sexual não chega para construir uma cumplicidade global duradoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez as suas convicções ficaram abaladas pelas dúvidas dos pacientes?&lt;/strong&gt;Seguramente, em trinta anos ouvi argumentos sobre os mais diversos assuntos que me obrigaram a reavaliar os meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Genericamente, as preocupações dos hetero são idênticas à dos homossexuais?&lt;/strong&gt;Não acredito em diferenças essenciais baseadas na orientação sexual. Excepto numa, que não é essencial, vem dos outros – a discriminação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em “O sexo dos anjos” (Relógio d’Água, 1991) traça uma espécie de manual que ensina a sobreviver aos desgostos de amor. Os seus livros são inspirados nas consultas?&lt;/strong&gt;Também, afinal a minha profissão consiste em ouvir histórias de vida. Como costumo escrever sobre elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cantelães é o preservativo que o protege de uma vida social frenética?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, para isso chega João de Barros e dizer “não”. Na realidade, a minha vida social é mais activa em Cantelães, neste preciso momento a casa está cheia de gente. E ninguém é mais frenético do que os meus netos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é o seu prognóstico para o Porto-Sporting?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O de qualquer benfiquista que se preze – vão perder os dois por falta de comparência!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-3009724326636548418?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/3009724326636548418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=3009724326636548418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/3009724326636548418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/3009724326636548418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/jlio-machado-vaz.html' title='Júlio Machado Vaz'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumSZ00xEDI/AAAAAAAAAag/AeXpLp-l0uE/s72-c/vaz.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-875665183886923675</id><published>2007-08-24T12:13:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:14:21.139-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vasco Graça Moura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSD'/><title type='text'>Vasco Graça Moura</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumUmU0xEFI/AAAAAAAAAaw/uuaC1E-wYr0/s1600-h/graca+moura.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109778638374506578" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumUmU0xEFI/AAAAAAAAAaw/uuaC1E-wYr0/s400/graca+moura.JPG" style="cursor: hand; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;"Marques Mendes vai destronar José Sócrates"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O mais certo, disse, seria só conseguir responder dali a dois dias. Vasco Graça Moura, 65 anos, há-de ter contornado a agenda para enviar as respostas no dia seguinte, de manhã cedo. Escritor transpirado; cavalheiro enxuto. Homem do Porto a viver em Lisboa diz ser cáustico quando tem que ser.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;[Entrevista de Helena Teixeira da Silva publicada a 25 de Agosto de 2007 na série Farpas do Jornal de Notícias]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma vez leu literatura dita light? Mesmo que só por curiosidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma ou duas vezes. Uma das personagens de um romance que escrevi há alguns anos, Meu amor era de noite, é uma autora de literatura light…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As suas tournées pelas livrarias com Pacheco Pereira incluíam a aquisição de livros de bolso ou os livros têm que ser, também, objectos bonitos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É raro comprar livros de bolso. Só o texto não tiver saído noutra edição ou se se tratar de uma coisa que não se encontra de outro modo. Um livro deve durar 300 anos. Mas não nego a extraordinária importância dos livros de bolso para a democratização da cultura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antes de José Saramago ganhar o Nobel [1998] afirmou que gostava que um escritor português vencesse esse prémio literário porque seria importante para a afirmação da nossa cultura no mundo. Agora, ele veio dizer que Portugal devia pertencer a Espanha. Diria que Saramago é um mau embaixador do país?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Saramago não é um diplomata, é um grande escritor português. Era muito pior se ele fosse um bom embaixador e um medíocre escritor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que lhe parece mais grave: a ministra da Cultura não ter comparecido nas comemorações do centenário de Miguel Torga ou ter dispensado Dalila Rodrigues do Museu Nacional de Arte Antiga?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De longe, que Dalila Rodrigues tenha sido dispensada. Esse facto cria um gravíssimo problema cultural. A grandeza de Torga dispensa rituais com a presença de qualquer membro Governo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um homem da sua craveira fica realmente magoado quando, fruto das suas opiniões publicadas, é atingido com etiquetas como "caceteiro", "trauliteiro" ou "arruaceiro"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sabia do “arruaceiro”. Os outros dois termos são a reacção normal de quem não tem argumentos para o que eu às vezes digo. Não me faz impressão nenhuma, a não a de que acertei no alvo…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A idade ensinou-o a ser menos cáustico ou perdeu só o prazer de contestar?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou cáustico por natureza ou profissão. Sou-o quando entendo que devo sê-lo. E isso não tem nada a ver com a idade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De que é que não gostou exactamente nos anos 60: do sexo, da droga, do rock'n'roll ou do facto de toda a gente se achar de esquerda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já escrevi “uma boa merda, os anos sessenta”... Foram a década da desagregação das sociedades de modelo democrático ocidental. Não trouxeram nada que se tenha tornado uma alternativa válida. Só piolheira e contestação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O seu partido - PSD - tem já dois candidatos às legislativas de 2009: Mendes e Menezes. Acredita que algum deles pode destronar José Sócrates?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Marques Mendes vai fazê-lo. É evidente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O PSD foi o partido da silly season. Já se disse que sofre de disfunção eréctil, que precisa de uma semana nas termas, que pode acabar do tamanho do Bloco de Esquerda ou que não pode viver com comprimidos. Qual é o seu diagnóstico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Que, na silly season há sempre alguém suficientemente parvo para dizer parvoíces dessas. É sinal de que o PSD está bem e se recomenda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Também teme que todos os intelectuais do partido acabem por transformar--se em dissidentes, como José Miguel Júdice?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Temo, sim, que JMJ acabe por tornar-se dissidente de si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E acha, como os advogados deste país, que eles deviam ter, ao contrário da maioria, dois meses de férias?&lt;/strong&gt;Advoguei durante uns 16 anos. E nunca tive dois meses de férias. Nesse período, havia sempre muito que fazer durante 5 ou 6 semanas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Traduziu a obra de Dante. O que é que na sua vida é equivalente ao inferno, ao purgatório e ao paraíso que o poeta encontra em "A Divina Comédia"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Inferno: emperrar numa tradução. Purgatório: andar às voltas com ela e julgar que não saio dali. Paraíso: chegar a uma solução satisfatória.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Arrebata-o mais uma mulher como Berenice [Jean Racine] que prescinde do amor por achar que ele não justifica a queda de um império ou uma mulher como Cléopatra [Shakespeare] que finge suicidar-se por julgar-se preterida?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje em dia, a única mulher que me arrebata é a minha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É certo que ambas acabaram por morrer. Hoje, já ninguém quer morrer por amor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é evidente. E é preferível morrer por amor do que por um ataque terrorista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua poesia é o palco das suas fragilidades?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. É a expressão das minhas possibilidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diz que a escreve mais com transpiração do que com inspiração. Quer dizer que um poema nunca lhe sai do coração?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pode sair, mas só se torna objecto literário pela técnica “transpirada”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda troca postais com selo de correio com os amigos do peito. É um romântico na forma de viver a amizade?&lt;/strong&gt;Nunca escrevi mais de dois ou três postais na vida. Vivo a amizade numa dimensão de lealdade e de boa fé.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava de ter sete vidas como os gatos ou uma basta-lhe?&lt;/strong&gt;Preferia durar como as tartarugas, desde que em boas condições físicas e mentais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que imagem gostaria que guardassem de si?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A que no séc. XVI alguém aplicou ao Sá de Miranda: “Poeta até o embigo, os baixos prosa”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24012306-875665183886923675?l=entre-vidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entre-vidas.blogspot.com/feeds/875665183886923675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24012306&amp;postID=875665183886923675' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/875665183886923675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24012306/posts/default/875665183886923675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entre-vidas.blogspot.com/2007/09/vasco-graca-moura.html' title='Vasco Graça Moura'/><author><name>helena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12464905504265428180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/SYowT8hEYdI/AAAAAAAABHY/R-WUG21_GfY/S220/HPIM1614.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/RumUmU0xEFI/AAAAAAAAAaw/uuaC1E-wYr0/s72-c/graca+moura.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24012306.post-5513833970667840617</id><published>2007-08-24T12:12:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T12:14:47.365-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='António Nunes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Farpas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ASAE'/><title type='text'>António Nunes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnXE_2LlJ4w/TC4aN6oHyzI/AAAAAAAABxM/H2PtlbCHXsc/s1600/antonio.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_548935
